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 SOFTWARE LIVRE

15/09/2004 12h52

A história do software

Cezar Taurion *
Especial para o UOL Mundo Digital

O fenômeno do software livre abriu intensas discussões sobre os mecanismos de licenciamento e distribuição de software. Mas o que é software livre e por que essa discussão com relação ao software proprietário?

Nos primórdios da informática os softwares eram gratuitos e livremente distribuídos em formato fonte (código-fonte), pois havia poucos computadores, e o valor real estava na própria máquina, e não nos programas. Vender software era algo inimaginável.

Posteriormente, com a maior disseminação dos computadores e o crescimento da indústria de Tecnologia da Informação, o software começou a ser vendido separadamente da máquina. Gerou uma indústria bilionária, e as empresas do setor começaram a buscar mecanismos de proteção de propriedade intelectual, como direitos autorais (copyrights) e patentes, para se defender da acirrada concorrência e garantir suas vantagens competitivas. Neste momento, o código-fonte passou a ser protegido, pois ele é o próprio conhecimento do programa.

O modelo de software proprietário surgiu, portanto, para preencher uma necessidade legítima do mercado. Sem incentivo financeiro, a indústria de software não teria chegado aonde chegou.

Com a explosão da microinformática popularizaram-se alternativas de comercialização e distribuição de software em código binário e, portanto, impossíveis de serem modificados: shareware e freeware.

Os softwares shareware são geralmente gratuitos por um período de tempo definido por seu proprietário. Após este tempo, o software deixa de funcionar ou opera em modalidade restrita. A idéia básica do shareware é que o desenvolvedor deve ser remunerado pelo seu esforço. Assim, depois de determinado período de avaliação, onde nada é cobrado, o software demanda o pagamento de uma taxa de licenciamento. Caso esse pagamento não aconteça, o software pode restringir sua funcionalidade a apenas algumas facilidades. Além disso, os softwares shareware não vêm com permissão para fazer cópias e novas instalações sem licenças adicionais. Visitando o site www.sintel.net podemos ter uma idéia da variedade de softwares shareware e freeware disponíveis.

Os softwares freeware podem ser usados e eventualmente distribuídos gratuitamente, sem limitações de tempo. O freeware não impõe nenhum pagamento ao seu autor, para seu uso. Algumas vezes é adotado como parte de uma estratégia de marketing para promover produtos complementares. Um exemplo clássico foi a estratégia adotada pela Microsoft quando disponibilizou gratuitamente o navegador Internet Explorer, para conseguir market share e assim alijar do mercado a Netscape e seu navegador, então distribuído no modelo de pagamento para licença de uso. Os softwares freeware podem ser obtidos gratuitamente, mas não podem ser modificados, porque são liberados apenas em código binário.

O software livre é diferente das modalidades tradicionais de comercialização e distribuição de software por que é também distribuído em formato fonte, portanto legível e passível de ser alterado e redistribuído pelos usuários. Além disso, seu autor outorga a todos o direito de usar, copiar, alterar e redistribuir o programa. De maneira geral, são gratuitos quando copiados a partir de um site na Web.

Em inglês existem duas expressões para designar o que estamos considerando como software livre. O termo free software costuma causar alguma confusão na língua inglesa, porque a palavra free é geralmente associada a grátis. A confusão é tanta que a Free Software Foundation, organização sem fins lucrativos fundada em 1985 e voltada a divulgar o conceito de software livre, define o termo "livre" do software livre como liberdade de uso, e não gratuidade: "Free software is a matter of liberty, not price. To understand the concept, you should think of free as in free speech, not as in free beer" ("Software livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, pense em livre como em liberdade de expressão, e não como em cerveja grátis").

Devido a essa confusão, foi criado o termo Open Source (código aberto) para eliminar a ambigüidade da língua inglesa.

Em português não temos estes problemas de entendimento, pois livre não é igual a grátis. O mesmo se aplica ao espanhol (software libre) e francês (logiciel libre). Nestas línguas não se adota termos como código aberto ou software aberto. O termo que eles adotam é o similar ao nosso software livre e esta é, portanto, a nomenclatura que geralmente adotamos para designar os programas que oferecem liberdade de uso, modificação e distribuição.

É importante destacar que software livre não significa software de domínio público, mas aderente a licenciamentos que em maior ou menor grau permitem as liberdades de usar, copiar, alterar e redistribuir o programa.

(*)Cezar Taurion é gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil e autor do livro "Software Livre - Potencialidades e Modelos de Negócios"




 

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