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Passarella não vingou.
23h33 04/12/2005

Timão foge à regra e leva taça com três técnicos

Corinthians troca treinador até quando estava na liderança e conquista o Brasileiro sob batuta de Passarella, Márcio e Lopes.

Marcius Azevedo, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - A manutenção do treinador sempre foi encarada como fundamental para um time ser campeão. O Corinthians provou com o título no Campeonato Brasileiro de 2005 que essa história não é uma regra, ou que realmente existe uma exceção.

O Timão se tornou o primeiro clube a conquistar o Nacional com três técnicos efetivos na mesma competição. No ano passado, o Santos havia sido campeão sob o comando de Emerson Leão e Vanderlei Luxemburgo.

Por interferência do iraniano Kia Joorabchian, o Corinthians começou o Brasileirão com Daniel Passarella. O argentino dirigiu o time de Parque São Jorge por apenas três jogos e foi demitido após levar 5 x 1 do São Paulo, no dia 8 de maio. À época, os torcedores até invadiram o gramado do Pacaembu para protestar.

Após dispensar Passarella, o Timão apostou no então auxiliar-técnica Márcio Bittencourt para assumir o time. O treinador estreou no dia 15 de maio, na vitória sobre o Atlético-PR por 2 x 1, na Arena da Baixada, e acabou efetivado alguns jogos mais tarde.

Márcio dirigiu o clube durante 23 partidas, com 15 vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Ele deixou o comando do Corinthians para Antônio Lopes assumir no dia 25 de setembro após derrotar o Flamengo e ficar no segundo lugar.

O ex-treinador do Atlético-PR estreou no Brasileiro no dia 2 de outubro, no Pacaembu, com uma vitória sobre o Brasiliense por 3 x 2, e levou o Corinthians ao título.

Para os dirigentes corintianos, a mudança foi fundamental. "Precisamos de um técnico mais experiente, com vivência no futebol. O Márcio fez um excelente trabalho, mas precisamos de algo mais para sermos campeões", afirmou o vice-presidente do Timão, Andrés Sanchez.

"A diretoria tem sua parcela de culpa na troca de treinadores. Acho até que tomamos algumas decisões erradas, mas contratar o Lopes foi fundamental", completou.

A contratação de Antônio Lopes também tem relação com o futuro. Kia vê no treinador o homem ideal para comandar o time na Copa Libertadores da América de 2006, afinal ele foi campeão com o Vasco em 1997 e vice neste ano com o Atlético-PR.

"Cada técnico que passou aqui deu a sua contribuição. O Passarella nos passou a sua experiência. O Márcio motivou o grupo e nos tirou do buraco. Já o Lopes concluiu, e bem, este excelente trabalho", discursou o zagueiro Betão.

Troca-troca natural
A frenética dança de técnicos neste ano - Tite também comandou o time em 2005 - não foi uma exclusividade apenas desta parceria. Os antigos parceiros do Corinthians também costumavam mexer muito no comando da equipe.

Com o Banco Excel Econômico, que ficou no clube de janeiro de 1997 a janeiro de 1999, o Timão teve cinco treinadores, ou uma média de 4,8 meses por técnico.

O HMTF, que começou a investir no clube de Parque São Jorge em abril de 1999, demitiu Evaristo de Macedo, que havia chegado em fevereiro, em maio. Quando o fundo de investimento norte-americano rescindiu sua parceria, em agosto de 2002, Carlos Alberto Parreira, hoje na seleção brasileira, era o sétimo técnico em 39 meses, uma média de cinco meses e meio por treinador.


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