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Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians





Um gigante guerreiro em Minas

O Atlético Mineiro já nasceu, no início do século 20, como uma das grandes forças do seu Estado. E as décadas de 30 e 40 fizeram do Galo uma verdadeira potência no futebol mineiro e brasileiro. O torcedor atleticano pode se orgulhar de seu time ter sido o primeiro campeão de um torneio de campeões estaduais.

O passo seguinte foi natural, e o Atlético espalhou seu nome pelos campos da Europa, quando venceu um disputadíssimo torneio de inverno. Esse foi o Atlético que o apaixonado torcedor alvinegro se acostumou a ver.

Sua força diminuiu nos anos 60, diante do Cruzeiro de Tostão. Mas aumentou novamente, até que novos craques se transformaram em ídolos. Entre eles, está o inesquecível Reinaldo, um dos
maiores artilheiros que o Brasil já viu.

A rivalidade com o Cruzeiro e os embates com as outras grandes equipes brasileiras sempre aumentaram a força do Atlético. Mesmo nas finais de Campeonato Brasileiro em que saiu derrotado, foi um incansável guerreiro. Provou com isso que sua garra estará sempre presente em grandes decisões.



1908 - 1913 — Surge o maior das Gerais
1914 - 1920 — Primeiras glórias
1921 - 1927 — Fim do jejum
1928 - 1934 — Um gigante de concreto
1935 - 1942 — O melhor entre os melhores
1943 - 1950 — De Minas para o Mundo
1951 - 1960 — Dono do Terreiro
1961 - 1969 — Fora de campo
1970 - 1976 — Galo do Brasil
1977 - 1983 — Fase de Ouro
1984 - 1990 — Nova Era
1991 - 1997 — Período do "quase"
1998 - 2000 — Na final, de novo



1908 - 1913 — Surge o maior das Gerais

Belo Horizonte era uma cidade recém-nascida quando um grupo de estudantes se encontrava no Parque Municipal, na avenida Afonso Pena, para jogar suas costumeiras peladas. A bola, feita com meia, dava a exata noção da jovialidade da turma. Mesmo assim, os jogos eram tratados com tamanha seriedade que o número de peladeiros ia aumentando com o tempo. A importância da bola para aqueles estudantes culminou na idéia, cada dia mais real, de fundar um clube de futebol. Assim foi que, numa quarta-feira, no dia 25 de março de 1908, os estudantes mataram aula para se encontrar no campo de peladas, no Parque Municipal, onde fundaram o Atlético Mineiro Futebol Clube.

Como bons peladeiros que eram, os fundadores do Atlético também foram os primeiros jogadores do clube. O campo, improvisado, foi feito sobre um terreno irregular, no alto de um morro, onde a bola rolava muitas vezes barranco abaixo. A primeira redondinha, aliás, foi comprada já gasta, de segunda-mão. O primeiro jogo, contra o Sport Club Futebol, não poderia ter sido melhor: 3 x 0 para o Atlético. O resultado animou ainda mais a diretoria a lutar por material esportivo e um campo em melhores condições. A primeira derrota, no entanto, não demoraria a acontecer. O Grambery, de Juiz de Fora, jogou água na iniciante fervura atleticana. Fez 5 x 1 e, mais tarde, numa revanche, ratificou a superioridade com outros 3 x 1. A torcida do Atlético, que crescia, já fazia juz à fama de aguerrida. Pouco tempo depois de perder para o Grambery, o Atlético enfiou 7 x 0 no adversário. Foi o bastante para os torcedores criarem a máxima de "vingador", que mais tarde iria constar do hino do clube. Com o crescimento nos quatro primeiros anos de vida, em uma assembléia geral, o nome do clube foi mudado de Atlético Mineiro Futebol Clube para Clube Atlético Mineiro.




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1914 - 1920 — Primeiras glórias

Em 1914, o futebol passou a atrair a atenção da população belorizontina. Os jogos eram vistos por um número cada vez maior de público. Foi quando a Liga Mineira de Esportes organizou o Troféu Bueno Brandão, considerado o primeiro Campeonato Mineiro, vencido pelo Atlético, que beliscava assim o seu primeiro título. O time disputou sete partidas: venceu cinco, empatou uma e perdeu outra. A trajetória de títulos, no entanto, teve que aguardar a impressionante hegemonia do América, decacampeão mineiro. O jejum de conquistas foi o maior da história atleticana.

Em 1920, a Liga mineira exigiu que todos os clubes associados fossem registrados como pessoas jurídicas até o dia 31 de dezembro, sob a pena de serem excluídos da Primeira Divisão. Apenas Atlético, América e Yale cumpriram a determinação. Os clubes restantes tinham sido registrados após o prazo. O problema estava criado: afinal como o campeonato poderia acontecer com apenas três participantes? Os times que não haviam se registrado propuseram um torneio eliminatório junto com os times da Segunda Divisão para definir os participantes do campeonato de 1921. Depois de muitas assembléias e discussões, o torneio eliminatório foi acertado. Palestra, Lusitano, Guarani e Sete de Setembro foram os classificados, juntando-se a Atlético, América e Yale para disputarem o Campeonato Mineiro de 1922. Essa foi a primeira grande confusão extra-campo criada no futebol do Estado.




