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14/05/2004 19h34

Especial Cartuchos: Compatíveis são o "barato que sai caro"?

Da Redação
Em São Paulo

Será que os cartuchos compatíveis são um caso em que o barato sai caro? Mais uma vez as opiniões se dividem, e são francamente opostas.

Segundo Gustavo Assunção, gerente negócios para a área de suprimentos da Epson do Brasil, cabe ao consumidor "assumir o risco" ao comprar um produto não-original. "Nossa posição não é obrigar ninguém, mas sim educar o usuário para que ele tome uma decisão consciente", afirma.

Ignacio Fonts, vice-presidente mundial e gerente-geral de suprimentos para jato de tinta da HP, usa argumentos técnicos para defender os originais. Ele diz que os primeiros cartuchos para impressoras jato de tinta, lançadas em 1985, possuíam apenas 12 micro-orifícios para a saída da tinta. Modelos atuais, como a BLJ 3000, de 2002, têm cartuchos com 512 furinhos -cada um da espessura de um fio de cabelo. Fonts diz que copiar essa tecnologia é praticamente impossível, o que explica, segundo ele, a falta de qualidade dos compatíveis.

Outra questão levantada por ambas as empresas é a tinta, tão ou mais importante que a tecnologia embarcada nos cartuchos. Tanto Epson quanto HP usam tintas fabricadas exclusivamente para cada uma. A fórmula dessas tintas não é vendida, nem divulgada, nem emprestada a mais ninguém, garantem. "São necessárias 36 gotículas de tinta para produzir um ponto final", diz Fonts. "Se a tinta não é boa, ela entope a cabeça de impressão e compromete todo o resultado do trabalho", aponta.

A qualidade da tinta original, argumentam as empresas, garante a qualidade de imagens impressas -sem borrões, distorções, linhas verticais e horizontais e tons muito distantes do original.

Por fim, há a questão do controle de qualidade. "Como posso garantir a qualidade de um produto feito por outra empresa, lá na China?", diz Assunção. A grande maioria dos cartuchos compatíveis à venda no Brasil vem do país asiático. A exceção é a Helios Carbex, que produz os cartuchos aqui e importa tinta dos EUA.

Segundo Fonts, um teste feito nos EUA apontou que os cartuchos originais da HP são 25 vezes mais confiáveis -em termos de falhas de impressão- do que os compatíveis.

Para as fabricantes de compatíveis, a argumentação das multinacionais não se sustenta. Todas juram de pés juntos que testam a qualidade do produto. "Garantimos ao cliente que se a impressora entupir devido à tinta, nós damos outra", afirma Mário Guedes, superintendente da fábrica da Extralife. "E isso seria um risco muito grande se não estivéssemos certos da qualidade de nosso produto", argumenta.

Sérgio Sacchi, diretor-geral da Helio Carbex, também acha exagerados os argumentos das multinacionais. "Nós fabricamos os cartuchos aqui e temos total controle da qualidade", afirma. Ele diz que os cartuchos da empresa são praticamente idênticos aos originais, tanto que usa o conceito de "produto original Helios".

As empresas de compatíveis não chegam, porém, a afirmar que o resultado da impressão é idêntico ao de um cartucho original. "Igual não fica", admite Guedes, "mas nossos testes mostram que a diferença é praticamente imperceptível", diz. Sacchi defende a mesma opinião.

Testes realizados pela revista "Info Exame", na edição de abril deste ano, e pelo "Guia Info" n° 14 (da mesma revista), apontam para uma conclusão inegável: os compatíveis são imbatíveis quando se trata de preço. Na Epson Stylus C43UX, o custo por página de texto em preto foi de R$ 0,22 com o cartucho original, e de apenas R$ 0,07 com o compatível da marca Extralife. No colorido, o preço variou de R$ 0,61 (original) a R$ 0,35 (Extralife).

Na HP Deskjet 610C, o resultado se repetiu. O cartucho compatível Maxprint preto teve um custo de R$ 0,19 por página impressa (R$ 0,32 no colorido), contra R$ 0,38 e R$ 0,35 no cartucho original.

No entanto, a coisa muda de figura quando se trata de qualidade. Segundo a equipe técnica da revista, os originais levam vantagem no quesito qualidade. No teste com a C43UX, a qualidade em imagens do cartucho original levou nota 7,5. O melhor compatível, Helios Carbex, recebeu 6,5. Com a HP 610C, o original teve nota 8, e o compatível, 6,5.

Segundo a avaliação da revista, a diferença é quase nula quando se trata de texto simples, em preto.

(Renato Rodrigues)




 

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