17/02/2005
Filadélfia pretende disseminar a Internet sem fio
James Dao
Em Filadélfia, Pennsylvania
Se as coisas ocorrerem como quer o prefeito John F. Street, no próximo ano esta cidade se tornará um gigante "hotspot" (ponto de acesso) sem fio, oferecendo a todos os bairros acesso à Internet de banda larga por preços abaixo do mercado, naquela que poderá ser a maior experiência em serviço municipal de Internet nos Estados Unidos.
Ryan Donnell/The New York Time
 Homem acessa a Internet em parque na cidade por meio de conexão sem fios
| As autoridades municipais prevêem um pacote coeso de sinais que permitirá à polícia realizar o download de fotos de suspeitos enquanto se deslocam para cenas de crimes, motoristas de caminhão tenham acesso pela Internet aos inventários, e estudantes e moradores de baixa renda possam ter acesso à Internet.
Especialistas dizem que o modelo da Filadélfia, se bem-sucedido, poderá provocar um movimento nacional para tornar a banda larga acessível e de baixo custo em todas as cidades. Da minúscula Saint Francis, Kansas, à tecnológica San Francisco, mais de 50 governos municipais já instalaram ou estão prestes a criar sistemas públicos municipais de banda larga.
Mas empresas de cabo e telecomunicações dizem que as redes municipais de Internet não apenas inibirão o empreendimento privado, como também resultarão em serviços de baixa qualidade e desperdiçarão dólares dos contribuintes. E estão organizando campanhas de lobby em muitos Estados para restringir ou proibir os governos municipais de estabelecerem suas próprias redes.
"Esta é uma tendência crescente, mas uma ameaçadora e preocupante", disse Adam Thierer, autor de um estudo que ataca o plano da Filadélfia. "A última coisa que queremos ver é a banda larga se transformar em um serviço público ineficaz."
As autoridades da Filadélfia insistem que isto não acontecerá aqui. Street disse que tentará levantar financiamento junto a corporações e fundações para cobrir o custo inicial da rede, de US$10 milhões. Ele também disse que a cidade recrutará empresas privadas para ajudar a operar o sistema, afirmando que ele será auto-sustentado.
A maioria dos sistemas municipais de Internet se encontra em pequenas cidades rurais, fornecendo serviços a preços abaixo do mercado. A Filadélfia está propondo cobrar de US$ 15 a US$ 20 por mês, ou até menos para usuários de baixa renda, aproximadamente metade do que os provedores privados cobram.
"É justo o setor pagar impostos para a cidade, que então os usará para lançar uma rede que competirá com as nossas?" perguntou David L. Cohen, vice-presidente executivo da Comcast, que tem sede na Filadélfia. "Eu não acho."
Tradução: George El Khouri Andolfato
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