17h52 29/05/2005
Timão vence Galo e confirma boa fase
Corinthians consegue sua terceira vitória seguida sob o comando de Márcio e deixa Tite em situação delicada. Do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - O reencontro de Tite com o Corinthians teve sabor amargo para o treinador, que viu o adversário, comandado por seu antigo auxiliar Márcio Bittencourt, vencer o Atlético-MG, por 1 x 0, neste domingo, no Mineirão. O Timão atuou grande parte da partida com um jogador a menos, mas isso não o impediu de conseguir sua terceira vitória consecutiva, o que deixa o novo técnico com 100% de aproveitamento.
Já Tite, que foi dispensado do Corinthians há quatro meses de forma polêmica, viu o Atlético perder a sua quarta partida consecutiva pelo Brasileiro - são cinco derrotas se levar em conta os 2 x 0 para o Ceará, que eliminaram o alvinegro mineiro da Copa do Brasil. Pior é que com a combinação de resultados da Sexta rodada, o Atlético-MG entrou para a temida zona de rebaixamento, de onde, ano passado, só se livrou, na última rodada.
Galo e Corinthians nunca fizeram jogos normais. Esse tradicional clássico do futebol nacional, disputado neste domingo, mais do que outros, tinham ingredientes para torná-lo mais acirrado. A presença de Tite em um dos bancos e de Márcio Bittencourt, que o substituiu quando da sua demissão, fazendo a transição até a chegada de Daniel Passarella, era um deles.
A necessidade de um resultado positivo dos dois lados era outro. O conceito de positivo é diferente para os dois times. Para os donos da casa é traduzido somente em vitória, para tentar evitar o acirramento de uma crise, que pode tomar proporções enormes. Já para os visitantes, um empate já seria suficiente, pelo menos é o que se pode compreender da postura defensiva da equipe.
Faixas viradas de cabeça para baixo, cartazes espalhados pelo Mineirão com palavras, como atitude, dignidade, orgulho, vontade, raça, respeito, eram formas de protesto da torcida atleticana e dava bem a dimensão do tamanho da insatisfação da massa do Galo com a péssima campanha do time este ano, onde ficou em quarto lugar no Mineiro, foi eliminado precocemente da Copa do Brasil e voltou a brigar contra o rebaixamento no Nacional.
Antes do início do jogo, os jogadores corintianos fizeram questão de fazer fila para cumprimentar o ex-comandante Tite. "Fomos lá cumprimentá-lo, mas dentro de campo é cada um para o seu lado", afirmou Carlos Alberto. "O Tite é um excelente profissional dentro e fora de campo. Esperamos que ele tenha muita sorte no Atlético e consiga sair dessa situação, mas a partir da próxima partida", acrescentou Ânderson. "Quando há lealdade e sinceridade sempre há amizade", agradeceu o atual treinador atleticano.
Em campo, o que se viu foi a diferença técnica entre os astros corintianos e as limitações do apenas esforçado time atleticano. Apesar do esquema defensivo, quando a bola chegava aos pés de Tevez, Roger e Carlos Alberto alguma boa jogada acontecia. Pelo lado atleticano, a ansiedade, transformada em chutes de qualquer lugar, e as jogadas emboladas pelo meio eram a tônica.
O resultado levou o Corinthians a 10 pontos e dá tranqüilidade ao time para aproveitar o período de paralisação do Campeonato em função dos jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, para continuar diante do Flamengo, dia 12 de junho, no Pacaembu, sua reabilitação. Já o Galo, que tem apenas quatro pontos em 18 disputados, viverá maus momentos internos nesse recesso. No mesmo dia, o Atlético vai ao Beira-Rio desafiar o Internacional. Até lá o Galo é o 20º colocado.
O jogo
A partida entre os dois tradicionais adversários começou com o Atlético tentando impor o mando de campo e esboçando uma pressão, que não surtiu efeito. Os jogadores atleticanos deixavam evidente a ansiedade e a intenção de decidir o jogo em jogadas individuais, especialmente Rodrigo Fabri, Euller e Fábio Júnior, que sempre tentavam um drible a mais.
A imagem de pressão do Galo era reforçada pela postura excessivamente defensiva do Corinthians, que deixava Tevez isolado à frente, já que o seu companheiro de ataque Carlos Alberto, não é do ramo e voltava para o meio-campo, embolando bastante o setor. Por isso, o panorama era de um jogo em que apenas um time atacava e o outro se defendia.
