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12/11/2004 18h31

Vale a pena trocar o Internet Explorer pelo Firefox?

Renato Rodrigues
Editor-Assistente de Mundo Digital

Lá pelos idos dos anos 90, internauta (não eram muitos, na verdade) que se prezasse só navegava pelo Netscape Navigator, produzido pela empresa de mesmo nome. O Netscape era robusto, confiável, cheio de recursos e tinha uma interface agradável. Nessa época, o Internet Explorer, então em sua versão 3.1, era alvo de chacota.

Só que a Microsoft, com seu imenso poder de fogo, melhorou bastante o IE e, mais do que isso, passou a entregá-lo de graça, incorporado ao Windows. Em poucos anos, esses dois fatores demoliram a fortaleza na qual o Netscape se alojava, com quase 90% do mercado de browsers. Hoje, quem tem mais de 90% (97%, para ser mais exato) é a Microsoft.

Derrotada, a Netscape morreu e deixou uma semente em 98: o projeto Mozilla, que oferece gratuitamente o código-fonte do Navigator, para que programadores possam desenvolvê-lo. O código-fonte é a alma de qualquer software, e geralmente é guardado a sete chaves.

Seis anos depois, graças ao trabalho voluntário de centenas de programadores pelo mundo, o Mozilla liberou a versão 1.0 do Firefox, um navegador que promete incomodar bastante o Internet Explorer -massacrado pela mídia especializada graças aos seus constantes, incômodos e aparentemente incorrigíveis defeitos de segurança.

Prós e Contras

Depois de 72 horas de testes, Mundo Digital pôde estabelecer algumas conclusões sobre o Firefox 1.0 e estabeleceu uma lista de prós e contras sobre o novo navegador.

  • Prós

    1. É leve. São apenas 4.5 MB, contra incríveis 80 MB do Internet Explorer. A instalação é simples e sem sobressaltos. Basta copiar (veja link abaixo) e seguir os passos indicados.

    2. Internautas acostumados ao IE não encontram grandes problemas ao usar o Firefox. Ele também possui recursos como o "Auto-completar" endereços e permite o atalho "CTRL+enter" para completar uma URL a partir de uma palavra. Exmplo: digite "uol" no campo do endereço e pressione as teclas CTRL e enter juntas. O programa irá preencher a URL com "http://www.uol.com" (no caso do Universo Online, você será levado à home page).

    3. Além disso, durante a instalação, o Firefox pergunta se o usuário quer importar favoritos, senhas, cookies e histórico do IE. Em geral, a operação dá certo e o internauta muda de browser sem sumir com seu passado inteiro.

    4. A navegação pode ser feita em abas (tabs) dentro da sessão principal. Para isso, aperte a tecla CTRL ao clicar em um link. Quando a aba é carregada, aparece um iconezinho, evitando que você perca tempo esperando o carregamento.

    Navegação com abas


    5. O Firefox vem com bloqueador de pop-up incorporado. Funciona muito bem, diga-se de passagem. Durante o teste, soube reconhecer pop-ups de propaganda e respeitar janelas que se abrem a pedido do usuário, após clicar em algo (uma enquete, por exemplo).

    6. A interface é limpa e pode ficar ainda mais agradável. Para isso, basta baixar um tema chamado Noia 2.0, disponível no site do programa. A maneira mais fácil de fazer isso é clicando em Tools-Themes no menu e depois em Get more themes na caixa de diálogo. Ao escolher o tema, ele instala-se automaticamente.

    7. Por falar em extensões, o programa oferece algumas. A mais útil, disparado, é a Adblock. Ela bloqueia anúncios em todos os sites, tornando a navegação mais rápida -um alívio principalmente para quem usa conexão dial-up. Para instalar, clique em Tool-Extensions e depois em Get More Extensions na caixa de diálogo. Assim como o tema, a extensão também se instala sozinha. Além de banners, essa extensão também pode bloquear anúncios em Flash, que em geral, são pesados e consomem processamento da máquina até o carregamento integral.

