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17/01/2005 18h50

Gates, da Microsoft, quer se reunir com o presidente Lula

Por Terry Wade

SÃO PAULO (Reuters) - A Microsoft está fazendo lobby junto ao governo do Brasil para tentar fechar encontro entre o presidente do conselho da empresa, Bill Gates, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial, daqui a uma semana. A informação é do presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sérgio Amadeu.

J. Freitas/ABr - 22.ago.2004 
Sérgio Amadeu, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, na Radiobrás em 2004
O país assumiu papel de destaque no chamado movimento do software livre, esforço de promoção de sistemas operacionais gratuitos como o Linux para computadores, em alternativa aos programas da Microsoft.

"O Brasil não teria nada a ganhar com isso, mas a Microsoft ganharia muito", disse Amadeu à Reuters. "Eles querem tentar pressionar Lula para que tome a direção oposta."

Cansado de pagar custos de licenciamento para empresas como a Microsoft, o Brasil --oitava nação mais conectada no mundo-- informou que as agências de âmbito federal adotariam o Linux e os programas gratuitos que o acompanham.

Este ano, o governo tentará convencer os cidadãos privados a seguir esse exemplo. Vai subsidiar parcialmente a compra de um milhão de computadores acionados pelo Linux e equipados com 25 outros programas gratuitos, para população de menor poder aquisitivo.

Um esforço da Microsoft para marcar uma reunião entre Gates e Lula poderia representar uma mudança de estratégia quanto ao maior país da América Latina.

No ano passado, a empresa processou Amadeu depois que este declarou que a Microsoft era como um traficante de drogas que distribui amostras gratuitas para viciar os consumidores e depois começa a cobrar pelo produto. A Microsoft abandonou o processo depois que Amadeu alegou apenas repetindo o que lera em manuais de economia.

A nova tática conciliatória da Microsoft, em substituição ao confronto, reflete a crescente importância do país na elite digital. Também indica o reconhecimento de que a campanha em favor do software aberto é parte de um conjunto mais amplo de diretrizes implementadas inicialmente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula.

A revista Wired, bíblia da tecnologia, publicou em novembro extenso artigo elogiando o papel crescente do Brasil no movimento do software livre.

Ainda que quantificar o montante que o governo poderia economizar sob o programa de software gratuito seja difícil, Amadeu disse que a mudança economizaria milhões de dólares para o país nos próximos anos.

A assessoria de imprensa de Lula disse que um encontro entre o presidente e executivos da Microsoft não constava da agenda oficial do presidente durante sua participação do encontro entre líderes empresariais e econômicos a ser realizado em Davos, Suíça, entre 26 e 30 de janeiro.

Representantes da Microsoft no Brasil preferiram não comentar o assunto.








 

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