20h02 16/07/2005
Timão vence trauma e supera o Paraná
No mesmo palco em que havia sido superado pelo Cianorte na Copa BR, Alvinegro superou Paraná pelo Brasileiro 2005. MBPress
SÃO PAULO - Acabou o fantasma do Willie Davis. No mesmo estádio em que havia sido surpreendido pelo Cianorte, pela Copa do Brasil, o Corinthians encarou Paraná neste sábado, pelo Campeonato Brasileiro, e venceu de virada por 3 a 2.
O DONO DA FAIXA
Desde a despedida do capitão Anderson, na vitória por 4 a 2 sobre o Brasiliense, o dono da braçadeira do Corinthians se tornou uma incógnita. Neste domingo, porém, o atacante argentino Tevez se consolidou como dono da faixa.
Contratado neste ano, Tevez foi a maior aquisição da história do Corinthians. E em menos de seis meses no clube (ele estreou no dia 29 de janeiro), o camisa 10 já se consolidou como líder e ídolo da torcida.
Quando Anderson saiu, Tevez estava com a seleção argentina na Alemanha, na disputa da Copa das Confederações. Por isso, a braçadeira de capitão passou por Betão e Gustavo Nery.
No retorno, Tevez assumiu a faixa e foi capitão da equipe na vitória sobre o Palmeiras, no último domingo. Neste sábado, diante do Paraná, ele repetiu o posto.
A última experiência do Corinthians em Maringá havia acontecido no dia 9 de março. Naquela ocasião, na primeira partida da segunda fase da Copa do Brasil, o time paulista perdeu para o Cianorte por 3 a 0. Aquele jogo, aliás, marcou a estréia do argentino Daniel Passarella no comando do clube do Parque São Jorge.
Neste sábado, no retorno a Maringá, o Corinthians conseguiu sua segunda vitória seguida no Campeonato Brasileiro. Com isso, o time paulista subiu para 22 pontos e saltou da sexta para a quarta colocação do torneio nacional.
Com os três gols marcados neste sábado, o Corinthians ainda assumiu a condição de time mais efetivo do Campeonato Brasileiro. A equipe de Marcio Bittencourt balançou as redes adversárias 24 vezes.
E o grande destaque individual do Corinthians foi o atacante Tevez. O camisa 10 marcou o segundo gol da equipe paulista, criou a maioria das jogadas ofensivas da equipe paulista e foi premiado com gritos de "Carlitos" da torcida presente em Maringá.
Em compensação, Carlos Alberto segue em baixa com os torcedores corintianos. Contratado nesta temporada, o meia ainda não conseguiu emplacar. Neste sábado, produziu pouco e foi insistentemente vaiado aos 30min do segundo tempo, quando foi substituído por Dinelson.
A má atuação de Carlos Alberto pode ser comemorada por Rosinei. O camisa 8 foi titular neste sábado porque Roger estava suspenso (recebeu o terceiro cartão amarelo na rodada passada) e teve mais uma boa atuação.
"Estou fazendo o meu trabalho para tentar convencer o professor (Márcio Bittencourt). Quero ser titular do Corinthians e estou me esforçando para isso", contou o meio-campista, que havia marcado dois gols na vitória sobre o Palmeiras, no último domingo.
O calvário de Carlos Alberto ainda é aumentado pela participação de Dinelson. O meia entrou no lugar do camisa 19 e, na primeira vez que tocou na bola, chutou de fora da área para marcar o terceiro gol do Corinthians.
Além de Carlos Alberto, o Paraná também tem muito o que lamentar acerca do jogo deste sábado. O time dirigido por Lori Sandri perdeu uma invencibilidade de três partidas (não sofria uma derrota desde o dia 19 de junho, quando o Coritiba fez 2 a 1 no clássico paranaense).
TIMÃO MANTÉM TABU
No histórico do confronto com o Paraná, o Corinthians ostenta uma vantagem considerável. As duas equipes se enfrentaram 12 vezes em Campeonatos Brasileiros e os paulistas perderam apenas duas (além disso, somaram cinco empates e cinco derrotas).
Em contrapartida, o Corinthians manteve um tabu com a vitória deste sábado. O time paulista não perde para o Paraná, em jogos válidos pelo Brasileiro, desde 2001. Desde então, disputou cinco partidas e conseguiu três vitórias e dois empates.
De quebra, a defesa do Paraná também perde uma invencibilidade de três jogos. O time paranaense não sofria um gol desde a derrota para o Coritiba. Neste sábado, o Corinthians marcou três vezes e tirou da equipe de Lori Sandri a condição de melhor defesa do Brasileiro (que o clube ostentava até o início desta rodada).
Com a derrota diante do Corinthians, o Paraná ficou com 18 pontos e estaciona na nona colocação do Campeonato Brasileiro.