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1921 - 1927 — Fim do jejum

O clube ainda amargava, com muita luta e dignidade, o longo período sem títulos, combatendo a hegemonia do América. Inclusive sem trocar o técnico Chico Neto, que honrou o cargo com a paciência digna da época. Só em 1926, depois de dez anos, conquistou outra vez o título do Estado. A campanha foi tão boa que a equipe repetiu a dose no ano seguinte, faturando o primeiro Bicampeonato Mineiro. Naquele ano, o Atlético daria a maior goleada no Cruzeiro, na época ainda Palestra: 9 x 2. Foi quando apareceu o "Trio Maldito" em que fazia parte Mario de Castro, o maior artilheiro em um único certame mineiro, com a marca de 27 gols. Mário é o terceiro maior goleador da história do Atlético com 203 gols assinalados.

Em 1926, após desentendimentos com a Liga Mineira, alguns clubes abandonaram a entidade e criaram uma outra representação. Assim, Belo Horizonte contou naquele ano com duas ligas de futebol. A Associação Mineira de Esportes Terrestres (AMET) e a Liga Mineira de Desportos Terrestre (LMTD). Participavam da Liga Mineira, Atlético, América, Sete de Setembro, Guarani, Syrio Horizonte e Calafate. E pela Associação, Palestra, Minas Gerais, Avante, Fluminense, Grêmio, Olímpico, Ludopédio e Santa Cruz. Os dois campeonatos realizados pelas entidades atraíram o interesse tanto da imprensa quanto do público belorizontino que lotava os estádios. O Atlético foi o campeão da Liga Mineira, e o Palestra venceu pela Associação. Ambos os títulos foram reconhecidos pela CBD, e o campeonato mineiro de 1926 registrou, dessa forma, dois legítimos campeões. No ano seguinte, houve um entendimento entre as duas ligas, que se uniram, e um grande campeonato foi disputado.

Em 4 de setembro de 1927, o Atlético fazia o seu último jogo pelo campeonato contra o Villa Nova, em Nova Lima. A pequena cidade ficou em polvorosa, com torcedores do Villa provocando os visitantes atleticanos. O time de Belo Horizonte precisava vencer, pois um empate daria o título ao Palestra. O que nenhum torcedor imaginava, no entanto, aconteceu. Terminado o primeiro tempo, o placar marcava a vitória parcial do Villa por 4 x 1. Os atleticanos presentes ao estádio estavam atônitos. Afinal, estava em campo o trio maldito, que não havia funcionado em nenhum momento. Os torcedores do Villa passaram, então, a fazer troça do grande Mário de Castro, que, no vestiário ouvia as gozações. De volta ao gramado, o atacante alvinegro mostrou porque era conhecido como "o grande" e passou a jogar com a raiva de um gênio. Não foi preciso mais que 15 minutos para Mário de Castro fazer um, dois, três, quatro gols seguidos e colocar o Atlético em vantagem no marcador: 5 x 4 foi o resultado final da partida, para alegria e festa dos incrédulos atleticanos, que alçaram o goleador à categoria de imortal do clube. Aos cruzeirenses e villanovenses restou o choro e o reconhecimento que do outro lado havia um herói.




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1928 - 1934 — Um gigante de concreto

Um estádio próprio sempre foi o sonho de qualquer clube de futebol. Com o Atlético não foi diferente. Os planos da construção rodaram pelas gavetas do clube durante anos até que, com muito trabalho, começou a virar realidade. Em 1928, na gestão de Leandro Castilho de Moura, foram iniciadas as obras com a providencial ajuda do Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente do Estado. Pouco depois de um ano, no dia 30 de maio de 1929, o estádio Presidente Antônio Carlos era inaugurado no bairro de Lourdes, com capacidade para 5.000 pessoas. O apelido "gigante", como o estádio passou a ser chamado, fazia sentido. Afinal, a cidade tinha pouco mais de 40.000 habitantes. No dia da inauguração, totalmente lotado e com a presença das mais altas autoridades, inclusive o presidente Antônio Carlos, foi rezada uma missa campal e realizado um grande jogo, contra o Sport Clube Corinthians, campeão de São Paulo.

O Corinthians estava em ótima fase, era a melhor equipe brasileira da época e a sensação do momento. O Atlético vinha de um bicampeonato mineiro e também estava muito bem. A partida tinha que ser mesmo como foi, um jogão. Nos primeiros minutos, o Atlético esteve nervoso. Não se encontrava em campo. Assim ficou fácil para o time paulista abrir o marcador, com um gol de Valeriano. O time mineiro foi se desinibindo e, no final do primeiro tempo, Mário de Castro empatava a partida. Logo no começo do segundo tempo, Mário marcava de novo. Exibindo um toque de bola refinado, o Atlético já envolvia totalmente o Corinthians. Logo depois, Said aumentava o marcador e, para delírio da platéia, Mário de Castro ampliou a goleada, fazendo o seu terceiro gol. O Corinthians ainda descontaria no final, mas já não havia tempo para mais nada. Quando o juíz César Nunes apitou o final da partida, parecia não ser verdade: o Atlético vencera na estréia do grande estádio, por 4 x 1, o grande time do Corinthians. O novo estádio inspirou ainda mais a equipe. Em 1931 e 1932, o Atlético iria conquistar o seu segundo bicampeonato mineiro.