Como o alvinegro mineiro não demonstrava competência para furar o bloqueio defensivo, e o Timão não atacava, a primeira chance de gol surgiu apenas aos 16min. Euller tabelou com Evanílson e bateu de perna esquerda, para boa defesa do goleiro Fábio Costa, que volto ao time corintiano neste domingo. Quatro minutos depois, Fábio Júnior bateu de virada de esquerda, mas a bola foi para fora.
Aos 21min, o time paulista ficou com um jogador a menos, porque o árbitro paranaense Evandro Rogério Roman expulsou o lateral-direito Coelho, por falta muito dura sobre Rubens Cardoso. Não deu tempo nem do Atlético tentar explorar a chamada vantagem numérica. Aos 25min, Tevez recebeu sua primeira bola na área adversária e, mesmo marcado por dois adversários, sofreu pênalti cometido por Adriano, que estava se despedindo do Galo.
O argentino cobrou bem a penalidade e colocou o Timão à frente, na primeira finalização da equipe visitante. Adriano, que fez o pênalti, é o mesmo que já marcou dois gols contra neste Brasileiro - André Luiz também fez um -, e está se transferindo para o Atlético-PR.
Após o gol a pressão foi toda do Galo, que abusou do direito de perder gols. Na melhor chance, aos 39min, Fábio Júnior desperdiçou ótima oportunidade após boa jogada de Rubens Cardoso. Nos primeiros 45 minutos, foram 13 finalizações mineiras - 10 delas para fora -, contra apenas duas do Timão. O Galo ainda cobrou oito escanteios, quatro deles consecutivos. O Corinthians pouco atacou, mas saiu de campo para o intervalo em vantagem no marcador.
Os dois times voltaram com as mesmas formações para o segundo tempo. O curioso é que os jogadores atleticanos voltaram mais cedo do vestiário, ficando pelo menos três minutos no gramado do Mineirão à espera do retorno dos atletas do Timão. Com a bola rolando, o panorama não se alterou. O Atlético pressionando, atacando e errando as finalizações e o Corinthians ameaçando com Tevez, nos contra-ataques.
Aos 13min, em uma dessas ocasiões, Tevez foi parado com falta feia por Adriano, que se despediu do Galo, com uma expulsão, além do pênalti cometido. Após a falta, com o argentino caído, o goleiro Danrlei tocou no jogador corintiano, que se levantou e os dois seguiram se encarando. O árbitro os advertiu verbalmente. A cobrança da falta não deu em nada.
O Galo seguiu pressionando e esbarrando ou na má pontaria dos seus jogadores ou no goleiro Fábio Costa. O Corinthians se fechava na defesa, enquanto Tite fazia alterações na equipe na tentativa de melhorar o desempenho, incluindo a estréia de Fábio Baiano, que entrou aos 24min, no lugar de Ramon. A decisão de tirar o jovem meia foi recebida com os gritos de "burro" pelos torcedores atleticanos.
Já Márcio Bittencourt optou em tirar algumas das estrelas da sua companhia, casos de Roger e Carlos Alberto, substituídos por Hugo e Wendel. A primeira mudança corintiana deixou Roger visivelmente chateado. O jogador ficou sentado no banco de reservas, de cabeça baixa. Mas, em campo, o Timão conseguia controlar o ímpeto do Atlético, mesmo após a expulsão de Tevez, aos 33min, que o deixou com nove jogadores.
ATLÉTICO-MG 0 X 1 CORINTHIANS
Atlético-MG Danrlei; Evanílson (George Lucas), Adriano, André Luiz e Rubens Cardoso; Walker, Ataliba (Zé Antônio), Ramon (Fábio Baiano) e Rodrigo Fabri; Euller e Fábio Júnior Técnico: Tite
Corinthians Fábio Costa; Coelho, Anderson, Betão e Edson; Marcelo Mattos, Rosinei, Roger (Hugo) (Marcus Vinícius) e Gustavo Nery; Carlos Alberto (Wendel) e Tevez Técnico: Márcio Bittencourt
Data: 29/5/2005 (domingo) Local: Mineirão, em Belo Horizonte Público:15.845 pagantes Renda: R$ 93.860,50 Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR) Cartões amarelos: Rodrigo Fabri, Ramon (Atlético-MG); Tevez (Corinthians) Cartões vermelhos: Coelho, Tevez (Corinthians); Adriano (Atlético-MG) Gols: Tevez, aos 26min do primeiro tempo;