Quando o Cruzeiro surgiu no futebol mineiro, nos anos 20, a cena era dominada
por América e Atlético. E o Cruzeiro era na verdade o Palestra, um fruto
da colônia italiana que queria formar um time com uma cara mais popular.
O Palestra veio e abalou as montanhas de Minas Gerais, conquistando títulos
e se firmando como uma importante força no futebol do Estado. A década de
40 viu a mudança de nome de Palestra para Cruzeiro, por causa da Segunda
Guerra Mundial. Em seguida, o clube mergulhou numa crise e parou de investir
no futebol. Mas quando a torcida voltou a sorrir, percebeu que a espera
valera a pena.
O Cruzeiro dos anos 60, com o futebol-arte de Tostão e Dirceu Lopes, foi
uma das maiores equipes que o Brasil já viu. Desde então, o Cruzeiro conquistou
a América duas vezes, foi rei na Copa do Brasil e se firmou como uma potência
do futebol brasileiro. Potência que ainda deu ao mundo o jovem Ronaldo,
o futuro Fenômeno do futebol mundial. O sonho dos italianos dos anos 20
virou mesmo realidade.
No início do século XX, a colônia italiana de Belo Horizonte tentava, sem sucesso, formar um time de futebol que pudesse disputar os torneios locais. Várias tentativas foram feitas e todas acabaram em frustração. Foi o caso do Americano Football Club (1907) e do Scratch Italiano (1916), que chegaram a ser fundados mas não completaram, sequer, um ano de vida. Pouco depois, foi a vez do Palestra Brazil (1918), que nem chegou a ser implantado, ficando apenas no projeto.
Em 1920, aproveitando a presença do cônsul italiano na capital mineira,
alguns desportistas da colônia levaram-lhe a idéia da criação do clube,
nos mesmos moldes do Palestra Itália, de São Paulo, o atual Palmeiras. A
resolução foi acertada depois que algumas das principais famílias italianas
se prontificaram a participar do projeto de fundação do clube, que deveria
representar a colônia em Belo Horizonte. A reunião foi marcada para o dia
2 de janeiro de 1921. Na fábrica de materiais esportivos e calçados de Agostinho
Ranieri, situada à rua dos Caetés, ficou decidida a fundação do clube que
deveria fazer frente aos três grandes da capital: Atlético Mineiro, América
e Yale. Nascia, naquele momento, a Società Sportiva Palestra Itália, criada
pelos presentes
com escudo e uniforme que faziam referência às cores italianas, e cuja inscrição
SSPI seria gravada no centro do escudo. Outra definição acertada era que
apenas membros da colônia italiana poderiam vestir a camisa do time.
O Palestra surgia como o representante do povo, já que Atlético e América
eram de bases ligadas à alta sociedade. O novo clube tinha, na sua maioria,
membros ligados à agremiação dos trabalhadores. A implantação do Palestra
Itália foi rápida. Primeiro, o clube se inscreveu na Liga Mineira de Desportos
Terrestres (LMDT), para participar do campeonato local, ainda no ano de
1921. A formação do quadro de jogadores foi mais fácil do que se esperava,
pois alguns atletas do Yale - time com certa predominância de italianos
- se transferiram para o novo clube, logo que souberam da sua criação. Três
meses depois de fundado, o Palestra realizou a sua primeira
partida, no estádio do Prado Mineiro, enfrentando um combinado entre
Villa Nova e Palmeiras, times de Nova Lima. O atacante João Lazarotti, conhecido
por Nani, marcou os gols que deram a vitória ao Palestra.
A primeira conquista do Palestra veio duas semanas após a partida de estréia, quando enfrentou o Atlético, em partida promovida pela Associação Mineira de Cronistas Desportivos (AMCD). Apesar de todos acharem que o Atlético pudesse vencer facilmente, o Palestra surpreendeu e sapecou um 3 x 0, conquistando a medalha de ouro oferecida pela AMCD. Os gols palestrinos foram marcados por Attílio (2) e Nani. Esse resultado fez com que o Palestra, em seu primeiro ano de vida, começasse a sofrer discriminação por parte de dirigentes do futebol mineiro. Em um campeonato oficial, a primeira participação do clube aconteceu no Mineiro de 1921. Depois de passar por uma seletiva, o Palestra conseguiu chegar à fase final, jogando contra os considerados "grandes".
Com apenas um ano de vida, o Palestra já tinha o seu hino,
composto em maio de 1922 por Arrigo Buzzachi e Tolentino Miraglia.
Em 1922, o clube já tinha comprado um quarteirão inteiro da Prefeitura por
cerca de 50 mil réis. A idéia era erguer o próprio estádio, no Barro Preto,
que ficaria pronto naquele ano mesmo, depois que outros investimentos totalizaram
a marca de 28 mil réis. O adversário na estréia do estádio foi o Flamengo.
