Pior crime de Flora baixa ibope da novela "A Favorita"
Ricardo Feltrin Colunista do UOL
O mais nauseabundo crime da vilã Flora, de "A Favorita", não só não deu o esperado ápice de audiência da novela, como derrubou em dois pontos a média de ibope na última sexta-feira, em relação ao mesmo dia na semana anterior: de 44 pontos, a novela caiu para 42 pontos. Foi o dia em que Flora matou Gonçalo.
Há uma hipótese para tal tropeço em curso na Globo. Para alguns, a vilania do crime, sua pusilanimidade, o nível asqueroso de maldade, itens construídos brilhantemente pela atriz Patrícia Pillar, foram tais que as pessoas simplesmente tiraram do canal no momento da morte de Gonçalo, espetacularmente interpretada pelo ator Mauro Mendonça.
Durante meses Flora manipulou os medicamentos do cardíaco Gonçalo. Quando foi desmascarada por ele, armou um cenário de barbárie que induziu o ricaço Gonçalo a pensar que sua família fora morta pela louca Flora do inferno. Ele sofre então um infarto e morre lentamente, sob os olhos da diaba.
Desde sexta-feira, minutos após o capítulo, "chovem" e-mails de protesto na Globo: tanto contra o desfecho da vida do infeliz Gonçalo (fenômeno comum em novelas, já que o telespectador nunca quer que seu personagem preferido morra), como pela imensa maldade contida no roteiro e no cenário sanguinolento (esse, fenômeno absolutamente incomum, já que o público não trata do enredo, mas da estética que lhe foi apresentada). Mas pode ser considerada uma cena leve, se comparada a alguns takes de "CSI", por exemplo.
O mais alto ibope de "A Favorita" desde a estréia foi o reencontro entre Halley (Cauã Reymond) e Donatela (Claudia Raia), dez dias atrás, que rendeu 47 pontos de média ao capítulo.
Sucesso no Faustão
Se a barbárie não trouxe bons frutos ao ibope da novela de João Emanuel Carneiro, turbinou a de Fausto Silva no "Domingão" de ontem. Enquanto Patrícia Pillar esteve no palco com o apresentador, a Globo liderou absoluta, muita vezes registrando até 10 pontos a mais no ibope que a segunda e terceira colocadas (Record e SBT). Dados não consolidados apontam que a presença da atriz rendeu entre 17 e 20 pontos de média.
Aos 83, Inezita Barroso lidera ibope da TV Cultura
Ignez Magdalena Aranha de Lima é a líder inconteste de ibope na TV Cultura, que fecha 2008 à frente do programa mais assistido da emissora, com médias entre 3 e 4 pontos, e picos de 6. A liderança ocorre nas duas vezes em que o "Viola, Minha Viola", é exibido: tanto pela manhã do domingo, como na reprise em horário nobre.
Ignez Magdalena é mais conhecida como Inezita Barroso e está na carreira artística há nada menos que 55 anos. Multi-instrumentista*, cantora, apresentadora, pesquisada e também bibliotecária, Inezita lidera a audiência e enfrenta ótimas atrações para o público infantil, como "Pingu", "Pinky Dinky", "Arthur" e "Cyberchase". Aliás, Inezita ainda obtém a façanha de ter também público infantil.
Gravou mais de 80 discos, e também é uma das artistas que mais atrai patrocínio para a Cultura.
(*) Com a nova ortografia, a partir de janeiro, "multi-instrumentista" vai ser escrita assim; é a coluna Ooops! se preparando para as novas regras lingüísticas (**)
(**) linguística também vai perder esse treminha...
Quem é Legal
"Capitu"
Se a Globo faz dramaturgia popular, a criticaiada desce o sarrafo. Se mostra arte-cabeça, soltam-lhe os cachorros. Se mescla estilos, sentam-lhe a piaba na moleira. Dito isso, acreditamos que é absolutamente relevante e valioso para a TV brasileira aberta ter uma produção como "Capitu", de Luiz Fernando Carvalho. Nem é questão estééética, ou de liriiiismo, palavras que grassam nos suplementos e sites de TV. É pela produção em si, pela cultura inerente, pelo valor e importância intrínsecos que uma obra de Machado de Assis carrega ao ser adaptada para o horário nobre e popular da TV brasileiras
E, não se esqueçam, "adaptada" também para DVDs, blu-ray, internet etc).
Quem é Legal também
Filme "Entre Lençóis", com Reynaldo Giannechini e Paola Oliveira
Hoje a coluna decide confrontar o status quo criticus e cede um elogio ao filme "Entre Lençóis", com Reynaldo Giannechini e Paola Oliveira. É de pasmar a quantidade de pauladas e pedradas que o filme recebe (e recebeu mesmo antes da estréia). Tem que bater, afinal, tem o Giannechini, devem pensar.
De fato, o filme é fraco. Tem um roteiro 'pobrinho', o texto está repleto de lugares-comuns (embora com algumas tiradas divertidas) e há o problema do cenário minúsculo: um quarto de um motel. Ora, diante disso cabem aqui elogios aos dois atores, que vão muito bem diante de uma situação tão incomum e difícil. Não dão espetáculo de atuação, não. Longe disso. Se há algum deleite no filme é o nível de definição corpórea do casal.
Mas, aqui entre nós, leitores de Ooops! eu aposto: se fossem dois atores, um francês e uma sueca, e o filme fosse uma obra do último diretor belga na moda, certamente vocês veriam estrelinhas e mais estrelinhas na crítica especializada.