14h07 30/10/2006
Timão usa novatos, e Leão evita passado
Desfalques rendem chance para três juniores no Corinthians, e técnico agora aproveita base que não aproveitou no Palmeiras. Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - O aproveitamento de jogadores da categoria de base poderia levantar memórias agradáveis para Emerson Leão, técnico que apostou em revelações como Diego e Robinho para o Santos conquistar o Brasileirão de 2002. O fato de desprezar a utilização de novatos no Palmeiras, porém, faz o técnico se irritar quando a escalação de jovens em sua atual equipe, o Corinthians, só acontecem como última opção.
A série de baixas sofridas pelo Corinthians desde a sua chegada forçou o técnico a utilizar três jogadores dos juniores do clube no treino coletivo desta segunda-feira. O técnico, que na última semana não havia realizado o treinamento desejado por ter apenas 19 jogadores à sua disposição.
Já testados em 2005, o meia-atacante William e o atacante Daniel foram testados na equipe reserva, assim como o lateral-direito Fagner, que nunca havia treinado entre os profissionais.
"Os três mostraram habilidades, são muitos jovens e têm baixa estatura. Mas não se inibiram no coletivo, e isso já é uma handicap favorável", declarou Leão, citando Fagner -camisa 35, 17 anos e 1,69m-, William, camisa 30, 18 anos e 1,75m- e Daniel -camisa 33, 20 anos e 1,73m.
A presença de jogadores revelados na base, porém, tem sido algo raro na recente trajetória de Emerson Leão. Desde a sua chegada, o técnico não havia promovido nenhum atleta dos juniores, mesmo com as dificuldades causadas pelas baixas no elenco, que já ficou sem Mascherano e Tevez, negociados, e Carlos Alberto e Nilmar, em situações indefinidas, sem contar as suspensões e as lesões.
"Quem perde tantos jogadores de qualidade como perdemos tem de saber que o rendimento vai cair, mesmo", avalia Leão, que lembrou da sua carreira como jogador para cobrar um bom aproveitamento do trio, que já entrou na lista de relacionados que embarcarão nesta segunda para o jogo contra o Fortaleza, na quarta.
"Entrei no Comercial-SP por necessidade e aproveitei a oportunidade, e espero que ocorro o mesmo com eles", diz o técnico, que não escondeu a irritação quando perguntado se gosta de evitar o trabalho com jogadores da base, como aconteceu no Palmeiras. Leão foi sucinto, se limitou a um seco "não" e encerrou o assunto.
Em seu ex-clube, o técnico não deu oportunidades a jogadores como Ilsinho, que se disse desprestigiado antes de se transferir para o São Paulo, e Francis e Wendel, que viraram titulares logo depois que Leão deixou o comando do Palmeiras.
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