Até março de 2006, a Daslu, templo da moda de luxo em São Paulo, fará um novo processo de "reestrutura" em seus quadros funcionais. "Esse corte pode chegar a 10%. A loja nega", comentou o colunista Ricardo Feltrin no programa Ooops! desta quinta-feira.
Será o segundo corte desde a megablitz que a loja sofreu de uma força-tarefa federal em julho deste ano, em notícia divulgada em primeira mão pela
Folha Online. A loja é investigada sob suspeita de ter montado um amplo esquema de sonegação fiscal nas importações, entre outras irregularidades.
No último dia 8, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia à Justiça contra Eliana Tranchesi, dona da butique, e mais seis pessoas. Eles são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, descaminho aéreo consumado --importação de produtos lícitos feita de maneira irregular--, descaminho aéreo tentado e falsidade ideológica.
O último corte da Daslu ocorreu na última semana de setembro, mas a loja se recusou a fornecer o número de demitidos. A estimativa não confirmada é de que 150 pessoas perderam então seus empregos. A loja considerou o número "absurdo".
Localizada na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, a Daslu tem hoje cerca de 800 funcionários.
Câmara recebe denúncia contra RussomanoFeltrin contou ainda que a Corregedoria da Câmara dos Deputados recebeu nesta semana uma denúncia formal contra o deputado deferal Celso Russomano (PP-SP), que usou funcionárias comissionadas (secretárias parlamentares) em tarefas indevidas, como a produção de um quadro exibido esporadicamente por ele no programa "Bom Dia Mulher", da Rede TV.
A denúncia foi feita por Fernando Sergio Leão Castilho, morador em São Paulo, e foi protocolada sob o número 894F98117, no último dia 19. A Câmara ainda não se manifestou oficialmente. A denúncia é por peculato.
O regimento da Câmara proíbe o uso de funcionários em atividades privadas dos deputados. Duas secretárias de Russomano e estrutura do gabinete em São Paulo (bancado com verba pública) eram usadas na elaboração do quadro. Ooops! gravou todo o atendimento feito por telefone e a orientação dada pelas funcionários de Russomano. A informação foi divulgada no programa exibido no último dia 12 de dezembro, no UOL News (
veja mais).
O deputado confirmou que as secretárias de fato "ajudavam" no atendimento, mas negou irregularidade. Disse que o quadro --de reclamações de consumidores sobre produtos e serviços-- é uma prestação de serviços ao consumidor e que é "um dos poucos deputados, senão o único que não usa toda a verba de gabinete".
"Devolvo dinheiro à Câmara todo mês", disse Russomano.
É a segunda vez que Russomano é acusado de peculato. Em 1997, ele também foi denunciado por nomear uma secretária parlamentar e utilizá-la como gerente na empresa Night and Day Promoções, de sua propriedade.
Russomano recorreu. O caso não teve conclusão até hoje.