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1935 - 1942 — O melhor entre os melhores

Com a vitória contra o Corinthians na inauguração do seu estádio, ficou claro que o Atlético possuía força para enfrentar qualquer equipe brasileira de igual para igual. Tanto que o período não só confirmou a força atleticana em Minas, como também no resto do país. Pela primeira vez era organizado no Brasil um campeonato de grande importância. A Federação Brasileira de Futebol convocou os campeões dos estados de Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito do Santo. Como o Atlético havia vencido o Campeonato Mineiro de 1936 com uma ótima campanha, foi o legítimo representante do futebol do Estado. Além do Atlético, participaram da competição Fluminense, Portuguesa e Rio Branco, em turno e returno. O torneio serviu também para lançar nacionalmente o atacante Guará, um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa do Atlético. E foi com Guará, Zezé Procópio e Alfredo Bernadinho, recém-comprados do Villa Nova, que o Galo venceu o campeonato, tornando-se o primeiro Campeão dos Campeões do Brasil. Em seis jogos, venceu quatro, empatou um e perdeu outro. Depois de se colocar como o melhor entre os melhores, o Atlético sobrou em 1938, quando se tornou campeão mineiro invicto, conquistando novo bicampeonato no ano seguinte. A fase era das melhores. Em 1941, faturou o título mineiro para fazer mais um bicampeonato em 1942 sem perder um único ponto sequer, ao disputar 11 jogos e vencer todos.




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1943 - 1950 — De Minas para o Mundo

A década de 40 serviu para confirmar a supremacia atleticana em Minas onde a rivalidade entre os clubes parecia crescer cada vez mais. O Galo venceu o Campeonato Mineiro em seis oportunidades (1941, 1942, 1946, 1947, 1949, 1950), ganhando três indiscutíveis bicampeonatos. Muitos consideram esse time da segunda metade da década de 40 o melhor Atlético de todos os tempos . Foi nesse período que a equipe foi reconhecida como um grupo que jogava para a frente, sempre a caminho do gol. A linha de atacantes era de um talento indiscutível, que realmente desconsertava qualquer defesa. Lucas Miranda, Carlaly, Nívio e Lêro, que se revezaram na artilharia do clube ano a ano, fizeram juntos 250 gols. O brilhantismo em quase dez anos consecutivos deveu-se àquele ataque arrasador e ao goleiro Kafunga, jogador que mais vestiu a camisa do Atlético em todos os tempos. Ele defendeu o clube por 19 anos e é considerado o melhor goleiro do clube em todos os tempos.

Além de alegrarem o espetáculo com jogadas geniais, os jogadores daquela época levaram o Galo ao título de Campeão do Gelo, na Europa, em 1950. Naquele ano, a Europa ainda se recuperava de um dos maiores horrores da história, a Segunda Guerra Mundial. O Brasil via Getúlio Vargas voltar à Presidência por meio do voto direto, e o Atlético começava a exibir sua força fora dos gramados brasileiros. O clube foi o primeiro do país a excursionar pelo Velho Continente. A importância do fato parou até o Campeonato Mineiro, interrompido para que o Galo fizesse a viagem. E foi nos gramados gelados da Alemanha que a equipe conquistaria o Torneio de Inverno, com uma ótima campanha contra adversários da França, Bélgica, Alemanha e Áustria. Por causa do frio, várias histórias acompanharam os jogos, uma delas falando de um gol incrível de Lucas. A excursão, apesar da conquista do título, acabou se transformando numa aventura digna de marinheiro de primeira viagem. Tudo graças ao calote que a delegação recebeu do jornalista Eld Kalteneker, que, levando a equipe à Europa, recebeu adiantado o dinheiro do torneio e de mais quatro partidas que ele havia garantido estarem acertadas: duas na Itália, contra Torino e Milan, e duas na Inglaterra, contra Liverpool e Arsenal. Depois de receber o seu dinheiro, no entanto, Kalteneker deixou a delegação em Paris e viajou alegando ter de acertar os últimos detalhes desses outros jogos. Os dias se passaram e o jornalista simplesmente desapareceu, deixando a delegação sem os jogos e, o que é pior, sem dinheiro.

Com uma enorme saudade de casa e após quase dois meses longe do Brasil, o chefe da delegação, Domingos D' Ângelo, ligou para o Brasil, pedindo auxílio ao clube para poderem voltar, pois a delegação não tinha passagens de volta. O Presidente do Atlético, José Cabral, teve de fazer um enorme esforço para conseguir levantar o dinheiro e trazer o time de volta. As passagens só puderam ser expeditas em pequenos números. Assim, por sorteio, os jogadores foram voltando ao país, até que todos se vissem de novo na cidade, de posse do troféu de "Campéão do Gelo" e com os méritos de Lucas e Vaguinho terem sido os artilheiros da competição, com seis gols cada.

