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14h20 07/01/2005
Não riam, mas o Carioca será o melhor estadual novamente
Flávio Izhaki
Existe uma lei popular que fala da inevitabilidade das coisas. São fatos que se repetem ano após ano e nada pode ser feito para mudar isso. Por exemplo: é certo que o feriado de Finados, no dia 2 de novembro, será um dia chuvoso, assim como é de conhecimento público que Rubinho Barrichello jamais ganhará o GP Brasil de F-1.
Pois neste ano mais um fato vai engrossar essa lista: o Campeonato Carioca será, mais uma vez, o melhor estadual do Brasil. Poupem as risadas altas em escritórios apinhados de engravatados ou os e-mails raivosos de torcedores fanáticos para a redação do Pelé.Net.
Permitam uns parágrafos a mais de leitura para este humilde colunista explicar seu conceito de melhor, para, só então, a malhação pública começar. Quando falo que o Carioca será novamente o melhor dentre os estaduais, quero dizer que será o mais disputado, emocionante, imprevisível e, principalmente, o que envolverá mais torcedores apaixonados acompanhando in loco e via sites, jornais, rádio e televisão o seu desenrolar.
O Estadual do Rio tem uma série de trunfos, a começar pelo fato de ser a única capital do Brasil com quatro times grandes na mesma cidade. Bem ou mal, isso faz uma grande diferença. Além disso, o regulamento do Carioca é - pasmem - inteligente, pois foca a sua competição de tiro curto (90 dias) para três finais.
Eu sou defensor dos pontos corridos no Brasileirão, mas, em termos de estadual, nada bate uma grande final (desculpem, fãs do Paulistão 2005). Imaginem só que no Rio teremos três finais - Taça Guanabara, Taça Rio e a finalíssima, no duelo dos dois campeões das fases anteriores. E, em cada uma delas, duas grandes torcidas lotarão o Maracanã e sairão às ruas para comemorar depois.
Poderemos ter até 14 clássicos neste período curto de tempo, a maioria deles decisivos, pois nessa conta estão incluídas as semifinais e finais do primeiro e segundo turno, além da finalíssima, que será realizada em dois jogos.
O governo estadual também acena com a possibilidade de subvencionar boa parte dos ingressos da competição, pagando para os clubes o valor integral dos bilhetes e revendendo para a população por 1 real (preço de uma raspadinha), desde que o torcedor apresente uma nota de R$ 50 em compras de varejo. Em clássicos, o governo promete fazer isso com 50% da lotação do estádio, ou seja, 40 mil pessoas podem entrar no Maracanã pagando 1 real. Concordando ou não com a política populista do governo estadual, o fato é que os estádios estarão muito mais cheios que em outros estados.
"Ah, mas e os times?!", devem estar pensando os ainda reticentes com os meus argumentos. Aí eu precisarei concordar: as equipes que os clubes cariocas estão formando não são nem um pouco animadoras. Os reforços parecem saídos de alguma fita perdida de melhores momentos do Campeonato Carioca da última década. E, como se sabe, em fita de melhores momentos qualquer um passa por grande craque.
O maior destaque do mercado de reforços até agora é Felipe, que desequilibrou o Estadual de 2004 pelo Flamengo, mas depois decepcionou no Brasileiro. O Fluminense, que o contratou, também queria Pet, que será lembrado para sempre pelo gol de falta com a camisa rubro-negra na final de 2001. Romário, artilheiro tantas vezes, deve assinar com o Vasco, enquanto o Botafogo mantém Caio, que já passou por outros dois grandes do Rio.
Nomes que não empolgam em termos nacionais, mas servem para atiçar ainda mais as rivalidades locais. A estréia de Felipe, por exemplo, será na rodada dupla de abertura do campeonato, quando o Fluminense pegará o Madureira, às 18h, no Maracanã. Na "preliminar", o Flamengo enfrentará o Olaria, às 16h. Imaginem as duas torcidas juntas vendo os jogos. Promete.
Entendam que, quando falo que o Carioca será o melhor estadual do ano, sei muito bem que no Brasileiro os cariocas, provavelmente, naufragarão - mas com sorte nem tanto como em 2004. Por isso, para o torcedor carioca as chances de título terminam em abril. Portanto, nos deixem, pelo menos até lá, nos considerarmos os melhores um pouquinho.
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Flávio Izhaki
Editor do Pelé.Net, no Rio de Janeiro
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