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30/12/2008 - 03h14

Guerra contra a Faixa de Gaza influirá na eleição israelense

USA Today
Brenda Gazzar
Em Jerusalém
Os líderes israelenses não têm que se preocupar apenas com ganhar uma guerra. Ele precisam pensar também em uma eleição.

O resultado da eleição de fevereiro poderá ser determinado pelo resultado da campanha movida por Israel contra militantes palestinos na Faixa de Gaza. Dois dos principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro são a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que defendeu as ações israelenses em várias entrevistas a redes de televisão de diversas partes do mundo, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, o mentor intelectual da estratégia desta ofensiva.

"Até certo ponto, os futuros desses indivíduos serão determinados pelo resultado desta operação", afirma Gadi Wolfsfeld, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

O próximo primeiro-ministro israelense assumirá o cargo em um período particularmente crucial para o país. Além da operação na Faixa de Gaza, Israel precisará decidir como enfrentar uma ameaça crescente representada pelo Irã e o seu programa nuclear. E Barack Obama, que prometeu fazer do processo pela paz no Oriente Médio uma alta prioridade, terá acabado de ocupar a Casa Branca.

Caso o resultado da guerra na Faixa de Gaza seja ruim, como aconteceu no Líbano em 2006, isso poderia significar uma vitória eleitoral para Benjamin Netanyahu, do partido Likud. Ex-primeiro-ministro na década de 1990, Netanyahu revelou-se um elemento de linha duríssima durante a maior parte da sua carreira. Ele se opôs à retirada israelense da Faixa de Gaza em 2005 e, ao contrário de Livni, descartou negociações a respeito de Jerusalém como parte do processo de paz.

De acordo com a agência de notícias Reuters, uma pesquisa realizada na noite de domingo pela rede de televisão israelense Canal 10 revelou que 81% dos israelenses apóiam o ataque contra a Faixa de Gaza. A mesma pesquisa mostrou Livni e Barak subindo nas pesquisas desde o início da guerra, embora eles ainda estejam atrás de Netanyahu.

A guerra implica em riscos óbvios
"O atual governo israelense decidiu conduzir uma operação militar contra uma organização terrorista situada no meio de uma população civil - no meio de uma campanha eleitoral. Tudo isso se constitui em um barril de pólvora pronto para explodir", afirma Reuven Hazan, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Segundo ele, o melhor cenário possível seria aquele em que o movimento militante Hamas fosse "reduzido de tamanho". Hazan afirma que o pior cenário consistiria em uma bomba perdida que errasse o alvo, matando um grande número de civis palestinos e obrigando Israel a cancelar as operações bélicas antes de atingir os seus objetivos.

De acordo com o comentarista político Raanan Gissin, Israel conta com um tempo limitado para atingir esses objetivos. Ele afirma que a operação provavelmente seria considerada um sucesso caso obrigasse o Hamas a recuar e aceitar um cessar-fogo completo e abrangente segundo os termos ditados por Israel, incluindo a libertação do soldado israelense Gilad Schalit, que foi seqüestrado em junho de 2006 e que está sendo mantido em cativeiro pelo Hamas na Faixa de Gaza.

Caso a primeira semana de combate seja favorável a Israel, e o Hamas mostre-se disposto a recuar, Israel terá que reduzir a magnitude da sua operação de ataque, diz ele.

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