Em Minas, a rivalidade entre os clubes mostrava-se cada vez mais acirrada. Entre os torcedores, as gozações eram constantes e inevitáveis, mas no dia 16 de janeiro de 1948 a provocação passou para dentro do campo. Foi no jogo Atlético 4 x 0 América. Depois de fazer o último gol do Atlético, o ponta esquerda Carlayle pegou a bola, levou-a até a marca do meio de campo e sentou-se sobre ela, para delírio dos torcedores alvinegros e desespero dos americanos. Os jogadores do América se revoltaram, e por pouco não aconteceu uma briga sem controle. O juíz, que também se irritou com a brincadeira, expulsou o atacante.




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1951 - 1960 — Dono do Terreiro

O Galo continuava a brilhar como nunca. O time não era só conhecido e respeitado em Minas Gerais. Sua fama correra mundo afora. Com a conquista do Torneio de Inverno na Alemanha, ganhou muitos convites para fazer amistosos. Todos queriam "carimbar" a faixa atleticana. A equipe, no entanto, continuou no mesmo diapasão, defendendo suas cores com raça e humildade. Foi assim que dominou a década de 50, em Minas Gerais, conquistando o seu primeiro pentacampeonato mineiro (1952, 1953, 1954, 1955 e 1956) e sendo campeã em 1958. O Galo continuava a ser o dono do terreiro.

Mas, apesar de o Galo ter-se tornado superior durante o período em Minas, conquistando o seu primeiro pentacampeonato mineiro, o time alvinegro tomou três goleadas seguidas e desconsertantes para o América. A primeira foi no dia 2 de maio de 1950, 5 x 0. A segunda teve o mesmo placar e ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1951. A terceira se deu no dia 15 de maio de 1952. Os maus resultados, segundo dizem, aconteceu graças à brincadeira que o atacante Carlayle havia feito, sentando na bola, depois de marcar o último dos quatro gols marcados no América.




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1961 - 1969 — Fora de campo

Tratando-se de títulos e conquistas, a década de 60 foi um dos períodos mais fracos do Atlético. O Cruzeiro, de Tostão e Cia, deu as cartas em Minas Gerais. Restou ao Galo o bicampeonato mineiro, em 1962 e 1963, e uma histórica vitória de 2 x 0, em 1969, contra a Seleção Brasileira - as Feras do Saldanha - que conquistaria o tricampeonato mundial no México. Fora das quatro linhas, porém, o Atlético se engrandeceu. Ao ritmo do governo do Estado que construiu o Mineirão, o Galo ergueu a Vila Olímpica Thomaz Neves. Em 1968, a diretoria decidiu construir um novo Centro de Treinamento e Lazer para os sócios do clube. Atualmente, o patrimônio, construído próximo ao bairro de Venda Nova, está orçado em três milhões de reais.

O primeiro clássico disputado no Mineirão entre Atlético x Cruzeiro, em 1965, foi marcado por um tumulto. O time Celeste vencia a partida por 1 x 0, quando os jogadores do Galo, revoltados com a arbitragem, partiram para a agressão contra o árbitro Juan de La Passion. A partida não terminou, e o "Gigante da Pampulha" conheceu sua primeira confusão dentro de campo. Mas parecia que até mesmo os deuses do futebol estavam contra o Galo nessa segunda metade dos anos sessenta, em que o Cruzeiro foi pentacampeão (1965-1969). Em 1967, o Atlético estava cinco pontos à frente do Cruzeiro, o segundo colocado. Num jogo contra o Cruzeiro, pelo segundo turno, o Atlético começou ganhando de 3 x 0 e tudo parecia mesmo virar para o Galo, quando, em apenas dez minutos, o time celeste conseguiu empatar o jogo para desespero dos atleticanos. Nas três últimas rodadas, o Cruzeiro ainda recuperou os pontos que o separavam do Atlético, terminando o campeonato empatado. Com isso, uma série extra no Mineirão foi jogada para decidir o campeão. Nesses dois jogos duas vitórias cruzeirense por 3 x 1 e 3 x 0 ratificaram a supremacia Azul, para desânimo dos atleticanos.




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1970 - 1976 — Galo do Brasil

Com Telê Santana no comando técnico durante seis anos consecutivos - de 1970 a 1976 -, o Galo viveu uma grande fase. Não só pela fieira de títulos que conquistou, mas, sobretudo, pelo futebol leve, rápido e eficiente que apresentou. Em 1970, com Dario, Lôla, Vantuir, Grapete e cia, venceu o Campeonato Mineiro, encerrando uma série de cinco títulos consecutivos do Cruzeiro. Conquistou a Taça B.H. Venceu o primeiro Campeonato Brasileiro (com Dario, o Dadá Maravilha, como artilheiro), o título mais importante da história do clube. Faturou o bi e o tricampeonato da Taça Belo Horizonte, foi Bicampeão de Taça Minas Gerais (1975 e 1976) e campeão mineiro de 1976. Foi justamente nesse campeonato que o jovem Reinaldo, o maior jogador da história do Galo, até então uma promessa, terminou a competição como artilheiro.

