18h32 15/08/2006
"Democracia" vira referência de Leão
Goleiro do Corinthians, que não se enquadrava no movimento comandado por Sócrates, em 1983, diz ser representante da torcida. Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Após 23 anos de ter sido o goleiro titular do time que foi campeão paulista de 1983 e consagrou a Democracia Corintiana, Emerson Leão retorna ao clube sem esconder que não se sentia representado pelo movimento. "Deixe saudade, mas não rastros", disse.
Mas o treinador não esconde que aquele momento histórico pode servir de exemplo para o atual momento da equipe, lanterna do Brasileirão mesmo tendo um elenco avaliado em mais de R$ 150 milhões.
Tratado pelo presidente Alberto Dualib como "velho sonho do Corinhtians", Leão chegou ao clube com pressa, mesmo comportamento que marcou sua passagem como jogador. "Hoje é sem demora porque ele precisa se apresentar ao elenco e iniciar o trabalho", anunciou o mandatário do clube.
De fato, Leão saiu direto do salão nobre em direção ao vestiário, onde teve o primeiro contato com o elenco do Corinthians. "Volto a um clube onde fui muito feliz como atleta, um passado de sucesso, onde talvez tenha atingido o melhor índice técnico da minha carreira. E mesmo não sendo obrigado a segui-la (a Democracia Corintiana), consegui o título de campeão, que era o mais importante", relembrou Leão.
E, apesar de admitir que não se considerava um membro do movimento, liderado por Sócrates, Casagrande e Wladimir, o novo técnico traçou um paralelo entre os dois momentos e destacou que a Democracia tinha pontos positivos que ele espera despertar do atual elenco.
"Tínhamos um bom ambiente de trabalho e a confiança de que iríamos vencer, porque o conjunto superava as estrelas que tinham no elenco", afirmou Leão, se referindo discretamente ao atual elenco, dinamitado por brigas em treinos, falta de espaço para todos "galácticos" na equipe titular e sem mostrar reação para deixar a última colocação no Brasileirão.
"Um elenco pode não ter ótimo relacionamento, mas uma ótima conduta profissional. Esperamos as duas coisas. Mas, se não for possível, que o profissionalismo fale mais alto", destacou Leão, que não perdeu a oportunidade de elogiar a torcida corintiana, mesmo sinalizando que não se sente confortável com a postura normalmente adotada pela principal organizada do clube, que costuma pedir reunião com técnicos e jogadores em momentos de crise, como aconteceu recentemente.
"A torcida, antes de mais nada, quer um funcionário que trabalhe o máximo possível e que seja um representante do torcedor. E eles podem ficar tranqüilos, que serei este representante. Vou cobrar (o time) como eles cobram", sentenciou Leão.
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