17/12/2003

Índice de aprovação de Bush sobe após a captura de Saddam, segundo pesquisa



Adam Nagourney e Janet Elder

A captura de Saddam Hussein melhorou a opinião dos americanos quanto ao estado da nação e o presidente Bush, detendo ao menos temporariamente o que vinha sendo uma espiral de preocupação em torno da economia e da política externa do país, segundo a mais recente pesquisa New York Times/CBS News.

Mas mesmo sob o brilho da captura de Saddam, os americanas temem que as forças americanas ficarão atoladas no Iraque por anos e que os ataques contra os soldados americanos continuarão, além de dizerem que Bush não tem um plano para desembaraçar os Estados Unidos do Iraque, segundo a pesquisa. E 60% dos americanos disseram que os Estados Unidos continuam tão vulneráveis a um ataque terrorista quanto antes de Saddam ser retirado de um buraco em Ad Dwar.

As pesquisas Times/CBS News cobriram os dias que antecederam e os que se seguiram à captura de Saddam, oferecendo uma demonstração vívida de como um evento momentoso pode mudar a opinião pública. Da noite para o dia da noite de sábado à noite de domingo- a visão dos americanos de sucesso na guerra disparou, assim como a opinião deles sobre se o país estava no caminho certo e suas opiniões sobre Bush.

Ocorreu até mesmo um ligeiro salto entre as duas pesquisas no número de americanos que achavam que a economia estava se recuperando, um número que já vinha crescendo nas pesquisas desde outubro.

Na demonstração mais aparente da mudança, 47% dos pesquisados disseram que a guerra estava transcorrendo bem para os Estados Unidos na pesquisa encerrada na noite de sábado. Tal número saltou para 64% na segunda pesquisa. Antes do fim de semana, 47% dos americanos desaprovavam a forma como Bush lidava com a política externa -a pior aprovação de sua presidência. Depois do fim de semana, tal número caiu para 38%.

Mais amplamente, antes de domingo os resultados da primeira pesquisa incluíam uma série de bandeiras vermelhas para Bush à medida que iniciava a disputa pela reeleição no próximo ano -particularmente na medição do número de pessoas que achavam que o país estava caminhando na direção correta, um indicador historicamente confiável da força política do detentor de um cargo.

Na primeira pesquisa, 56% dos pesquisados disseram que o país estava
seguindo na direção errada, em comparação com apenas 39% que disseram que
estava na direção certa. Mas na segunda-feira, tais números quase se
inverteram, com o número de americanos dizendo que o país estava na direção certa subindo para 49% e 43% dizendo que as coisas estão no caminho errado, segundo a segunda pesquisa.

Mesmo a percepção de que a economia está melhorando -que tem sido uma
espécie de ponto fraco para Bush- melhorou de 34% na semana passada para 39% nesta semana.

O índice de aprovação de Bush saltou de 52% para 58% após a captura de
Saddam, e o número de americanos que desaprovam sua atuação caiu de 40% para 33%.

As duas pesquisas nacionais por telefone foram realizadas uma imediatamente após a outra, com a primeira realizada de quarta-feira até sábado e a seguinte de domingo até segunda-feira.

A amostragem da primeira pesquisa foi de 1.057 adultos, e apresenta margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais. Outros 635 adultos foram entrevistados na segunda pesquisa, que apresenta margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

A opinião pública às vezes pode reagir dramaticamente nos dias que se seguem a grandes eventos, e os resultados da segunda pesquisa Times/CBS News pode refletir um pico de empolgação e patriotismo provocado pelas imagens de Saddam sendo levado sob custódia.

Mas mesmo pelo prisma desta vitória, a pesquisa refletiu a continuidade da ambivalência do público americano em relação à guerra e a forma como Bush lida com ela -um sentimento que foi refletido nas entrevistas feitas em seguida com os pesquisados.

"É fantástico; é uma ameaça a menos para o mundo", disse Shari Cook, uma
cozinheira de escola de 44 anos de Farnam, Nebraska, e uma eleitora
independente. "Ele é um homem horrível, horrível, mas não sei se a captura dele compensa todas as vidas que estão sendo perdidas diariamente lá."

Michael Grimaldi, um republicano de 34 anos que é operador de central de
ambulâncias de Fairfield, Nova York, previu que a captura de Saddam
resultaria em uma diminuição dos atentados no Iraque. Mas Grimaldi disse
estar preocupado com o fato dos Estados Unidos estarem presos lá.

"Me parece que outro Vietnã está acontecendo", disse ele. "Eu espero que já que o capturamos, agora poderemos trazer nossos soldados para casa e
deixá-los resolverem seus problemas sozinhos."