O principal título do Atlético, o de campeão brasileiro de 1971, foi conquistado numa fase final que contava também com São Paulo e Botafogo-RJ. O Galo havia vencido o São Paulo, no Mineirão por 1 x 0; o São Paulo ganhara de 4 x 1 do Botafogo, na sua casa, e o time do Rio jogava com o Atlético, no Marcanã, por uma vitória de mais de quatro gols para ficar com a taça. Se os dois empatassem, o título seria do Tricolor paulista. Como a campanha do Galo no campeonato havia sido muito boa, e o time estava com moral, a torcida do Botafogo desanimou. Deixou o Maracanã quase inteiro para a torcida mineira, que chegou em bom número à Cidade Maravilhosa. Telê Santana armara a equipe com requinte técnico. Os jogadores atacavam e defendiam como no basquete. Para Telê, a posse de bola deveria estar o maior tempo possível com seus jogadores. E talentos o Galo tinha de sobra, tanto que o cronista João Saldanha afirmava que a equipe jogava por música.

E foi com um toque de bola rápido e envolvente que o Atlético começou o jogo contra um Botafogo obrigado a golear. O primeiro tempo foi medido, brigado, com lances emocionantes. Em um deles, o goleiro Renato saiu nos pés de Zequinha que se jogou no gramado. Os cariocas correram em direção do árbitro Armando Marques pedindo o pênalti, que ele não deu. Se aos cariocas restava a pressão, estava aí o ingrediente de que eles necessitavam. Mas faltava ao time da estrela solitária poder de ataque e, assim, o Galo levou o empate para o intervalo. Na volta, o ímpeto dos botafoguenses diminuiu, e o jogo mineiro começou a sair, de pé em pé, rápido e envolvente. Foi assim que, aos 18 minutos, Humberto Ramos foi parar na grande área adversária de onde cruzou para a cabeça de Dario. O centroavante só teve o trabalho de escorar para fazer seu 15º gol no certame, garantindo a artilharia no Brasileirão e a vitória por 1 x 0 e o título.




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1977 - 1983 — Fase de Ouro

Com Reinaldo se revelando um dos maiores jogadores de futebol que o Brasil já viu, o Galo, além de se tornar hexacampeão mineiro (1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983), título inédito do clube, chegou à final do Campeonato Brasileiro por duas vezes, em 1977 contra o São Paulo e em 1980 contra o Flamengo. Nessa fase de ouro, além de Reinaldo brilharam Cerezo, Éder, Vespasiano, Luizinho, Paulo Isodoro, João Leite, Nelinho e Palhinha (estes dois últimos também defenderam as cores do Cruzeiro). Muitos atleticanos consideram o Atlético dessa época o melhor de todos os tempos. E como administração anda ao lado da boa equipe, o presidente Elias Kalil, que dirigiu o Galo nesse período, também é tido como o melhor dirigente que já passou pelo clube.

A final do Brasileiro de 1977 representou uma injustiça para o Atlético, que havia feito uma belíssima campanha. O time mineiro terminou o campeonato invicto, com dez pontos à frente do São Paulo, o segundo colocado. Como se não bastasse a enorme dianteira, as equipes entraram para disputar a finalíssima em um único jogo. Sem a vantagem do empate, o Galo teve como único benefício o fato de atuar em seu palco, o Mineirão. Reinaldo, expulso no jogo anterior, que não valia nada, contra o Nacional de Manaus, ficou de fora da grande decisão.

Sem a sua maior estrela, o Atlético enfrentou um São Paulo experiente, que tinha no forte sistema defensivo o seu maior trunfo. Assim como o Galo, o Tricolor paulista não contava com o seu artilheiro, Serginho, suspenso por ter agredido um bandeirinha. O técnico são-paulino, Rubens Minelli, que havia conquistado os dois Brasileiros anteriores pelo Internacional-RS, armou sua equipe para neutralizar as jogadas de meio-campo atleticanas. Em poucos minutos de jogo, a torcida sentiu que a partida não seria fácil. O jogo truncado do São Paulo dava mostras que o time paulista não tinha muitas pretensões, a não ser levá-lo para a disputa de pênaltis. Como o Galo não conseguia chegar à área adversária, restou o jogo feio, de meio-campo, marcado por diversas faltas, muitas delas violentas. O Atlético via escorrer por entre os dedos o título, que antes julgava ser fácil de conquistar. No intervalo da partida, Minelli pedira à sua equipe que continuasse marcando forte. E logo aos cinco minutos, o atacante são-paulino Neca, no circulo central, entrou para pegar a perna do atacante atleticano Ângelo. A falta foi tão violenta que houve fratura exposta. Os companheiros correram para tirar satisfação com Neca quando Chicão, volante do São Paulo, pisou propositalmente na perna contundida do atacante. Para desespero da já atônita torcida, o árbitro Arnaldo César Coelho mostrou apenas o cartão amarelo para Neca e Chicão. Depois disso, o volume de jogo atleticano só fez diminuir, e o intento são-paulino foi assegurado: a decisão foi para os pênaltis. Foi aí que entrou a malandragem do goleiro Valdir Perez, do São Paulo. João Leite defendeu o pênalti cobrado por Getúlio, e na hora de Cerezo bater Valdir foi até a bola e provocou o jogador, que chutou por cima do gol, empatando as penalidades.