O próximo compromisso do Paraná acontece na quarta-feira, às 19h30. O time de Lori Sandri jogará contra o São Caetano no estádio Anacleto Campanella. No dia seguinte, às 20h30, o Corinthians recebe o Paysandu no Pacaembu.
O jogo Superior tecnicamente, o Corinthians começou pressionando o Paraná. O problema é que o time paranaense adotou forte marcação sobre Rosinei e Carlos Alberto, os responsáveis pela criação dos visitantes. Assim, Marcelo Mattos e Mascherano precisaram fazer a ligação direta com os atacantes.
Quando a bola chegou nos homens de habilidade do Corinthians (Tevez, Jô, Carlos Alberto e Rosinei), o time paulista sentiu muita dificuldade para conviver com o gramado do estádio Willie Davis. "A bola estava pulando muito e a gente não conseguia dominar", analisou o centroavante Jô.
Aproveitando o gramado irregular, o Paraná usou os chutes de longa distância como principal arma ofensiva. Foi assim aos 8min, quando Thiago Neves arriscou da meia direita. Fábio Costa caiu para seu canto esquerdo e espalmou a bola para a linha lateral.
F.COSTA NÃO ADMITE ERRO
O gol do Paraná, marcado por Beto aos 27min do primeiro tempo, aconteceu em um chute de longa distância. O goleiro Fábio Costa caiu para o canto esquerdo e ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir.
No entanto, o camisa 1 não admitiu ter falhado no lance que propiciou o gol do Paraná e garantiu que não sentiu nada especial no estádio Willie Davis, onde havia falhado na derrota por 3 a 0 para o Cianorte.Leia mais
Em outra tentativa de longa distância, o Paraná conseguiu inaugurar o marcador. Beto conduziu a bola pela intermediária aos 27min e chutou de pé direito. Fábio Costa caiu para o canto esquerdo, mas não conseguiu evitar o gol dos donos da casa.
"Eles estavam pegando todos os rebotes. Havia um espaço muito grande entre a nossa defesa e o meio-campo. Assim, a segunda bola ficou sempre com o Paraná", contou o zagueiro Marinho.
Mais do que o espaço entre a defesa e o meio, o que ficou evidente foi um buraco na ligação entre o meio-campo e o ataque do Corinthians. Sem a participação dos armadores, Tevez ficou isolado e precisou recuar demais para encostar na bola.
Desorganizado, o Corinthians foi premiado com um gol de bola parada. Aos 37min, Marinho aproveitou cobrança de escanteio da esquerda e, livre de marcação, completou de pé direito para vencer o goleiro Flávio. Foi a primeira vez que o defensor balançou as redes desde que chegou ao Parque São Jorge.
O gol mudou o cenário do jogo. "Nós nos fechamos demais e eles conseguiram empatar em uma bola parada. Não podíamos ter recuado tanto e precisamos atacar mais depois do gol deles", comentou o lateral-direito Beto.
Quando o Paraná saiu, contudo, o Corinthians acertou um contra-ataque. Jô fez grande jogada individual pela esquerda aos 9min do segundo tempo e cruzou para o segundo pau. Tevez dominou e, de pé direito, colocou a bola no canto esquerdo de Flávio para virar o jogo.
O panorama do jogo, que já era bom para o Corinthians, ficou ainda melhor aos 32min. Dinelson, que havia acabado de entrar, carregou a bola da esquerda para o meio e chutou de fora da área, no canto direito de Flávio, para fazer o terceiro gol dos visitantes.
Daí em diante, a torcida do Corinthians começou a gritar olé e festejar a vitória de forma antecipada. No entanto, o Paraná ainda deu um susto nos visitantes. Aos 41min, Mário César cruzou da direita e André Dias apareceu na pequena área para marcar, de cabeça, o segundo gol dos donos da casa.
PARANÁ 2 X 3 CORINTHIANS
Paraná Flávio; Daniel Marques, Aderaldo e Marcos (Mário César); Neto, Rafael Mussamba, Beto, Tiago Neves (Fernando Lombardi) e Vicente; Renaldo e Borges (André Dias) Técnico: Lori Sandri
Corinthians Fábio Costa; Edson, Marinho, Betão e Gustavo Nery; Marcelo Mattos (Sebá), Mascherano, Rosinei e Carlos Alberto (Dinelson); Tevez (Fabrício) e Jô Técnico: Márcio Bittencourt
Local: estádio Willie Davis, em Maringá (PR) Árbitro: Marcio Rezende de Freitas (FIFA-SC) Auxiliares:Claudemir Maffessoni e Vayran da Silva Rosa (ambos de SC) Cartões amarelos: Aderaldo (P), Mascherano (C), Beto (P), Marcos (P), André Dias (P) Cartões vermelhos: Aderaldo (P) Gols: Beto, aos 27min, Marinho, aos 37min do primeiro tempo, Tevez, aos 9min, Dinelson, aos 32min, André Dias, aos 41min do segundo tempo