Quase metade dos pesquisados disse que agora acreditam que os Estados
Unidos, com a captura de Saddam Hussein, venceram a guerra. A maioria disse que a guerra ainda não acabou e que espera que as tropas permaneçam lá por anos, em vez de meses. A maioria disse acreditar que Saddam orquestrava os ataques contra os soldados americanos, mas espera que estes ataques continuem mesmo com ele na prisão.

A pesquisa revelou que cerca de 53% dos pesquisados disseram que o governo não tem um plano para reconstrução do Iraque, e os pesquisados ficaram divididos igualmente sobre se a Casa Branca tinha um plano para lidar com o terrorismo ou se estava apenas reagindo segundo os eventos.

Antes da captura de Saddam, o número de americanos que disseram que a guerra era um erro tinha saltado de 19% desde o final de abril para 43%, mas recuou para 30% na segunda pesquisa desta semana, como parte da rápida mudança do humor nacional.

Também ficou clara a desaprovação pública da algumas políticas domésticas de Bush ligadas à guerra. Por exemplo, dois terços dos americanos -incluindo uma maioria de republicanos- disseram discordar da política da Casa Branca de proibir a cobertura por fotojornalistas das cerimônias em que os caixões dos soldados americanos são trazidos de volta para casa. A Casa Branca disse que a política visa proteger a privacidade da família dos mortos; os democratas e alguns críticos da Casa Branca dizem que ela visa evitar a publicação de fotos com carga emocional que possam endurecer a oposição à guerra.

Seguindo estas linhas, dois terços dos pesquisados disseram que Bush deveria tornar uma prática sua presença nos funerais de alguns dos americanos mortos no Iraque. (Um quarto dos pesquisados disse incorretamente que Bush estava freqüentando tais funerais.)

Os candidatos democratas à presidência têm aumentado seus ataques contra as políticas de Bush para o terrorismo e para o Iraque, diante de algumas
críticas dos republicanos que sugerem que tais ataques são impróprios em
tempos de guerra. Mas uma maioria clara de pesquisados, 64%, disse que tais críticas são apropriadas.

Kim Baatz, uma eleitora independente de 25 anos de Sheldon, Loiusiana, disse na entrevista posterior que sua opinião em relação a Bush mudou devido ao sucesso no Iraque neste fim de semana.

"Eu desaprovava antes da captura porque sentia que o progresso no Iraque não ia a lugar nenhum e eram tantos soldados nossos sendo mortos", disse ela, acrescentando: "Uma das metas foi atingida".

Como a pesquisa foi conduzida

A mais recente pesquisa New York Times/CBS News se baseou em duas pesquisas
conduzidas uma imediatamente após a outra antes e depois da divulgação da
captura de Saddam Hussein. Entrevistas por telefone foram conduzidas de
quarta-feira até sábado com 1.057 adultos de todos os Estados Unidos.

A captura de Saddam foi anunciada na manhã de domingo. Uma amostragem
separada de 635 adultos foi entrevistada da tarde de domingo até a noite de segunda-feira.

A amostragem de entrevistados por telefone foi selecionada aleatoriamente por um computador a partir de uma lista completa de mais 42 mil estações telefônicas residenciais ativas de todo o país. Dentro de cada prefixo de estação, dígitos aleatórios foram acrescentados para formar um número telefônico completo, permitindo assim o acesso a números listados e não listados. Em cada lar, um adulto foi apontado por um procedimento aleatório para ser o pesquisado.

Os resultados foram examinados para levar em consideração o tamanho do lar e o número de linhas telefônicas na residência para compensar a variação na amostragem relacionada a região geográfica, sexo, raça, idade e formação.

Na teoria, em 19 entre 20 casos, os resultados baseados em tais amostragens não divergirão mais do que poucos pontos percentuais em qualquer direção daquilo que seria obtido com uma pesquisa envolvendo todos os adultos americanos. A margem de erro da primeira pesquisa é de três pontos percentuais; na segunda, de quatro pontos.

Comparando as duas pesquisas, uma mudança de cinco pontos percentuais ou
mais nas respostas é estatisticamente significativa.

Para subgrupos menores a margem de erro é maior. Além da margem de erro, as dificuldades práticas para conduzir qualquer pesquisa de opinião pública pode introduzir outras fontes de erro na pesquisa. Variação na ordem e nos termos usados nas perguntas, por exemplo, podem levar a resultados ligeiramente diferentes.

Todos os resultados estão no endereço www.nytimes.com/politics/.


Tradução: George El Khouri Andolfato Visite o site do The New York Times



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