17h14 30/08/2005
Dualib vai a Londres para 'bater na mesa'
Presidente do Timão embarca para reunião em que pedirá o afastamento de Kia e cobrará os atrasados da parceira MSI. Marcius Azevedo, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - O Corinthians vai tentar mostrar que é grande e merece respeito dos investidores que elegeram o iraniano Kia Joorabchian para costurar a parceria que possibilitou ao clube investimentos de mais de US$ 50 milhões em contratações feitas em menos de um ano.
No auge do racha entre a diretoria do clube e o representante da MSI (Media Sports Investiments), o presidente Alberto Dualib deixou na tarde desta terça-feira a área de embarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos preparado para declarar guerra aos investidores, em encontro marcado para quarta e quinta-feira, em Londres, para onde também embarcaram Nesi Curi, vice-presidente que deu sustentação para a aprovação da parceria junto ao Conselho Deliberativo, e Renato Duprat, empresário responsável por fazer a ponte entre o clube e a empresa.
"Vou para Londres para uma reunião que eu pedi. Não quero adiantar nada, mas temos que mostrar a força do Corinthians. Eles precisam se adaptar à grandeza do clube", afirmou Alberto Dualib. "Alguma coisa vai mudar, não é uma viagem de lazer. É a primeira reunião após quase um ano de parceria, e vamos obter resultados", assegurou o presidente do clube.
O mandatário do Corinthians viajou irritado principalmente por duas questões pontuais: o atraso no pagamento de US$ 20 milhões prometidos em acordo para o pagamento de dívidas do clube e a decisão de Kia Joorabchian não pagar comissão à sua neta, Carla Dualib, a responsável pelo contato comercial que acabou resultando no patrocínio de US$ 12,2 milhões assinados com a Samsung -válido por dois anos.
A insatisfação, inclusive, forçou o Corinthians a mandar à MSI, na quinta-feira passada, uma notificação por escrito relatando os pontos do contrato, fechado em dezembro de 2004, que ainda não foram cumpridos, ameaçando romper a parceria caso os cerca de R$ 33 milhões a que o clube teria direito não fossem depositados até o dia 9 de setembro. Até agora, a parceria depositou apenas R$ 27 mi dos R$ 60 milhões combinados.
"Toleramos muita coisa. Não houve o cumprimento do acordo e vamos lá para cobrar, corrigir algumas rotas", declarou Dualib, preocupado com a sua situação perante o Conselho do clube, já que a parceria foi aprovada mais pelo desejo pessoal do presidente e seus apoiadores -Curi e Andrés Sanchez- do que por uma concordância global dos conselheiros.
"Eu tenho muita responsabilidade. Lutei muito para conseguir aprovar a parceria junto ao Conselho, e tenho de apresentar os resultados no final do ano. Estou sendo cobrado por isso", disse Dualib, que pretende se candidatar à reeleição, em pleito programado para janeiro de 2006.
Irritado com o poder que Kia Joorabchian acabou construindo em menos de um ano, Dualib evita manifestar publicamente a posição de pedir o afastamento imediato do iraniano do comando do Corinthians, como já revelou aos seus parceiros mais próximos.
"Nunca fomos inimigos, mas nos batemos pelo não cumprimento do contrato. É uma reunião para colocarmos os pingos nos is. Queremos o pagamento ou uma fiança bancária", prosseguiu Dualib, que teve de recorrer a um empréstimo bancário de quase R$ 5 milhões para honrar as despesas do Corinthians. "Para isso não precisava de parceiro. Por isso eles precisam cumprir", finalizou.
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