14h11 21/04/2006
Atlético de luto por causa de Telê
Técnico que mais vezes comandou o Galo, ele é lembrado por ex-jogadores que dirigiu e revelou no alvinegro mineiro. Do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - A notícia da morte de Telê Santana deixou comovido o atacante Marcelo Oliveira, atual treinador da equipe de juniores do Atlético-MG e que foi promovido, pelo "mestre" ao time principal do Galo, aos 16 anos. "Posso dizer que meu caráter foi formado, em grande parte, com as orientações dele", comentou o ex-craque, que chegou a jogar sob o comando do ex-técnico na Seleção Brasileira nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986.
O corpo de Telê Santana será velado no cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, em Belo Horizonte,a partir das 17h desta sexta-feira, feriado de 21 de abril. O horário sepultamento será no mesmo local, neste sábado, às 11h.
"Estou muito triste com a passagem de Telê, a quem tenho muita gratidão, respeito e amizade", comentou Marcelo Oliveira ao Pelé.Net. O ex-camisa 10 do Galo lembra que uma das principais características de Telê Santana foi o "equilíbrio". "Ele sabia ser um grande comandante, sem ser arrogante ou ditador. Sabia conquistar seu espaço com simplicidade e sem marketing", comentou Marcelo.
Se não era autoritário, Telê sabia lidar com a autoridade, tanto no comando do Atlético-MG, o primeiro campeão nacional, em 1971, ou à frente da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982, na Espanha, ou do México, em 1986. Com personalidade forte, levava às últimas conseqüências as suas decisões. Foi assim, por exemplo, durante os preparativos para Copa de 86, quando cortou Renato Gaúcho, que só iria fazer as pazes com ele muitos anos depois.
"O Telê se doava de corpo e alma ao futebol, que era a sua paixão e acho que o exemplo dele serve não apenas para o esporte, mas para o país, que passa por momentos conturbados, para mostrar como é possível ser correto, leal, competente e fazer sucesso sem outras coisas"", comentou.
Mineiro de Itabirito, onde nasceu em 26 de julho de 1931. Como nesse dia se comemora a festa de Sant'Anna, a padroeira das avós, a família o batizou como Telê Santana. De caixeiro numa cooperativa a jogador de futebol não demorou muito. No Itabirense, seguiu os passos do seu Zico, chegando a jogar como goleiro. Destacou-se como meia direita, mas seria como ponta direita, que o "Fio de Esperança" faria sucesso no futebol, conquistando três títulos cariocas, pelo Fluminense, onde atuou até 1962. Jogou ainda no Madureira, Guarani e Vasco, onde encerrou a carreira em 1965.
Como técnico, o seu primeiro momento de destaque foi na conquista do título do Campeonato Nacional de 1971. Ele dirigiu, entre outros, o atacante Dario, o "Peito de Aço",que marcou o gol do título, na vitória sobre o Botafogo, no Maracanã. "O que eu gostava mais do Telê é que ele ensinava a gente a chutar, o posicionamento do braço, a colocação em campo. O Telê era fantástico", salientou o Dadá Maravilha.
Ele voltaria a treinar o Atlético outras vezes, o que formou um vínculo entre o vitorioso treinador e o alvinegro mineiro. Ele é o técnico que mais vezes dirigiu o Galo. Foram três passagens pelo clube: (1970 a 1972) (1973 a 1975) e (1987 a 1988). Sob seu comando, o Galo disputou 434 partidas, com 235 vitórias, 122 empates e 77 derrotas. O ataque alvinegro marcou 721 gols e a defesa sofreu 329.
Dos 22 títulos conquistados como treinador, em sua carreira, três foram com o Atlético: os campeonatos mineiros de 70 e 88 e o nacional de 1971. No site oficial do Galo, uma homenagem do clube, com um texto em que ressalta a importância do treinador para o Galo e que se encerra assim: "O mestre Telê Santana jamais sairá da memória e do coração dos atleticanos, a quem deu a honra e a glória de serem os primeiros Campeões Brasileiros".
Para o ex-atacante Éder Aleixo, que foi titular da Seleção Brasileira que encantou o mundo em 1982, mas que não conquistou o título, destaca a importância do ex-treinador para a ofensividade do futebol, Ele só lamenta que a não conquista daquela Copa possa ter influenciado negativamente no desenvolvimento do futebol brasileiro.
"A perda do título de 82 fez, talvez, que o futebol não seguisse o rumo idealizado pelo Telê, que era adepto do futebol mais bonito, mais clássico, mais leve, mais para frente. O Telê gostava de jogar bonito, para frente mesmo", ressaltou Éder Aleixo, um dos grandes ídolos do Galo também.
Um dos maiores craques da história do Atlético e do futebol brasileiro, o ex-atacante Reinaldo considera que Telê marcou a história do futebol brasileiro, como jogador e, sobretudo, como treinador. "Ele teve papela fundamental para revelar e mostrar a arte do futebol brasileiro", salientou o Rei, como é chamado até hoje pelos torcedores atleticanos.
Reinado disse que Telê foi um dos treinadores que mais aperfeiçoou o seu futebol e a sua habilidade. Ele lamenta a morte do ex-treinador, mas diz que Telê vai descansar. "Infelizmente, nos últimos anos ele sofreu bastante e vai descansar em paz, certamente em um bom lugar", observou oídolo atleticano.
UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)