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07/08/2008 - 11h56

Novelas da Record atravessam "inferno astral"

Ricardo Feltrin
Colunista do UOL
Se julho representou o "inferno astral" da Record em termos de ibope --a propósito, é o mês em que a Igreja Universal nasceu, 09/07/77--, agosto também não está sendo lááá essas coisas para a emissora. A seqüência de meses em crescimento no horário entre 7h e 0h parou; e pior: houve queda significativa na faixa mais importante, o famoso horário nobre.

Dados de audiência obtidos por Ooops! apontam que as novelas da Record estão perdendo audiência significativa nos últimos 30 dias.

Em 8 de julho, por exemplo, quando estreou, a novela "Chamas da Vida" registrou média de 17 pontos no ibope. "Pantanal" deixava então o SBT com média de 14 pontos. No máximo.



Um mês depois, "Pantanal" vem dando médias de até 16 pontos, enquanto "Chamas" caiu para 13, quando muito 14.

Ao mesmo tempo, julho/agosto tem sido a melhor fase de "A Favorita", da Globo. Dos capengas 35 de média em junho, já beira hoje os 38. E com tendência de subida.

Mutantes & Pokémons

Já a história de "Os Mutantes" parece ter chegado --sem trocadilho-- a uma encruzilhada: se a aposta do autor Tiago Santiago era que novos personagens esquisitos trariam mais interesse e ibope, o resultado foi o oposto: entre 8 e 12 de julho a novela registrava médias de 17 pontos. Até o último dia 2, caiu para 13. Esta semana, no máximo deu 14.

A queda não é novidade na área de entretenimento. No final da década de 90, a própria Record já sentiu na pele que o excesso de personagens em qualquer produção nunca dá bom resultado.

Um exemplo na animação é o desenho "Pokémon". Em seus três primeiros anos, a série trazia cerca de 150 simpáticos monstrinhos, mas apenas 20 eram protagonistas. eram os mais carismáticos. Nessa época, o programa infantil de "Eliana" Dedinhos chegava a dar 14 pontos de média durante a exibição de "Pokémon" --um verdadeiro portento para a época.

Acontece que o autor dessa febre mundial, Satoshi Tajiri, 43 anos, ouviu o canto das sereias gananciosas das corporações e cometeu seu maior erro: ampliou o nº de monstrinhos para 450. Ora, excesso de oferta não baixa só o preço dos produtos. Reduz também o interesse em programas. O desenho definhou no ibope. A molecada perdeu o interesse. A febre acabou. Curiosamente, a maioria do público de "Os Mutantes" hoje é parecida com a de "Pokémon" na década passada.

Outro exemplo de mau desempenho em dramaturgia com "excesso de elenco" ocorreu em 2007 com a minissérie "Amazônia", de Glória Perez, na Globo. E detalhe: era uma minissérie, e não a continuação de uma já longa novela.









Outro lado

Sobre a notícia do "inferno astral" dramatúrgico, a Record responde com a seguinte nota:

"Está faltando a fonte da informação, mas os resultados divulgados são da Grande São Paulo. As médias de audiência estão todas corretas. Há pequenas divergências nos índices de share, que pode estar relacionado a escolha do total de ligados utilizado para gerar a informação. Mas isso não interfere nos resultados de audiência. As diferenças em share estão relacionadas abaixo. Utilizamos o total de ligados que considera todas as emissoras - abertas e UHF.

É interessante incluir a média domiciliar das novelas no período de 04 a 06/08/08:

* Pantanal - 13,8% de ia e 20,7% de sh

* Chamas da Vida - 13,7% de ia e 20,4% de sh

* Os Mutantes - 14% de ia e 19,7% de sh

Mesmo com os dados passados pelo SBT, no horário de exibição de PANTANAL, a RECORD ainda é 2° lugar isolado. Central Record de Comunicação"

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