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14/05/2004 19h30

Mercado de impressoras vive guerra dos cartuchos

Renato Rodrigues
Editor-Assistente de Mundo Digital

Com o avanço da fotografia digital, muitos brasileiros têm comprado suas primeiras impressoras ou vêm trocando modelos antigos por equipamentos mais modernos e com melhor resolução. Opções no mercado não faltam, com preços que vão de R$ 300 a mais de R$ 1.000. No entanto, são raros os consumidores que atentam para um detalhe que, algumas semanas ou meses depois, pode causar um susto daqueles: o preço dos cartuchos.

Nos últimos anos, os grandes fabricantes de impressoras perceberam que, assim como no mercado de telefonia celular, gasta-se mais nos insumos do que no hardware em si. Sem alarde, a estratégia de negócios mudou. Hoje em dia, empresas como HP, Epson e Lexmark assumem que a venda de suprimentos como papel e cartuchos (principalmente), tornou-se o filé mignon do negócio de impressão.

No modelo Z605 da Lexmark, por exemplo, basta a compra de 1,2 jogo de cartuchos (1 preto, 1 colorido) para igualar o preço da impressora nova, R$ 249 reais. Na Epson C43-SX, 2,7 jogos de cartuchos equivalem a uma impressora novinha, que custa R$ 299.

De olho nessa aparente disparidade, o mercado de cartuchos -tanto para as jato de tinta (inkjets), quanto para as laser- foi tomado por concorrentes. A briga tornou-se tão intensa que as empresas sequer se entendem sobre sua divisão em categorias. Para os fabricantes de impressoras, só há dois rótulos possíveis: cartuchos originais e não-originais. E ponto.

Para as outras empresas, a coisa não é assim tão simples. Além dos produtos originais, elas dividem o mercado em:

  • Compatíveis - cartuchos novos, fabricados no Brasil ou na China (em sua grande maioria), com tecnologia e tinta que tentam ser o mais próximo o possível do original. Em geral, seu preço é 40% inferior aos "de marca". As principais empresas desse ramo são Maxprint, Extralife e Helios Carbex, única a produzir aqui.


  • Recarregados - cartuchos originais que são recomprados por empresas de recarga (quem já não viu um anúncio "compro cartuchos"?) e recebem outra carga de tinta, tanto por meio de seringas quanto de máquinas. É um mercado imensamente segmentado, em que atuam empresas sérias e outras nem tanto.


  • Recondicionados - cartuchos usados, principalmente de toner (usados em impressoras laser), que são abertos, desmontados e recarregados com tinta ou toner. Quando o trabalho é bem feito, esses cartuchos recebem peças novas e de qualidade, que praticamente os deixam como novos. Quando o serviço é picareta, apenas injeta-se o material de recarga e pronto.


  • Piratas - cartuchos originais que são comprados e recarregados, mas que voltam ao mercado como sendo originais, com embalagens quase ou idênticas às verdadeiras. São uma garantia de dor de cabeça.


  • Assim como em vários outros setores do mercado de informática no Brasil, não há números ou órgãos oficiais em relação aos cartuchos. Estima-se, segundo dados da Abreci (Associação Brasileira dos Recondicionadores de Cartuchos), que o setor esteja assim dividido: originais - 50%; compatíveis - 17%, remanufaturados - 5%; falsificados/piratas - 28%.




     

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