Na vez de Chicão bater, João Leite pegou de novo e tudo parecia que a vitória viria. Principalmente depois de Ziza marcar a segunda cobrança. Mas a catimba de Valdir Perez falou mais alto: Joãozinho Paulista e Márcio caíram na armadilha, desperdiçaram suas cobranças, e o título ficou com o São Paulo. O Mineirão chorou, quase como o Maracanã da final da Copa de 50.

Já a final do Campeonato Brasileiro entre Atlético e Flamengo foi decidida em dois jogos. O primeiro, no Mineirão e o segundo, no Maracanã. O time carioca era o melhor do país e tinha no comando um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, Zico. Além disso, o Flamengo tinha a vantagem de dois empates por ter apresentado uma melhor campanha. No primeiro jogo, com o Mineirão lotado, vitória atleticana por 1 x 0, gol de Reinaldo, quando o time mineiro poderia ter liqüidado o adversário com um placar mais dilatado, já que foi muito superior.

No Maracanã, a história foi diferente. Havia um clima de guerra, com a torcida flamenguista jurando a atleticana de morte, que não se intimidou e levou ao Maracanã cerca de 15 mil torcedores. Após muito mistério, Zico foi liberado pelo departamento médico e confirmado para jogar. O Galo nessa final, contaria com Reinaldo e a experiência de Palhinnha (ex-Cruzeiro) e Chicão (ex-São Paulo), o antigo inimigo e carrasco da final de 77. No campo, o que se viu foi um futebol rápido, com o Flamengo partindo para cima e o Atlético explorando os contra- ataques. Nunes abriu o marcador logo aos seis minutos de jogo, e a torcida do Flamengo ainda comemorava quando Reinaldo, num lance em que envolveu toda a defesa flamenguista, chutou sem chance para o goleiro Raul.

Zico desempatou aos 44 minutos. Após um bate-rebate na área, a bola foi parar em seus pés, ele girou e chutou no ângulo. No segundo tempo, o time carioca continuou em cima do Atlético, tanto que parecia estar mais fácil o terceiro gol flamenguista do que o empate atleticano. Mas aos 21 minutos, num lance pela esquerda, Éder cruzou para a área, e novamente Reinaldo, mesmo machucado, empurrou a bola para o fundo das redes. Esse empate dava o título ao Galo. Mas aos 36 minutos, Andrade lançou Nunes, que passou por Silvestre e fez o terceiro gol do Flamengo. O Galo ainda tentou, mas já era tarde. Final de jogo: Flamengo 3 x 2 Atlético. O Atlético perdia sua segunda final em Campeonatos Brasileiros e acusava o juíz José de Assis Aragão de favorecer o Flamengo na partida.




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1984 - 1990 — Nova Era

Com a perda do Campeonato Mineiro de 1984, decidido no tapetão, o que interrompeu uma série de seis titulos seguidos do Atlético, terminou também o sonho do time de se igualar ao América-MG, o único Decampeão Mineiro (1916 a 1925). Mesmo assim, o Galo faria mais dois bicampeonatos (1985-1986 e 1988-1989), marcando a década de 80 como um período alvinegro em Minas. Dos dez títulos, o Galo faturou sete.

Mas a grande equipe começava a desaparecer. Reinaldo, vítima de zagueiros botineiros, já não apresentava o mesmo brilho. Com o joelho comprometido, a maior estrela do clube encerrava a carreira aos 27 anos. Toninho Cerezo foi para a Roma, da Itália. Éder Aleixo seguiu para a Internacional de Limeira e Nelinho, que ainda fez algum sucesso no Atlético, também encerraria sua brilhante carreira no clube. A renovação trouxe novos talentos, como Batista, Sérgio Araújo, Paulo Roberto, Elzo, Everton e Renato Morumgaba. Com esse time, o clube ainda conquistaria dois títulos internacionais (Torneio de Amsterdã, na Holanda, e Torneio de Cadiz, na Espanha), além de fazer ótimas campanhas em Campeonatos Brasileiros. Em quatro edições do Brasileiro, terminou entre os cinco primeiros da competição (1985, 1986, 1987 e 1990).

Em 1985, quem eliminou o Galo pelas semifinais foi o Coritiba. O Atlético precisava apenas de uma vitória simples no Mineirão, mas o jogo terminou em 0 x 0, e o time do Paraná passou para a final, tornando-se campeão diante do Bangu. No ano seguinte, lá estava o Galo novamente na semifinal. O adversário dessa vez seria o Guarani. No primeiro jogo, no Mineirão, houve empate em 0 x 0. No segundo jogo, o Bugre venceu por 2 x 1, desclassificando o Galo. Em 1987, dirigido por Têle Santana, o time havia vencido o primeiro e o segundo turnos de forma invicta e era apontado como favorito. Mas, o Flamengo apareceu novamente no caminho do Atlético. No primeiro jogo no Rio de Janeiro, 1 x 0 para os cariocas, gol de Bebeto. No segundo jogo, aos 36 do segundo tempo, Renato Gaúcho driblou João Leite fazendo Flamengo 3 x 2. O Atlético era eliminando mais uma vez. Por fim, o Corinthians foi o algoz em 1990. A vitória paulista por 2 x 1, em São Paulo, tirou a equipe mineira da competição.




