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Leão: no controle
18h05 27/10/2006

Timão quer 'corrigir' MSI e desfalcar rival

Leão mantém críticas aos investidores do clube e admite problemas para contratar, mas se interessa pelo meia Danilo.

Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - Os conflitos entre Corinthians e MSI, que teoricamente pareciam ter cessado após Alberto Dualib voltar de Londres satisfeito com as contratações de César, Magrão e Amoroso, não vão ter fim. Principalmente se depender do técnico Emerson Leão, defensor ferrenho do presidente do clube na relação com o parceiro Kia Joorabchian.

O técnico vem sistematicamente enfatizando seu apoio a Dualib, ao mesmo tempo que dá indiretas em direção a Kia, a quem nunca encontrou desde sua contratação, em agosto, feita por decisão exclusiva do presidente e sem aval da MSI. O episódio se tornou mais um dos pontos de discórdia entre as partes, que em dezembro de 2004 assinaram um contrato de dez anos de parceria.

TRICOLOR: EXEMPLO E ALVO
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Emerson Leão não vem tratando o São Paulo apenas como um modelo bem-sucedido para a contratação de jogadores. O técnico do Corinthians também não esconde que o rival pode ser uma fonte de reforços para sua equipe.

Acostumado a contratar jogadores que estão com contrato a vencer, o São Paulo corre o risco ao final de 2006 de provar do próprio veneno, já que Fabão, Mineiro, Danilo e Thiago podem se transferir sem que o clube receba nada em troca.

"O São Paulo é adversário, mas as coisas boas devem ser seguidas", elogia Leão, que na seqüência dá um sinal claro: "Tem muitos jogadores do São Paulo que ficarão sem contrato. Mas pena que alguns jogadores vão para o exterior", disse o técnico, que declarou a amigos próximos que Mineiro, que o interessa, deve seguir para um clube de fora do país, apesar do São Paulo negar.

"Mas para o Corinthians, hoje, eu prefiro o Danilo", disse Leão, que parece não ter ouvido a opinião do meia são-paulino, que já recebeu uma proposta e pediu até o final do ano para dar sua resposta.

"Na minha profissão, acho que o melhor ao trocar de clube é sempre mudar para um time melhor. Não adianta sair para um lugar pior. O São Paulo, na minha opinião, é o melhor time do Brasil para jogar e, aqui, só jogo no São Paulo. Para outros clubes do Brasil, no momento, não existe possibilidade (de me transferir)".
O mais novo fator de desequilíbrio entre Corinthians e MSI é a posição que Leão começou a adotar mais claramente depois da vitória contra o Palmeiras, a segunda consecutiva da equipe e que foi capaz de afastar mais um pouco o risco de rebaixamento. O técnico, mesmo ressaltando que "meu foco são as sete últimas partidas", já tem um planejamento para 2007.

E o principal objetivo do técnico passa por mais um ataque a Kia e a MSI. Posição bem diferente da adotada por ele próprio no ano passado, quando era técnico do Palmeiras e manifestava certa admiração pelo poder de compra exercido pelo Corinthians, campeão brasileiro de 2005 com jogadores como Tevez, Nilmar e Carlos Alberto, todos bancados pela parceira e que, por razões distintas, não atuam pela equipe.

"Toda a semana o Corinthians contratava um atleta. Era época em que o investidor estava em fase de investimento. Todo dia tinha apresentação, às vezes até três jogadores por dia. Depois vem a época da manutenção, e mais tarde a correção. E agora chegou essa época", afirmou Leão, citando que vai ter papel decisivo na reestruturação da relação do clube com a MSI, mesmo que a parceira, nos bastidores, deboche da posição do técnico, a quem considera sem condições de fazer o planejamento de uma equipe.

A MSI, por sinal, antecipou a cúpula corintiana que "acabou a loucura", mencionando o rombo de US$ 20 milhões registrados desde o início da parceria. E que o orçamento de 2007 não ultrapassará R$ 72 milhões, a evitar o que vem se registrando ultimamente, com déficit mensal de cerca de R$ 2 milhões no departamento de futebol.

E não é por outra razão que Leão fala em "correção financeira". O técnico já foi avisado por Alberto Dualib que o volume a ser investido em 2007 será bem menor do que o Corinthians se acostumou nos últimos dois anos. Por isso, já tem alternativas. "Pode ser com troca ou dentro daquilo que se possa imaginar", diz o técnico, já com um plano de ação: "Não sei se o dinheiro vai chegar no clube, mas se saiu, tem de entrar alguém", declarou, citando as saídas de jogadores do elenco.

Um trabalho prático visando melhorias para 2007 está sendo desenvolvido. Leão revelou que, assim como faz o São Paulo, tem em sua mesa uma lista com o nome de todos os jogadores dos principais clubes do futebol brasileiro. E é daí que o clube vai descobrir quais atletas estarão com contrato a vencer para serem adquiridos sem a necessidade de pagamento de multa e apenas com o pagamento de salário como gasto.

"Hoje, informação não atrapalha em nada, só ajuda", diz o técnico, que, no entanto, quer evitar que o planejamento de 2007 desvie a atenção para a atual situação do Corinthians no Brasileirão.

"Meu planejamento hoje é para 2006, para melhorar o Corinthians como estamos conseguindo. Mas para 2007 vamos fazer uma reunião para definir o rumo, e alguma coisa já fizemos. Porque trabalhamos, só não falamos que estamos trabalhando", diz o técnico.


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