Renato Rodrigues
Editor-assistente do UOL Mundo Digital

O forte crescimento da telefonia celular no Brasil continua despertando o apetite das empresas do setor. Enquanto as já instaladas aqui reforçam os investimentos, outras desembarcam no país prometendo brigar por um mercado estimado em 30 milhões de unidades em 2005.
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| Modelo 3220, lançado pela Nokia; clique par ver álbum da Telexpo |
As fabricantes estão de olho num país em que a penetração da telefonia móvel é de apenas 55% na classe B, 25% na classe C, e 11% na D/E. Segundo relatório da Anatel, o número de celulares no país aumentou 53% entre janeiro de 2004 e janeiro deste ano -de 43,5 milhões para 66,6 milhões. A expectativa é que o crescimento neste ano também seja alto, mas menor do que o do ano passado. De acordo com previsões da consultoria IDC, o Brasil pode chegar a 110 milhões de telefones móveis em 2009.
Este potencial parece justificar a confiança de nomes como Nokia, Samsung, LG e Siemens durante a Telexpo, feira de telecomunicações que reuniu mais de 400 expositores em São Paulo durante esta semana. Ano a ano, a Telexpo tem servido como vitrine das novidades que os fabricantes irão colocar nas prateleiras nacionais nos meses seguintes. E em 2005 não foi diferente. Ao todo, mais de 40 modelos, com todas as tecnologias e preços possíveis, foram apresentados nos cinco dias da feira. Nos próximos meses, as empresas prometem ainda mais lançamentos -uma prova da dinâmica e do bom momento do setor no país.
A líder mundial em celulares, Nokia, lançou mais de dez modelos CDMA e GSM na Telexpo. A empresa, que faturou US$ 1,73 bilhão no país no ano passado (crescimento de 57,6% sobre 2003), tem no Brasil seu sexto maior mercado. A marca finlandesa investiu US$ 80 milhões aqui em 2004. A projeção para 2005 é aumentar a participação das exportações no faturamento.
Sua principal concorrente no país, a Motorola, anunciou investimentos de US$ 5 milhões nos próximos dois anos somente em dois laboratórios mundiais de aplicações e equipamentos para telecomunicações.
Disposta a entrar na disputa pela liderança, a alemã Siemens disse que irá investir R$ 230 milhões no país em 2005, gerando 500 empregos -entre diretos e indiretos. Desse valor, 20% irão para ampliar a capacidade das fábricas em Curitiba e Manaus, e o restante, para pesquisa e desenvolvimento. Segundo Aluizio Byrro, vice-presidente da Siemens Brasil e Mercosul, a meta da empresa é ser a primeira em telecomunicações até 2007.
A coreana LG Eletronics afirmou que o Brasil foi eleito um dos seis mercados "prioritários" para a empresa em 2005. A empresa irá investir no país mais de US$ 58 milhões neste ano, dos quais US$ 40 milhões na ampliação da capacidade da fábrica em Taubaté (SP). A meta é elevar a produção para 6,5 milhões de aparelhos por ano -20% deverão ser exportados. Segundo a empresa, os investimentos irão criar cerca de 500 novos empregos diretos e 450 indiretos. Em 2004, a empresa faturou US$ 830 milhões no país.
A Gradiente, única nacional presente na briga, anunciou que irá aplicar US$ 5 milhões para iniciar a produção de celulares com o padrão CDMA em sua fábrica em Manaus. Até agora, ela só produzia modelos GSM.
Até o final deste ano, a empresa aposta na oferta de celulares "populares" e de preço médio para abocanhar 5% do mercado CDMA e 18% do GSM -ou o equivalente a 15% do mercado total no país.
A Sony Ericsson lançou quatro modelos, para diferentes públicos. Um deles, o W800, promete ser um dos mais modernos no país -ele toca MP3 com alta qualidade e tem memória interna de 512 MB, o suficiente para 12 CDs. Segundo a empresa, a América Latina é a segundo mercado de maior crescimento no mundo -atrás apenas da Ásia.
Mesmo empresas não conhecidas pela atuação em celulares mostraram seu interesse no setor. A Panasonic lançou três modelos -um deles, o A102, é o menor do mercado-, e disse que vai triplicar os investimentos em marketing para 2005, para R$ 30 milhões.
Já a inglesa Sendo, que estava no país por meio de um acordo com a brasileira Venko, desembarca em 2005 de mala e cuia. A empresa lançou cinco modelos na Telexpo, e disse que espera ganhar 10% do mercado GSM nos próximos 15 meses. Somente neste ano, a Sendo quer vender 1,5 milhões de celulares no Brasil.