17h26 19/11/2004
Tuma Júnior revela tentativa de suborno
Conselheiro diz que pessoa enviada pela MSI teria oferecido R$ 1 milhão para que ele se calasse sobre parceria. * atualizada às 19h10
Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, o deputado estadual Romeu Tuma Júnior (PPS) revelou ter sido vítima de tentativa de suborno.
Marcelo Squassoni, identificado na delegacia, teria oferecido ao ex-dirigente do Corinthians R$ 1 milhão para que o mesmo não voltasse a interferir na tentativa de acordo entre a empresa MSI e o clube de Parque São Jorge.
O emissário, que iniciou o contato com Tuma na quinta-feira, após sessão na Assembléia Legislativa de São Paulo, foi preso nesta sexta-feira e chegou ao 36º DP (Paraíso) por volta das 17h30. O delegado Marcos Manfrin ouviu o acusado e deverá soltá-lo devido à falta de provas.
Tuma, que durante a entrevista declarou que enviara uma cópia da fita com a oferta para a polícia, segundo Manfrin, não o fez. O delegado espera ouvir a suposta vítima na segunda-feira e, dependendo do teor da prova, convocará para depor Renato Duprat, empresário que ofereceu a parceira ao clube e trabalhou anteriormente com o Santos, o iraniano Kia Joorabchian, líder da MSI, e o magnata russo Boris Berezovski, todos citados por Squassoni.
De acordo com Manfrin, o intermediário pode ser indiciado por corrupção ativa, artigo 333 do código penal. A pena para esse crime varia entre dois a doze anos.
Squassoni, segundo Tuma, foi enviado por Renato Duprat. "Quiseram comprar o meu silêncio, mas honestidade não é virtude, é obrigação", afirmou o conselheiro do Timão, que, além do montante, poderia receber participações futuras em transferências de jogadores caso aceitasse a suposta oferta.
Tuma, que também é delegado, disse que decidiu gravar a conversa assim que percebeu as intenções de Marcelo. "Dei corda, só para ver aonde ele chegaria. Mais tarde conversei com o próprio Duprat, pelo telefone", afirmou.
O deputado mostrou trecho da ligação para os jornalistas. "Aquilo que foi conversado está certo?, perguntou, se referindo ao dinheiro. "Não tem problema nenhum", respondeu o interlocutor, que Tuma diz ser Duprat.
De acordo com o deputado, o suborno foi oferecido porque "Tuma seria a última pedra no caminho da MSI". "Eles são arrogantes. Tal comportamento é algo típico no crime organizado. Eles tentam desmoralizar e até eliminar as testemunhas", disparou, bastante irritado.
Tuma diz não saber se o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, está envolvido no episódio.
"Também não sei o que isso irá refletir na reunião da próxima terça-feira (quando o conselho do clube voltará a se reunir). Mas tenho uma série de documentos que prova que a empresa pretende lavar dinheiro no Corinthians", finalizou.
Kia na Polícia Federal Na manhã desta sexta-feira, Kia Joorabchian prestou depoimento à Polícia Federal. O iraniano foi convocado para explicar a sua situação no Brasil.
A polícia queria saber se o visto de trabalho do iraniano o permitia realizar negócios no país. Após averiguação, o empresário se mostrou apto a prosseguir com as tratativas de parceria.
O líder da MSI, em rápida entrevista, disse ter sido questionado apenas sobre o passaporte. "Não me importo que queiram saber sobre mim. Estou até feliz por estar aqui (depondo)".