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1991 - 1997 — Período do "quase"

Se não fosse a conquista da Copa Centenário, o que envaideceu o ego do atleticano, os títulos em Minas de 91 a 97 se resumiriam a apenas dois campeonatos mineiros, em 1991 e em 1995. Fora de Minas, o Atlético conquistou a Copa Conmebol por duas vezes (1992 e 1997). Em 1992, na primeira edição da Copa, o Galo disputou a final contra o Olimpia, do Paraguai, tornando-se campeão com uma vitória de 2 x 0, no Mineirão (gols de Negrine) e uma derrota, na segunda, por 1 a 0, em Assunção. O Galo conquistava seu primeiro título Sul-Americano. Em 1997, o adversário na final foi o Lanus, da Argentina. Na primeira partida fora de casa, o Atlético goleou por 4 x 1. A partida terminou em pancadaria. Na partida de volta, com o título praticamente assegurado, houve empate em 1 x 1 no Mineirão. Era a primeira vez que a torcida comemorava um título internacional junto aos seus heróis.

Em Campeonatos Brasileiros, o Galo esteve sempre para "chegar lá". Mas, na hora de decidir, faltava alguma coisa. Foi assim em 1991, quando a equipe foi desclassificada pelo São Paulo, terminando o campeonato em terceiro lugar. Em 1994, a pedra no caminho foi o Corinthians, e a classificação final foi um quarto lugar. Já em 1996, ano que o goleiro tetracampeão mundial Taffarel defendia o gol, a Portuguesa despachou o Atlético, que terminou o certame de novo em terceiro. Em 1997, foi a vez de o Palmeiras jogar um balde de água fria nas esperanças atleticanas, deixando o Galo com mais uma quarta posição. Os bons resultados gerais, no entanto, garantem ao Atlético a liderança no ranking da CBF.




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1998 - 2000 — Na final, de novo

Depois de quatro anos sem ganhar o Campeonato Mineiro, o Atlético chegou a 37 títulos em 1999. Além de vencer a Copa Millenium, em Miami, e a Copa dos Três Continentes, no Vietnã, o Galo chegou de novo a uma final de Campeonato Brasileiro, depois de 19 anos. A campanha do Atlético no decorrer do campeonato foi cheia de altos e baixos. O que realmente fez o Galo engrenar foi o encontro com o Cruzeiro pelas quartas-de-final. Como o Atlético havia se classificado na oitava posição e o Cruzeiro na Segunda, o regulamento reunia mais uma vez os dois grandes de Minas, para a sorte do Atlético. A Raposa tinha a vantagem do empate, mas o Galo possuía o "matador" Guilherme. Foram dois jogos e duas vitórias atleticanas, por 4 x 2 e 3 x 2. Belo Horizonte viveu um carnaval em preto e branco. Nesses jogos, Guilherme marcou quatro dos sete gols. Na fase seguinte, veio o Vitória, da Bahia, um time jovem e comandado pelo ex-ídolo atleticano Toninho Cerezo. Novamente a vantagem pertencia ao adversário. E de novo, o Galo obteve a classificação, dessa vez para a finalíssima, com uma vitória no Mineirão por 3 x 0, perdendo a segunda em Salvador por 2 xa 1 e vencendo a terceira, também na capital baiana, por 3 x 0. Quase 20 anos depois, o Galo disputava outra final de Campeonato Brasileiro.

O adversário na final, o Corinthians, era o clube mais poderoso do Brasil, campeão no ano anterior e com a vantagem do empate por ter terminado o campeonato em primeiro lugar. No primeiro jogo, vitória atleticana por 3 x 2. Guilherme marcou os três gols e tornou-se o único jogador a fazer três gols em uma final de Campeonato Brasileiro. O primeiro aconteceu com apenas 15 segundos de partida, e o segundo, aos 27 minutos. Perdendo de 2 x 0, restou ao Corinthians partir para cima e tentar diminuir o marcador. Conseguiu seu primeiro gol aos 39 minutos, com Vampeta, mas, quando parecia que o jogo ia endurecer, no último minuto do primeiro tempo Robert fez um cruzamento perfeito da direita e novamente Guilherme, sem marcação, completou de cabeça na pequena área. Aos 24 minutos do segundo tempo, o Corinthians diminuiu para 3 x 2 com Luizão. Se o Galo conseguiu reverter a vantagem, teria que jogar agora por um vitória simples ou dois empates, em São Paulo.

No segundo jogo, em São Paulo, a história foi diferente. O Galo entrou em campo sem um dos seus principais jogadores, Marques, que estava contundido, e demonstrando querer o empate. Acabou perdendo. Luizão fez dois gols, e o time paulista venceu por 2 x 0. Para a terceira partida, Marques bem que tentou se recuperar, mas não conseguiu. Mesmo jogando sem ele, o Galo lutou até o último minuto, pressionando um Corinthians acuado, dependendo do goleiro sempre salvador Dida. O jogo terminou 0 x 0, e, como no ano anterior, o título ficou com os paulistas. O Timão ergueu a taça graças à sua merecida vantagem no certame. Mesmo com a derrota, o atleticano comemorou o vice-campeonato e reconheceu a luta de seus bravos guerreiros. No dia seguinte, uma legião de torcedores recepcionou a equipe no aeroporto, às 4 horas da madrugada.

