
22/10/2004 16h25

Exército americano usa supercomputadores para simular guerra virtual

Da Redação Em São Paulo

De tempos em tempos, um continente inteiro ganha vida em uma rede de supercomputadores. É um mundo de grandes cidades e áreas rurais, com uma complexa rede de estradas em que dezenas ou centenas de tanques, caminhões, motocicletas militares, soldados e outros veículos se movem. Este imenso mundo virtual é uma arena eletrônica onde o comando do exército dos EUA desenvolve táticas para o futuro -uma arena cada vez mais complexa graças ao poder computacional fornecido pela Universidade da Califórnia.
| Divulgação |  | | Ambiente urbano virtual criado para o projeto | Um dos experimentos em conjunto entre os militares e os cientistas da universidade é o "Solução Urbana", que começou no dia 12 de outubro. Ambientado no ano 2015, a operação "envolve uma força de coalizão -liderada pelos EUA- que precisa confrontar e derrotar um adversário equipado com armas modernas e opera em um ambiente urbano."
Dois grupos de oficiais, os líderes azuis da coalizão, e o time vermelho adversário, controlam suas forças de postos de comando separados -salas repletas de monitores em que auxiliares executam os movimentos ordenados pelos comandantes.
Esses ajudantes são chamados "puckers" -uma lembrança dos dias em que exercícios militares era conduzidos em grandes mesas, e soldados empurravam bloquinhos (pucks) representando navios ou tanques com o uso de bastões.
Dois outras salas de controle completam a estrutura. Uma equipe verde comanda a "confusão" -veículos, pedestres e outros aspectos da população civil que não estão nem de um lado nem de outro da guerra. Por fim, uma sala branca exibe painéis com uma visão superior do desenrolar da operação -a chamada "visão dos anjos".
Os puckers das equipes verde, vermelha e azul adicionam veículos ao mundo virtual selecionando-os de um menu com centenas de unidades pré-fabricadas, cada uma com seu comportamento específico, desenvolvidas ao longo de uma década de experimentos.
Alguns dos veículos têm comportamento bem complexos, mas mesmo os mais simples "bots" (robôs, personagens computadorizados) sabem o quão rápido podem ir em estradas, virar esquinas, evitar colisões e manter-se no caminho, assim como responder aos horários -até provocando congestionamentos pela manhã e no começo da noite.
Alguns poucos -a maioria unidades de combate- são bem mais complexos e dotados de inteligência artificial. Eles podem responder e reagir de várias formas conforme a circunstância.
Simples ou complexa, a população da arena virtual costumava ser bem menor.
"Por um longo tempo", diz um dos diretores do projeto, Dan Davis -um ex-marine que usa sua experiência em combate no mundo virtual-, "havia um limite inaceitável para o número de veículos que poderiam ser simulados em estações individuais ou em uma rede local -eles não podiam passar de 30 mil."
| Divulgação |  | | Cenário virtual comporta até 1 milhão de "entidades" | Robert Lucas, diretor da divisão de ciências da computação na Universidade, liderou um esforço que quebrou essa barreira, em 2002. Naquele ano, foi possível criar pela primeira vez um mundo virtual com 1 milhão de entidades. "Agora", diz Davis, "apesar de estarmos hesitantes sobre quais os limites, não vemos cerceamentos imediatos."
O experimento de três partes iniciado no mês passado irá usar cerca de 100 mil entidades, e empregar supercomputadores rodando Linux localizados em dois centros militares.
"A fase I da operação irá focar no uso de inteligência humana", diz a descrição da operação Solução Urbana, "assim como inteligência avançada, vigilância e tecnologias de reconhecimento, para obter compreensão do ambiente urbano e das forças adversárias."
Na fase II, a força aliada irá continuar a empregar capacidades de rastreamento avançado para encontrar e seguir o inimigo. Na fase III, a coalizão, liderada pelos EUA (como sempre) irá empregar todas as suas forças no ar, na terra e no mar para manobrar dentro do espaço urbano.
 |
 |
|
|
|