Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians


Fotocom
Cruzeiro: de pênalti
23h44 02/11/2005

Cruzeiro tira série invicta do Timão

Em dois pênaltis, time mineiro vence o líder do Brasileiro, que não era batido havia 18 jogos. Folga para Inter pode diminuir.

Do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - A exemplo do primeiro turno, quando tiveram um encontro memorável, Cruzeiro e Corinthians fizeram um jogo emocionante, nesta quarta-feira, no Mineirão. Desta vez, no entanto, a vitória foi celeste, por 2 x 1, com dois gols de Kelly, cobrando pênaltis cometidos por Wendell e Fabrício, que colocaram mão na bola. O resultado quebrou uma invencibilidade corintiana que durou 18 jogos.

RECORDE MANTIDO
A derrota desta quarta-feira impediu o Corinthians de igualar um recorde no Campeonato Brasileiro. A equipe paulista havia vencido suas 14 partidas anteriores e precisava de apenas mais uma para repetir a série obtida em 1993.

Naquela ocasião, quando o Corinthians era dirigido por Mário Sérgio, a invencibilidade de 15 jogos só caiu na fase semifinal, quando o Vitória fez 2 a 1 sobre o rival alvinegro em Salvador. A equipe baiana disputou a decisão daquela competição contra o Palmeiras, que ficou com o título.

A seqüência invicta do Corinthians nesta temporada, contudo, não se limitou ao Campeonato Brasileiro. O time paulista também ficou quatro jogos sem perder na Copa Sul-Americana e totalizou 18 jogos sem um revés.
A derrota corintiana era tudo que o Internacional, vice-líder queria. A diferença entre os dois clubes se manteve em seis pontos e se o Colorado vencer o Paraná, nesta quinta-feira, cairá para três. Isso significa que o Cruzeiro conseguiu a intenção de colocar uma dose extra de emoção no Brasileirão, em sua reta final. Além disso, a Raposa continua com chances de buscar uma vaga na Libertadores.

Se não teve tantos gols como no duelo anterior - foram sete em São Paulo, na vitória corintiana por 4 x 3 -, a partida desta noite contou com jogadas de habilidade, defesas difíceis dos dois goleiros e o susto causado pelo volante Fábio Santos, que passou mal. Após choque com Gustavo Nery, o volante cruzeirense chegou a ficar desacordado, mas recuperou-se após o atendimento médico e continuou no jogo.

Nesse lance, a solidariedade de todos os jogadores ficou evidente e chamou a atenção o pique do árbitro carioca Wagner Tardelli em busca da equipe médico do Mineirão, que prontamente atendeu o jogador. Antes do jogo, os 22 atletas e o trio de arbitragem tinham se unido, no círculo central do Mineirão, em bonita homenagem pelo falecimento de dona Geni, mãe do técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira.

Com a bola rolando, Cruzeiro e Corinthians fizeram uma partida com bons momentos, em que o futebol ofensivo foi uma característica dos dois lados. Tanto no primeiro tempo, como na etapa final Raposa e Timão se alternaram no ataque e criaram seguidas chances de gols, obrigando os dois Fábios a grandes defesas.

Aos 19min do segundo tempo, por exemplo, Maldonado chutou, a bola desviou em Marinho e ia entrando, mas, no reflexo Fábio Costa, conseguiu defender. No minuto seguinte, em ataque do Corinthians, o Fábio do Cruzeiro teve de sair nos pés do argentino Tevez para evitar o gol do desempate. Aos 22min, Tevez novamente teve outra chance evidente. Mais uma vez defendida pelo camisa 1 celeste.

A chuva, em quase todo o jogo, não atrapalhou o espetáculo. O Cruzeiro chegou à sua quarta vitória seguida e passou a 57 pontos, na sexta colocação. O próximo jogo da Raposa será contra o Fortaleza, no Sábado, na capital cearense.

Já o Timão terá o clássico com o Santos, no domingo, em São Paulo, em mais uma partida difícil e quando terá nova oportunidade para provar que não sentiu a ausência de Roger, que não joga mais este ano. O Corinthians se manteve com 71 pontos e torce por derrota do Internacional para o Paraná para não ver a diferença diminuir.

O jogo

O primeiro tempo entre Cruzeiro e Corinthians pode ser dividido em três partes. O início, bastante movimentado, com os dois times criando e desperdiçando oportunidades de gols. Um período de monotonia, quando o ritmo caiu e a boa técnica foi deixada de lado, que durou aproximadamente 20 minutos e o fechamento da etapa inicial, quando não faltou susto e emoção.