Como vice do Brasileiro de 1999, o Galo voltou a disputar a Copa Libertadores da América após 19 anos. O seu grupo na primeira fase foi formado por Bolivar (BOL), Cobreloa (CHI) e Bella Vista (URU). A equipe alternou bons momentos dentro de casa, onde venceu todos os jogos, com maus resultados jogando fora, onde não conseguiu fazer um ponto sequer. Mesmo tendo ficado entre os dois primeiros da chave, o Atlético não obteve sua vaga com facilidade, terminando a fase em segundo lugar, atrás do Bolivar. Nas oitavas de final, o adversário foi o perigoso Atlético-PR. No primeiro jogo, no Mineirão, vitória do Galo por 1 x 0, gol de Guilherme. No emocionante jogo de volta, na fria Curitiba, o time mineiro perdeu por 2 x 1, resultado que levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, os mineiros saíram vencedores.

Na fase seguinte, o adversário foi o temido Corinthians, e o confronto repetiria a história do Campeonato Brasileiro. No primeiro jogo, no Mineirão 1 x 1. No segundo jogo, mesmo sem contar com a muralha Dida, atuando pela Seleção, o Corinthians venceu o Atlético por 2 x 1, tirando a equipe mineira da competição.

Bicampeão Mineiro 2000

A conquista do bicampeonato mineiro de 2000 confirmou a supremacia do Atlético em Minas no século 20. O título foi o 38º do clube em 85 certames. A trajetória vitoriosa teve início com a chegada do treinador Márcio Araújo, depois que Humberto Ramos deixou o comando, logo após a equipe fracassar na Copa Sul-Minas, em fevereiro. O elenco também foi alterado. Apesar da boa campanha no Brasileirão de 99, alguns jogadores saíram, como Belleti, Robert e Galvan, para a chegada de Ramon Menezes, Cleison, Irênio, Gilberto Silva, Caíco e Célio Silva.

As novas peças foram bem aplicadas na estrutura da equipe base, que teve em Marques e Guilherme, no ataque, e em Cláudio Caçapa, na defesa, as suas peças fundamentais. O alto astral de Márcio Araújo e um esquema de jogo voltado para atacar o adversário também acabaram fazendo bem ao time, que só perdeu duas partidas no campeonato: uma diante do América e outra contra o Cruzeiro. Mas, nas duas oportunidades, o time já estava classificado e atuou com jogadores reservas. Para as finais, contra o arquirrival Cruzeiro, contou com a vantagem do empate por ter a melhor campanha. A primeira partida acabou em 2 x 0 e a segunda em 1 x 1, o que garantiu o título ao Galo. Ramon Menezes, que estreou, foi o destaque da equipe no certame. O elenco campeão: Velloso, Bruno, Caçapa, Gilberto Silva, Ronildo, Gallo, Cleisson, Ramon, Lincoln, Ghilherme, Marques, Kleber, Célio Silva, Mancine, Vitor, Valdir Paulista, Cairo, Irênio, André e Caíco.


2001 - 2006 — Anos sem títulos

A conquista do bicampeonato mineiro em 2000 marcou o início de um período de jejum de conquistas do Atlético. Foi a última vez que o torcedor atleticano soltou o grito de campeão. O Galo acumulou fracassos seguidos não apenas na competição estadual, mas também nos certames nacionais. Em 2001, o Galo chegou a decisão, mas foi superado pelo América, que conquistou o título. Na primeira partida, o Coelho goleou por 4 x 1 e no jogo de volta o Atlético venceu por 3 x 1, mas o placar foi insuficiente.

Nesse período, no Estadual, o Atlético acabou perdendo espaço e nos dois últimos campeonatos não conseguiu nem mesmo chegar à decisão do título. O Galo viu crescer a concorrência do Ipatinga, parceiro do rival Cruzeiro, que foi campeão em 2005 e vice-campeão este ano. Nas duas ocasiões, o alvinegro mineiro caiu nas semifinais, diante da Raposa. No ano passado, terminou na quarta colocação, atrás ainda da URT, de Patos de Minas, e em 2006, ficou na terceira posição, à frente do América.

Se no Campeonato Mineiro, o Galo perdeu posições, o que dirá no cenário nacional. Pior do que o jejum de títulos, que já dura seis anos, o Atlético caiu para a Segunda Divisão do Futebol Brasileiro, o que nunca havia acontecido na história do clube e da competição, da qual foi o primeiro campeão nacional, em 1971. Em 2004, o namoro com a Série B quase deu em casamento. O alvinegro mineiro escapou na última rodada, após uma vitória sobre o São Caetano, no Mineirão, por 3 x 0. No ano passado, não teve jeito e o Atlético terá de buscar uma das quatro vagas para voltar à elite.

Na segunda competição nacional de maior importância, a Copa do Brasil, o retrospecto do Atlético não foi melhor nos últimos anos. À exceção de 2002, quando o time era treinado por Levir Culpi e chegou à semifinal, mas foi eliminado pelo até então desconhecido Brasiliense, o Galo tem fracassado seguidas vezes nesse torneio, que é o caminho mais curto para a disputa da Libertadores.




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