
17/01/2003 21h37

Anatel prevê novos modelos para acessar a Internet

Da Redação Em São Paulo

Os internautas brasileiros terão planos de tarifas alternativos quando entrar em vigor o novo modelo para o acesso à Web, atualmente em estudo pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Agência espera que as operadoras de telefonia ofereçam planos de uso da Internet que variem conforme o perfil de uso do assinante. Atualmente, as operadoras não distinguem o uso do telefone para voz ou para dados, pois o modelo de tarifas cobra por pulso ou minuto. Com isso, as empresas dão ao tráfego de Internet o mesmo tratamento dado à voz. "O custo de telecomunicações impede o avanço da Internet", afirmou Edmundo Matarazzo, superintendente de Universalização da Anatel, durante audiência pública realizada nesta sexta-feira (17) em São Paulo para discutir as novas regras de acesso à Web. A Anatel acredita que a criação de planos tarifários alternativos para o acesso à rede reduzirá o custo do serviço e irá, dessa forma, permitir que um maior número de pessoas usem a Internet. Hoje, o usuário que usa o acesso discado (mais de 90% dos internautas) é obrigado a conectar-se à Internet por meio da operadora que atende sua residência. A idéia da Anatel é que, com as novas regras, seja possível optar qual empresa proporcionará o acesso, já que elas concorrerão entre si. Pelo novo modelo em discussão, cada tele será obrigada a fornecer um código não-geográfico (0700) ao provedor. Com esse número, o internauta poderá decidir, com base no plano de tarifas oferecido, se acessa seu provedor pelo código da Telemar ou da Telefônica, por exemplo. Segundo Matarazzo, essa liberdade de escolha fará com que as teles ofereçam planos de acesso à Internet com tarifas mais baixas, para que o usuário use a rede da empresa quando for navegar. Para Matarazzo, esses planos alternativos irão provocar o desaparecimento da atual diferença entre chamadas locais e de longa distância no acesso à Web. Hoje, se um internauta liga para um provedor que não tem número na mesma cidade, ele paga a tarifa de longa distância. Segundo números da agência, dos 5.500 municípios brasileiros, apenas cerca de 350 têm provedores locais. Com o fim do interurbano para o acesso, a Anatel espera que haja crescimento do número de internautas e no tempo que ele passa online. Também está previsto um acesso especial para serviços de transmissão de dados (1700 mais o número do fornecedor) que permitirá ao cliente fazer o acesso de qualquer linha telefônica, sem precisar de um ponto específico do provedor. O foco deste sistema são as empresas que fazem uso intensivo de pacotes de dados, como as administradoras de cartão de crédito e os bancos.
Entenda os modelos
Código não-geográfico 0700 (mais sete dígitos do provedor): seria equivalente ao sistema atual, mas sem a receita de interconexão. Esse código 0700 será provido nas áreas de concessão das provedoras. Quem estiver em São Paulo ligará para o UOL, por exemplo, pelo número 0700 mais os sete dígitos que serão a numeração do UOL. Desta forma, iniciará e terminará a conexão na rede da operadora local, sem gerar interconexão.
Código não-geográfico 07xx (mais sete dígitos do provedor): cada operadora terá de oferecer pelo menos um plano básico com tarifa única. Neste modelo, o usuário definirá qual operadora quer usar (como nas chamadas de longa distância da telefonia normal). Pede norma complementar para estabelecer a remuneração das operadoras pela interconexão.
Por esse plano, alguém que esteja em Manaus e queira usar o plano oferecido pela Telefônica, por exemplo, terá que discar 0715 mais os sete dígitos do provedor. Mas vai pagar a tarifa única para a ligação de longa distância entre Manaus e São Paulo, via Embratel ou Telemar.
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