A apreensão aconteceu aos 35min, quando o volante Fábio Santos, do Cruzeiro, após um choque com o corintiano Gustavo Nery, caiu no gramado. Jogadores dos dois times e o árbitro Wagner Tardelli, imediatamente, correram e pediram, aos gritos, atendimento médico. O atleta celeste chegou a ficar sem respirar, alguns segundos, em função do choque no tórax.

Foram quatro minutos de suspense. A equipe de plantão médico do Mineirão entrou no gramado, mas Fábio Santos foi se recuperando e saiu na maca. Alguns companheiros chegaram a pedir substituição, mas o jogador garantiu ao médico Ronaldo Nazaré, que estava em condições e voltou a campo, terminando o primeiro tempo sem problema.

No lance seguinte ao reinício do jogo, o susto foi corintiano. O volante Wendell cortou a bola cruzada por Diego com a mão e foi assinalado pênalti, que acabou convertido, aos 41min, pelo meia Kelly. Artilheiro do Cruzeiro no Brasileiro, ele marcou o seu 15º gol no Brasileiro. Após o gol celeste, o Timão se lançou novamente ao ataque e aos 42min teve chance de empatar, com Nilmar, mas a bola foi tirada por Irineu.

Aos 48min, em outro lance de Nilmar, o destaque da equipe paulista na etapa inicial, obrigou Fábio a fazer grande defesa, evitando o empate do líder da competição. Se Nilmar se sobressaiu pelo lado dos visitantes, o jovem Diego esteve muito bem pelo Cruzeiro, dando dribles desconcertantes sobre os seus marcadores.

No geral, os primeiros 45 minutos de Cruzeiro e Corinthians agradaram aos bom público presente no Mineirão. Foi uma partida ofensiva. A Raposa finalizou 12 vezes, contra sete do Timão. Não foi um jogo muito faltoso. Os visitantes cometeram 10 infrações, enquanto os donos da casa fizeram somente cinco faltas.

Os dois times voltaram com as mesmas formações para o segundo tempo, inclusive Fábio Santos. Sob chuva insistente, o Corinthians empatou de cara, a 1min, por intermédio de Nilmar. O camisa 9 corintiano, que na primeira etapa já havia feito ótimas jogadas pela direita do ataque paulista, utilizou novamente aquele setor e bateu forte, meio sem ângulo, fazendo um belo gol.

O Cruzeiro não se abateu com o gol sofrido e continuou atacando. O mesmo acontecia com o Corinthians, o que tornava a partida interessante de se ver e completamente imprevisível. Além de bons jogadores dos dois lados, Raposa e Timão demonstravam também muita vontade e raça em busca da vitória.

Os treinadores também fizeram sua parte, com substituições visando aumentar a capacidade ofensiva dos times. Paulo César Gusmão, por exemplo, tirou o meia Adriano e colocou Wando, um terceiro atacante. Já Antônio Lopes, que optou por Hugo para começar o jogo, como substituto de Roger, operado recentemente, colocou Carlos Alberto para tentar ganhar o jogo.

E o Corinthians no segundo tempo esteve mais perto da vitória. Aos 29min, por exemplo, o goleiro Fábio fez falta feia, em Nilmar, fora da área, impedindo o gol do adversário. Ele foi punido com o cartão amarelo e, na cobrança, fez mais uma boa defesa. Mas o surrado ditado, "quem não faz, leva" prevaleceu e o Cruzeiro desempatou, aos 35min. Kelly, de novo, cobrando pênalti, cometido por Fabrício, que cortou cruzamento de Francismar com a mão.

CRUZEIRO 2 X 1 CORINTHIANS

Cruzeiro
Fábio, Jonathan, Marcelo Batatais (Edu Dracena), Irineu e Wagner; Maldonado, Fábio Santos, Adriano (Wando) e Kelly; Diego e Alecsandro (Francismar)
Técnico: Paulo César Gusmão

Corinthians
Fábio Costa, Eduardo Ratinho (Edson), Betão, Marinho e Gustavo Nery (Jô); Marcelo Mattos, Wendel, Fabrício e Hugo (Carlos Alberto); Tevez e Nilmar
Técnico: Antônio Lopes

Data: 2/11/2005 - quarta-feira
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Público: 22.874 pagantes
Renda: R$ 132.437,50
Árbitro: Wagner Tardelli (RJ)
Cartões amarelos: Gustavo Nery, Betão, Marcelo Mattos, Fabrício (Corinthians); Maldonado, Diego, Fábio (Cruzeiro)
Gols: Kelly, aos 41 minutos do primeiro tempo; Nilmar, a 1min, Kelly, aos 35min do segundo tempo

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