A partida foi marcada
para o dia 23 de setembro, próximo à comemoração do dia nacional da
Itália (20/9). O time mineiro, que tinha em sua linha de frente, formada
por Piorra, Nani, Heitor, Ninão e Armandinho, a sua grande arma, foi reforçado
por três atletas do Palestra Itália de São Paulo: o zagueiro Gasparini,
o meio-campista Severino e o atacante Heitor. O jogo foi equilibrado e terminou
com o empate em 3 x 3, o que valeu ao visitante a Taça XX de Settembre.
Os gols da equipe mineira foram de Ninão (2) e Heitor, enquanto Benevenuto,
Agenor e Mário anotaram para os cariocas.
1924
- 1930 Surgem os Fantoni
A trajetória do Palestra já era surpreendente até então, e o primeiro título
mineiro não demorou a chegar, embora tenha ocorrido de um modo confuso.
Em 1926, o clube aceitou um convite para fazer um amistoso em Caçapava (SP),
contra o Caçapavense, no mesmo dia de sua estréia no certame regional. A
falta ao jogo em Minas Gerais valeu ao Palestra uma suspensão de seis meses
da Liga mineira, que inviabilizou a disputa do campeonato de 1926. Sem se
intimidar, os dirigentes do clube solucionaram o problema com a criação
de uma outra Liga, que organizou o próprio campeonato. No
final do ano, o estadual teve dois vencedores, o Atlético por um lado
e o Palestra pela outra Liga.
A Liga criada pelo Palestra ganhou o reconhecimento da CBD. Ao ver que os
dirigentes do clube não voltariam atrás, a LMDT recuou em 1927, depois de
ameaçar tirar banir o Palestra, e repatriou a equipe do Barro Preto, que
exigiu a inclusão dos clubes integrantes da AMET no campeonato.
Na verdade, os rivais América e Atlético perceberam que a ausência do Palestra
no campeonato de 26 e seu possível afastamento também em 27 não seria bons
para o futebol mineiro. Passaram, assim, a pressionar a LMDT a reincluir
o time do Barro Preto em seus quadros. O principal motivo da atitude de
atleticanos e americanos estava no fato de o estádio do Palestra ser o grande
palco do futebol estadual da época. Enquanto torcedores alvinegros e alviverdes
se espremiam para ver os seus times, os palestrinos contavam com um estádio
maior e mais aconchegante para assistir às partidas de sua equipe.
A importância do Palestra passou a ser tanta que Atlético e América passaram
a se aproveitar da influência que tinham dentro dos poderes públicos da
cidade e do Estado para contratar jogadores, oferecendo-lhes residência
e empregos na rede pública. Os dirigentes palestrinos, atentos às reformulações
nos elencos atleticano e americano, tratou de fortalecer seu plantel trazendo
jogadores do Palestra paulista. A rivalidade fez com que a colônia formasse
um timaço, que viria a conquistar o tri-campeonato em 1928, 1929 e 1930,
com um ataque arrasador e a consagração do artilheiro Ninão.
O título de 1928 veio pela primeira vez com confrontos diretos com Atlético
e América. Mas o campeonato só foi definido em abril de 1929, quando o Palestra
recuperou o título, que havia sido repassado para o Atlético devido a uma
irregularidade com o atleta Carazzo, vindo do Palestra paulista. Tudo não
havia passado, no entanto, de armação de um dirigente corintiano, descoberta
bem depois. Em 1929 e 1930, quando beliscou o primeiro bi e depois o tri-campeonato,
o time não perdeu nenhuma partida, vencendo os canecos de maneira invicta.
Na conquista do bi, em 1929, um sócio do clube teve a idéia de expor, na
vitrine da sede do clube, a bola do último jogo do torneio, com o placar
da partida gravado sobre o couro (Palestra 5 x 2 Atlético).
Aquela foi uma época de ouro, em que se destacaram dois atacantes, Ninão
e Nininho. Além da qualidade técnica, tinham em comum o sobrenome Fantoni,
o que não era coincidência: os dois eram primos. João Fantoni, ou simplesmente
Ninão, foi o primeiro grande ídolo do Palestra, alcançando a marca de 163
gols em 130 jogos. A dupla de Fantonis partiria depois para a Itália, mas
um terceiro jogador da família também faria história no clube.
