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03/02/2004 19h05

Google se prepara para oferta inicial de ações

John Markoff
The New York Times

A Google conseguiu eliminar um dos últimos obstáculos remanescentes em seu esforço atentamente acompanhado para vender ações ao público, disseram pessoas ligadas à empresa na semana passada.

A Google recebeu um atestado de saúde financeira em uma auditoria paga pela empresa, certificando que está cumprindo as exigências da lei Sarbanes-Oxley aprovada pelo Congresso em 2002, em resposta à onda de escândalos corporativos.

O relatório é um passo crucial no caminho cuidadosamente traçado para uma oferta inicial de ações que agora espera-se que ocorra nesta primavera. O conselho diretor da Google aguardava o relatório para dar o sinal verde final para a empresa dar entrada ao registro de ações junto à Comissão da Valores Mobiliários, segundo vários executivos envolvidos no processo.

A Google tem se recusado a comentar publicamente qualquer aspecto de sua oferta planejada. Se o registro for autorizado pela reunião do conselho diretor da Google, que poderá ocorrer já nesta semana, a oferta inicial de ações (IPO) provavelmente ocorrerá na última semana de abril.

A Google, uma empresa de capital fechado com sede em Mountain View, Califórnia, transformou seu mecanismo de busca altamente popular em uma poderosa fábrica de dinheiro, graças à venda de espaço para anúncios relativamente discretos vinculados aos resultados de buscas específicas.

Apesar da auditoria não ser uma exigência para se tornar uma empresa de capital aberto, a Google contratou a auditoria como parte de um esforço concentrado visando assegurar que não haja nenhum erro ligado à permissão de que suas ações sejam oferecidas a investidores comuns e negociadas no mercado de ações.

A decisão da Google de colocar suas ações no mercado tem gerado grande interesse tanto no Vale do Silício quanto em Wall Street. A amplamente aguardada oferta da Google tem gerado comparações inevitáveis com a Netscape, a antes próspera criadora de browser para Internet cujas ações se tornaram públicas a um valor de US$ 2,6 bilhões em agosto de 1995, servindo como estopim para o boom pontocom do final dos anos 90.

Vários analistas estimaram que a oferta pública inicial da Google poderá estabelecer um valor de mercado para a empresa de até US$ 20 bilhões, criando vasta riqueza para seus fundadores, Sergey Brin e Larry Page, e transformando igualmente muitos de seus funcionários em multimilionários.

Apesar de alguns especialistas esperarem que o evento provoque outra rodada de especulação no mercado de ações envolvendo empresas de tecnologia e produza outra enxurrada de dólares de investimento, a maioria argumenta que a Google é um caso especial que provavelmente não vai provocar uma onda de oferta de ações "eu também".

"Eu espero não entrarmos em um mercado de ações frenético", disse Jim Breyer, sócio-administrativo da Accel Partners, uma firma de capital de risco de Palo Alto, Califórnia. "A Google é um grande negócio em muitas formas, mas não há nenhuma companhia privada no momento que esteja construindo o mesmo tipo de ecossistema".

Segundo as novas leis

A empresa ainda não escolheu um subscritor principal para sua oferta de ações, disseram executivos da Google, mas várias pessoas envolvidas no processo disseram que a J.P. Morgan e a Goldman Sachs são as únicas verdadeiras candidatas para administrar o negócio. A Google ainda está avaliando se oferecerá algumas ações por meio de leilão público, em parte para afastar quaisquer críticas em torno de tratamento justo para com muitos investidores dispostos a serem donos de parte da empresa.

A oferta pública da Netscape foi um marco-chave no boom das ações de Internet no final dos anos 90, que terminou com a Netscape sendo adquirida pela AOL Time Warner e uma série de processos de grande destaque e indiciamentos criminais. Para evitar um destino semelhante, os executivos da Google estão procedendo com muito mais cautela do que a maioria das empresas que percorreu tal caminho.

"A Google terá que ser um modelo de como fazê-lo segundo as novas leis", disse um administrador de fundo de tecnologia que está acompanhando atentamente as preparações da Google. "Eles terão que ser muito inteligentes para não tropeçarem".

Apesar das conseqüências da entrada da Google no mercado de ações ainda serem incertas, o sucesso financeiro incontestável da empresa tem atraído concorrentes cada vez mais determinados em tirar da Google a posição de mecanismo de busca mais popular.

A Google não revelou publicamente suas finanças, mas pessoas envolvidas com a empresa disseram que ela está perto de uma receita anual de US$ 1 bilhão.

No início deste ano, o Yaho! disse que deixará de contar com a Google como seu principal mecanismo de busca e começará a desenvolver sua própria tecnologia de busca. A Microsoft também iniciou um grande esforço para competir no negócio de busca. Na segunda-feira, a Microsoft apresentou uma barra de busca MSN para uso com o browser Internet Explorer, concebida segundo um aplicativo semelhante disponível tanto no Google quanto no Yahoo!.

Enquanto isso, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, Bill Gates, o presidente da Microsoft, disse aos participantes que a Google é atualmente "muito melhor" em busca do que a Microsoft e elogiou "o QI elevado" dos pesquisadores da Google. Ele argumentou que a Microsoft alcançará a Google assim que se concentrar nesta tarefa.

Na feira de informática Comdex, Gates fez uma demonstração da tecnologia de busca da Microsoft que deverá ser lançada neste ano. Mas os analistas permanecem divididos sobre se a Microsoft aguardará o lançamento de seu software de busca mais avançado, misturando busca local e remota, até o lançamento da versão Longhorn de seu sistema operacional Windows. Analistas da indústria agora acreditam que o Longhorn só chegará em 2006.

Tradução: George El Khouri Andolfato


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