    8. O navegador vem com uma útil e discreta caixinha de busca ao lado dos ícones principais. Por ali, dá para pesquisar no Google, Yahoo!, Amazon e Wikipedia. É possível adicionar outros serviços, mas nenhum em português.

    9. O Firefox pode bloquear códigos javascript que bagunçam os sites durante a navegação.

    10. Por fim, mas não menos importante (pelo contrário), o Firefox é muito menos vulnerável do que o Internet Explorer. Até agora, nenhuma vulnerabilidade grave foi descoberta no programa. Para quem usa Internet banking e sites de compra online, é uma diferença e tanto.

    Contras

    1. Apesar de leve, o Firefox consome tanta memória RAM quanto seu concorrente da Microsoft. Claro que isso depende de quantas janelas e dos recursos sendo acessados (animações em Flash, por exemplo), mas a impressão geral é que o navegador da Mozilla não poupa recursos do usuário como aparenta.

    2. Apesar de leve, o Firefox não vem com plugins (acessórios) fundamentais -caso do Java Virtual Machine (usado em aplicações de Internet banking, por exemplo), Flash Player (animações), QuickTime (vídeos online) e Shockwave (animações e jogos). Apesar de prometer instalação automática desses plugins, o fato é que foi necessário instalar quase tudo "no braço", algo que raramente o usuário comum gosta de fazer, claro.

    Janela do Bradesco Internet Banking com problemas de leitura e sem o plugin para Java


    3. Mesmo sem medições precisas, foi possível verificar que o Firefox é sensivelmente mais lento do que o IE para carregar páginas, imagens e animações. Para internautas com mais experiência, o modo como ele carrega as páginas lembra o IE 3.0, que não deixou saudades. Além disso, páginas com anúncios em Flash, vários frames (janelas dentro do site) ou menus em código DHTML (HTML dinâmico) às vezes ficam bagunçadas no Firefox.

    4. O navegador não se integra bem com o Outlook nem com o Outlook Express. (por outro lado, isso é uma boa, porque muitos vírus se aproveitam dessa facilidade que o IE oferece). Ele também demora para responder a links clicados em outras janelas -como as de mensageiros instantâneos.

    5. Alguns sites em português não se dão bem com o Firefox. Por algum motivo, ele não reconheceu acentuação. Para resolver o problema, foi preciso clicar no menu em View-Character encoding-Auto detect-Universal.

    6. Provavelmente por estar apenas na versão 1.0, o programa contém bugs irritantes. Durante os testes, ele travou enquanto carregava um site com Java. Ao voltar, disse que o perfil padrão (Default user) estava bloqueado por "estar em uso". Foi necessário criar um novo perfil e importar tudo de novo do Internet Explorer. No dia seguinte, novo travamento e novo bloqueio de perfil. Agora foi necessário voltar ao perfil antigo, sem todas as configurações e personalizações feitas ao longo do dia. Enfim, uma chatice.

    7. O Firefox demora mais para iniciar do que o Internet Explorer. Embora não seja possível precisa essa diferença em segundos (depende do computador), ela é sensível.

    Veredito

    Para quem, por alguma razão, não gosta do Internet Explorer/Microsoft/Bill Gates, a migração para o Firefox é recomendável. Ele preenche as necessidades de navegação sem maiores problemas nem exige esforço de aprendizado. Ainda por cima, é seguro. Usuários avançados (os chamados power-users) também se acostumarão rapidamente com o programa e tendem, naturalmente, a relevar bugs não fundamentais.

    Para quem está satisfeito com o IE, a troca não compensa. O Firefox ainda pode ser considerado um programa "cru" e exige uma razoável dose de dedicação e paciência, com leituras em inglês e configurações diversas. Além disso, ele não se integra harmoniosamente com o Outlook Express, como o IE. Portanto, vale a pena esperar pelo menos até março, quando a Mozilla promete o lançamento da versão 1.1.

    Veja também:
  • Saiba como instalar e usar o navegador Firefox
  • Copie o Firefox




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