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31/01/2003 13h28

Internet gratuita fracassa nos EUA e no Canadá

Da Redação
Em São Paulo

A alta do mercado de Internet, entre 1998 e 2000, criou uma nova forma de negócio nos EUA e no Canadá que desabou tão rápido quanto nasceu: o provimento de acesso gratuito. O modelo adotado -a sustentação do negócio por meio da venda de publicidade online- provou ser equivocado quando as empresas da nova economia passaram a ser vistas como um mico financeiro.

A receita publicitária caiu, e a maioria dos provedores gratuitos foi obrigada a rever sua estratégia de negócios para permanecer no jogo. Quem insistiu na mesma linha perdeu dinheiro e acabou fechando (o mesmo aconteceu no Brasil).

Segundo dados do ano passado do Epinions.com, dos 343 provedores americanos gratuitos, pelo menos 316 fecharam as portas por dificuldades financeiras num intervalo de dois anos. Os 27 restantes mudaram os rumos de seu negócio, optando por oferecer acesso gratuito por um período pré-determinado.

Findo o tira-gosto, o internauta que gostou do que viu paga uma mensalidade em torno de US$ 10 -que pode chegar a até US$ 40 se ele quiser usar todos os serviços de valor agregado oferecido pela empresa: mais espaço na caixa-postal, e-mails adicionais, álbum de fotos online, hospedagem de site, espaço no servidor, registro de domínios.

A esses 27 provedores semi-gratuitos somam-se centenas de "discount ISPs". São provedores de acesso que oferecem o básico por um preço menor do que o serviço completo. E como eles ganham dinheiro? Com a venda de publicidade online e dos serviços de valor agregado.

De meados de 2002, quando saiu o levantamento do Epinions, para cá, os 27 provedores gratuitos que ainda se mantiveram de pé foram reduzidos a 14. Ou fecharam ou se uniram. O United Online, por exemplo, surgiu de uma fusão entre Juno, NetZero e BlueLight, os três provedores gratuitos mais populares dos EUA. Eles nasceram como provedores de acesso gratuito, viraram provedores de acesso e serviço de valor agregado e quase faliram. O United Online ainda está no jogo, com 2,9 milhões de assinantes.

O fracasso da Internet gratuita nos Estados Unidos se deve não apenas ao estouro da bolha da nova economia e à queda de publicidade online. O modelo de telecomunicações do país não ajuda em nada. Lá, não importa o tempo que demora uma ligação local, o usuário paga apenas um pulso.

Ao contrário do que ocorre na Argentina, não é negócio para as teles americanas remunerar provedores gratuitos. Elas não ganham dinheiro com o aumento do tráfego local, por isso, cobram dos provedores o uso da sua infra-estrutura de rede e as portas de comunicação. Para os gratuitos, esse esquema ajudou a enterrar o negócio.

No Canadá não há provimento de acesso gratuito. Depois da malfadada aventura do setor, não sobrou nenhuma empresa que continuasse a prover acesso livre contando com o dinheiro da publicidade. A United Online tem um braço da Juno no Canadá, e os próprios provedores pagos têm de concorrer com as operadoras de telefonia canadense, que podem legalmente oferecer acesso dial-up e banda larga aos seus assinantes.

Veja abaixo alguns provedores gratuitos que não deram certo nos EUA e no Canadá:

1 Nation Online (1NOL)
Oferecia acesso gratuito à Internet sem banners, mas fechou em 2000. Hoje, o domínio 1nol remete a uma página com sites de saúde.

1stUp
Empresa de acesso gratuito que fornecia o serviço e a infra-estrutura de telecomunicações para mais de cem ISPs (Internet Service Providers), incluindo AltaVista, Lycos, MyPoints e Excite. Por decisão de seu controlador, o Grupo CMGI, fechou em dezembro de 2000, após seguidos prejuízos e levando seus parceiros a colocar um ponto final no provimento de acesso.

3Web
Oferecia acesso livre à Internet no Canadá, mas, em julho de 2001, abandonou o modelo e passou a cobrar pelo serviço.

Bluelight
O provedor gratuito parou de aceitar novos usuários em março de 2001. Cinco meses depois, passou a oferecer somente acesso pago. Acabou sendo comprado pela United Online.

FreeInternet (FreeI.net)
Fechou as portas em 2000. Os usuários cadastrados foram transferidos para o provedor gratuito NetZero, que mais tarde uniu-se ao Juno.

Freelane (Excite)
Depois do fechamento da 1stUp, tentou continuar no ramo de provimento gratuito por alguns meses, até que, em março de 2001, encerrou suas atividades.

FreeWWWeb
Oferecia acesso gratuito esperando obter receita somente com a venda de banners. Fechou em 2000 com a anuência dos usuários, que reclamavam da lentidão do serviço e das constantes quedas de conexão. Os cadastrados foram transferidos para o Juno, que se fundiu mais tarde com o NetZero.

Funcow
Provia acesso gratuito no Canadá. Encerrou as operações em maio de 2001.

iFreedom
Fechou em 2000 e seus usuários foram transferidos para o NetZero.

InFree/OnFree
Costumava oferecer acesso gratuito sem banners. Mudou para o serviço pago e meses depois acabou fechando, dando um "calote" nos assinantes que pagaram um ano todo de assinatura do serviço.

NetZero
Começou a oferecer acesso gratuito em 1998. Um ano depois, suas ações passaram a ser negociadas na Nasdaq. Em 2000, já em dificuldades financeiras, recebeu investimentos da Qualcomm e passou a oferecer também acesso pago em março de 2001. Três meses depois, anunciou fusão com outro provedor gratuito, o Juno, que também adotou um modelo pago.

Juno Online
Começou em 1995 oferecendo serviços básicos. Três anos depois, lançou o serviço de acesso pago e migrou em seguida para o provimento gratuito. Em 2000, passando por situação financeira difícil, após queda na receita de venda de publicidade, fundiu-se com a NetZero, criando a United Online, de acesso pago a serviços de valor agregado, mas com acesso gratuito.

Start Free
Esse provedor gratuito durou menos de dois anos. Não obteve receita necessária para se manter no ar e fechou.

WorldShare
Oferecia acesso gratuito sem receita publicitária. Tentou mudar para modelo com banners, mas acabou desistindo da idéia e do acesso gratuito. Agora só oferece serviço pago.

WorldSpy
Oferecia acesso gratuito e não contava com a receita de banners para se manter. Acabou fechando e tendo seus usuários transferidos para o Juno.

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