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14/05/2004 19h32

Especial Cartuchos: Preço dos originais assusta usuários

Da Redação
Em São Paulo

Para o consumidor que entra no setor de cartuchos de uma grande rede de suprimentos, salta aos olhos a disparidade de preços entre os produtos originais, com os selos Epson, HP ou Lexmark, e os compatíveis, das marcas Lexmark, Maxprint e Helios Carbex.

O cartucho preto original para a Epson C43UX sai por cerca de R$ 40. O compatível mais barato, da Extralife, custa a metade. É claro que não há consumidor que não se comova com a possível economia de R$ 20.

É nesse ponto que começa o "pega" entre as empresas. Segundo as fabricantes de impressoras, cartuchos originais custam caro por que carregam muita tecnologia embutida, tanto na forma da tinta quanto na eletrônica.

Ao trocar o cartucho, o usuário troca também o chip que regula o funcionamento da impressão -um dos motivos do alto custo desse suprimento. "Um cartucho é muito mais do que um tanque de plástico cheio de água com corante", diz Ignacio Fonts, vice-presidente mundial e gerente-geral de suprimentos para jato de tinta da HP, líder do mercado de impressão.

Além disso, os cartuchos originais são importados e isso, claro, tem impacto direto sobre o preço. Segundo os fabricantes, não há escala suficiente para se instalar uma fábrica no Brasil, mesmo que fosse para abastecer o mercado latino-americano. "Temos apenas quatro fábricas no mundo todo", diz Fonts.

Há quem discorde. Segundo Sérgio Sacchi, diretor-geral da Helios Carbex, a opção por produzir no país, tomada pela empresa há seis anos, compensa. Para ele, a explicação do preço dos originais tem uma origem pouco nobre -a margem "brutal" de lucro dos fabricantes. "As impressoras viraram commodities, mas o consumidor não vê isso", afirma. Opinião compartilhada por Mario Guedes, superintendente da fábrica da Extralife, que produz cartuchos compatíveis. "Os grandes fabricantes são empresas multinacionais, que precisam manter suas margens de lucros", diz.

Os fabricantes se defendem. "O preço do original envolve também a qualidade e a segurança do consumidor", diz Gustavo Assunção, gerente negócios para a área de suprimentos da Epson do Brasil. "Não vamos entrar em guerra de preços", afirma. Opinião compartilhada pelos executivos da HP.

Apesar disso, tanto Epson quanto HP sentiram o avanço dos compatíveis e, tentaram, cada qual à sua maneira, diminuir o tamanho da mordida em seu faturamento no setor -que pode ter chegado até a 35%, segundo especialistas.

A HP lançou cartuchos "econômicos", com menos tinta e preço menor. O cartucho de 14 ml da HP custa 58% do preço do produto original (de 28 ml). A idéia é que o consumidor não precisa de "tanta tinta". Na verdade, trata-se de um típico caso em que a economia não compensa. Segundo testes realizados pela revista "Info Exame", o custo por folha impressa acaba saindo maior do que com um cartucho normal.

Já a Epson promoveu um ajuste de preços chamado de "harmonização". Os cartuchos do modelo C42 tiveram o custo "readequado" à realidade brasileira, segundo Assunção. Após um intenso trabalho de convencimento da matriz japonesa, cortou-se o preço do cartucho preto de R$ 75 para R$ 40, e colorido de R$ 95 para R$ 64. O resultado foi a duplicação das vendas.

E por quê não fazer essa "harmonização" em todo o restante da linha? Segundo Assunção, o problema é que a grande maioria dos modelos disponíveis no Brasil tem o mesmo nome nos EUA. Dessa forma, cartuchos mais baratos aqui iriam acabar inundando o mercado americano. Será mesmo? "Pode ter certeza que sim", afirma o executivo da Epson.

(Renato Rodrigues)




 

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