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01/10/2004 18h18

Internet supera a TV em vários aspectos, diz pesquisa

Renato Rodrigues
Editor-assistente de Mundo Digital

A Internet, quem diria, tomou o lugar da TV na preferência do público -pelo menos nos EUA, país que concentra o maior número de pessoas (170 milhões) com acesso à rede mundial de computadores.

O avanço da Web no gosto popular foi apontado por uma pesquisa com americanos entre 18 e 54 anos, realizada pela OPA (Associação dos Editores Online). A OPA reúne os principais sites de informação dos EUA, como o CNN.com, MSNBC.com, Reuters.com e The Wall Street Journal Online.

O estudo investigou a relação dos americanos com os principais veículos: Internet, TV, rádio, jornais e revistas. Entre as descobertas, destaque para a liderança da Web entre os meios preferidos.

Os pesquisadores perguntaram quais veículos as pessoas escolheriam caso pudessem optar por apenas dois entre os listados acima. A Internet foi a primeira escolha para 45,6% dos entrevistados, contra 34,6% da TV. Como segunda escolha, os índices foram respectivamente 32,1% e 27,8%. Tanto Web quanto televisão ficaram bem distantes do terceiro lugar na preferência popular, os livros (veja figura abaixo).

OPA
Se você pudesse usar apenas duas mídias, quais seriam suas escolhas?


A força da Internet é ainda maior no grupo mais jovem, formado por pessoas entre 18 e 24 anos. Nesta faixa etária, 50,5% apontam a Web como meio preferido, contra 28,5% que são mais ligados na telinha.

"O alcance e a familiaridade com a rede mundial são os motivos pelos quais a Web está cada vez mais presente na vida da geração mais jovem", disse Michael Zimbalist, presidente da OPA, em comunicado da entidade.

Segundo ele, os entrevistados acreditam que "com a Internet, podem encontrar qualquer coisa que procuram, em qualquer lugar que estejam".

O estudo também pediu aos entrevistados que comparassem aspectos do conteúdo online ao relação ao tradicional. O material divulgado pela Internet saiu-se muito bem, em todas as faixas etárias. Exemplo: para quase todo mundo (97%), procurar informações na Web sobre produtos e música é a mesma coisa ou melhor do que em revistas. Já outro dado causa surpresa para os que consideram que Internet não é lugar para textos -para 83%, ler uma reportagem ou artigo online é igual ou melhor do que em um jornal.

O calcanhar de Aquiles da Internet, no entanto, ainda é o conteúdo em vídeo. Para 63%, assistir vídeos de longa duração ainda é algo para ser feito em frente à TV, não na telinha do PC. (veja figura).

OPA
Comparação de atividades na Web em relação a outras mídias


A relação dos americanos com a Web também está mudando, segundo a pesquisa da OPA. "Os consumidores estão indo além do uso puramente funcional da Internet, passando a ter atividades mais relacionadas com mídia, como a leitura de textos, ver fotos e assistir vídeo", disse Zimbalist. "Os resultados da pesquisa mostram que a Web está deixando de ser uma ferramenta para ser uma mídia".

A Internet também supera todos os outros meios quando se trata de informação sobre produtos e serviços e é, de longe, a mídia mais importante para os entrevistados (veja tabela abaixo). No entanto, a rede ainda não é vista como o melhor meio de entretenimento e ainda carece de credibilidade -embora, nesse aspecto, empate com os jornais.

OPA
Opiniões em relação às mídias (concorda ou não com a frase ao lado)


Brasil

O Brasil ainda não dispõe de pesquisas com a extensão do estudo realizado pela OPA, mas alguns dados podem dar uma boa idéia da relação crescente dos internautas brasileiros com a rede. Em agosto, os usuários nacionais bateram novo recorde em tempo de uso da Web em casa, de acordo com dados do Ibope/NetRatings, que mede o uso mensal da Internet no país.

Segundo o instituto, os cerca de 12 milhões de internautas ativos do país ficaram, em média, 13h58 online -atrás apenas dos japoneses, com 14h26. Os americanos ficaram em terceiro, com 13h40.

Em relação a agosto de 2003, o uso residencial da Web cresceu 24,1%. No mesmo período de 2003, os brasileiros passaram 11h15 navegando. Nos EUA e Japão o crescimento foi de, respectivamente, 4,1% e 4,4%.

"O aumento no número de horas é impulsionado pelos internautas de banda larga, que já são responsáveis por mais de 60% do tempo total online dos domicílios brasileiros", diz Marcelo Coutinho, diretor de análise do instituto. "Eles navegam em média 20 horas mensais, enquanto os usuários de linha discada ficam 8 horas."

Outra pesquisa do Ibope, feita em 2003, mostra que se a Web ainda não enfrenta a TV aberta, já incomoda a TV por assinatura. Perguntados sobre o que prefeririam caso tivessem de optar por um celular, um computador com acesso à Internet ou uma assinatura de TV paga, 61% dos entrevistados preferiu o micro com acesso. O celular e a assinatura obtiveram, respectivamente, 18% e 14% das preferências.

A Web também caiu no gosto dos jovens. Conforme dados do Target Group Index, pesquisa do Ibope Mídia sobre o consumidor brasileiro, 52% dos jovens de 12 a 19 anos que vive no Sul/Sudeste do país usam a Internet. O crescimento do acesso nessa faixa etária foi de 180% em quatro anos, aponta o instituto, 5% acima da média geral da população.




 

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