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Recife não é uma cidade de coronéis políticos, é do povo

Especial para o UOL

29/09/2016 06h00

O Brasil vive um momento político extremamente delicado. Passados 31 anos da redemocratização do país, quem poderia imaginar que hoje estaríamos lutando pela democracia e pelo cumprimento das regras democráticas e constitucionais? Quem poderia supor, há poucos anos, um golpe parlamentar em pleno século 21? Mas aconteceu.

O resultado das urnas da eleição presidencial foi jogado no lixo, a presidenta Dilma teve seu mandato subtraído sem motivos e o ex-presidente Lula sofre uma caçada implacável  –a partir uma peça jurídica carente de  provas, ditadas por “convicções” ideológicas e políticas de um procurador. O fascismo avança sobre as conquistas conseguidas na última década e parte da imprensa alia-se a fanáticos de direita.

Neste cenário de incertezas ocorrerão as eleições municipais. As mesmas forças que atuam no golpe também querem influir no resultado eleitoral, criando factoides e incitando a população ao ódio. Há um claro interesse em criminalizar o PT e a esquerda em geral, em destruir direitos dos trabalhadores, em eliminar programas sociais e em privatizar as riquezas do país. 

Mesmo assim, sigo firme na luta. Como candidato a prefeito do Recife, acredito que a cidade que já governei por duas vezes saberá reconhecer o nosso projeto político em defesa da liberdade e dos mais pobres. Não por acaso, nossa aliança se chama “Recife pela Democracia”. Democracia no país e em nossa cidade, hoje abandonada e desassistida. 

Saí da prefeitura, em 2008, com 88% de aprovação. Ainda hoje as pessoas recordam dos avanços que a cidade assistiu em nossas gestões: a inversão do trânsito em Boa Viagem, o saneamento dos bairros da Mangueira e da Mustardinha, a abertura de vias, a paralela da Caxangá, a Via Mangue, a contratação de 2.650 professores, o investimento na formação dos educadores, a multiplicação das equipes de agentes da família, o Carnaval Multicultural do Recife, entre tantas outras ações e obras.

Hoje, no entanto, alguns ganhos obtidos em minha gestão foram perdidos. Um bom exemplo são as palafitas. Retiramos quase duas mil famílias pessoas dessas habitações indignas e as transferimos para conjuntos habitacionais. Agora, as palafitas estão de volta. Na saúde, o abandono atual facilitou o aparecimento de doenças que estavam erradicadas ou eram desconhecidas.  

Estamos em uma disputa eleitoral em um contexto político desigual. Além de enfrentar um governo nacional ilegítimo, estamos diante de duas outras poderosas máquinas –as dos governos municipal e estadual. Mas há uma vigorosa resposta das ruas, um sentimento de mudança que só vi em minha primeira eleição, no ano 2000, quando também encaramos as forças políticas aliadas que detinham a prefeitura do Recife e o governo do Estado. E ganhamos. 

Tenho certeza de que na reta final da campanha vão surgir os ataques mais pesados. A velha prática política de quem toma o poder, ou de quem assume o poder, com a ideia de que é algo pessoal e intransferível. Saberemos enfrentar as agressões. Não revidaremos com agressões. E sim com propostas construídas coletivamente por meio das Cirandas da Cidade, que reuniram segmentos sociais num amplo debate para a elaboração do nosso programa de governo. É assim que estaremos respaldados para conduzir o Recife. Esta é uma cidade historicamente revolucionária. Não é uma cidade de coronéis políticos, falsamente modernos, nem é uma capitania de famílias. O Recife é do seu povo.

N.R.: O UOL convidou para escrever artigos os candidatos à Prefeitura do Recife mais bem posicionados na pesquisa Ibope divulgada em 26 de setembro: Geraldo Julio (PSB), João Paulo (PT) e Daniel Coelho (PSDB)

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