1931 - 1936 Tempos modestos
Um ano após a conquista do tri-campeonato mineiro, o Palestra perdeu os
jogadores Ninão e Nininho, que se transferiram para o futebol
europeu, além de outros cinco astros da máquina que empolgara a torcida
na recente façanha: Nereu e Rizzo haviam pendurado as chuteiras, Pires retornou
para Nova Lima, Carazzo foi para o futebol paulista, e o zagueiro Bento
morreu. Surgia então um novo Fantoni, o atacante Niginho, irmão de Ninão
e primo de Nininho, que havia participado do time anterior, mas só agora
ganharia a condição de titular.
Em 1933, o profissionalismo chega ao futebol. O Palestra, bem enfraquecido,
não conseguia repetir o sucesso do final da década de 20, quando tinha um
timaço. As suas estrelas se limitavam ao goleiro Geraldo Cantini e aos atacantes
Piorra, Bengala e Armandinho. Niginho também se transferiu para a Lazio,
onde atuou até
1935. Com a sua ausência, o Palestra via seu futuro restrito a apenas
um jogador: o atacante Ítalo Fratezzi, conhecido por Bengala.
1937 - 1942 O fim da Era Palestra
A má fase palestrina só teve fim no ano de 1940, quando o time voltou a conquistar o título mineiro. Após muita confusão durante a competição, o time decidiu o campeonato com o Atlético, já em 41, numa melhor de três. O Palestra venceu a primeira partida por 3 x 1, e o Atlético deu o troco, fazendo 2 x 1 no segundo jogo. No terceiro e último duelo, Nibinho e Alcides fizeram os gols que garantiram a vitória por 2 x 0 e o título do Campeonato. Esta seria a última partida do time com o nome de Sociedade Esportiva Palestra Itália.
Com a Segunda Guerra Mundial, em 1941, o governo brasileiro declarou guerra
aos países do Eixo (Alemanha, Japão e Itália). O Palestra e tudo mais ligado
à alguma dessas nações vivia sob um clima de tensão. O estádio do clube
sofreu ameaça de ser incendiado, salvando-se graças à intervenção da Polícia
Militar. No início de 1942, a situação ficou insustentável, e o Palestra
teve o mesmo destino do seu homônimo paulista: foi obrigado a mudar de nome,
pois o governo federal decretou uma lei proibindo o uso de termos que fizessem
referência a algum dos países do eixo. O clube mudou
de nome três vezes, até chegar ao nome atual: Cruzeiro Esporte Clube.
Em 17 de dezembro de 1942, Mário
Grosso foi eleito pelo Conselho para presidente do Cruzeiro (era o primeiro
desde o surgimento do novo nome). O
primeiro jogo da equipe com o nome Cruzeiro aconteceu no final de 1942,
diante do América. O nome deu sorte, e o Cruzeiro venceu por 1 x 0, gol
de Ismael.
1943 - 1945 O estádio JK
Apesar da estréia do nome Cruzeiro ter sido no final de 1942, foi só em 1943 que o time passou a usar o novo uniforme: camisas azuis, com golas brancas, calções brancos e meias em azul e branco. O símbolo agora era a Constelação do Cruzeiro do Sul. A estréia deu-se num amistoso diante do São Cristóvão, do Rio de Janeiro.
O time cruzeirense sofreu muitas mudanças desde o título de 40: Caieira, Geninho, Geraldino e Bibi foram para o Botafogo-RJ, mas surgiram novos valores como o zagueiro Azevedo, Adelino, Ismael e Juvenal, entre outros. Além dos novos atletas, continuavam no elenco grandes jogadores, como Alcides e Geraldo II. O novo time era melhor que o anterior e conquistou o título do Campeonato Mineiro de 43, o primeiro da Era Cruzeiro. Em 1944 e 1945, voltou a ficar com a taça, sagrando-se novamente tricampeão.
Em 1º de julho de 1945, o Cruzeiro estréia seu novo estádio. O estadinho
havia sido reformado, durante quatro meses, por associados, diretores, jogadores
e alguns cruzeirenses anônimos, ganhando novos vestiários, arquibancadas,
gerais, tribuna de honra, tribuna de imprensa e túnel para saída de jogadores
sem a interferência do público. O gramado também sofreu alterações, com
a implantação do novo sistema de drenagem. O jogo de inauguração
do estádio Juscelino Kubitschek, nome dado em homenagem ao então prefeito
de Belo Horizonte, foi contra o Botafogo: empate em 1 x 1, com gols de Niginho
para o Cruzeiro e Heleno de Freitas para o alvinegro.
No dia 21 de novembro do mesmo ano, foram inaugurados os refletores do estádio. O Cruzeiro recebeu o América-RJ e não foi exatamente um bom anfitrião, goleando os cariocas por 4 x 0, com 3 gols de Braguinha e um de Niginho.
1946 - 1952 Tempos de crise financeira
A partir de meados da década de 40, após os títulos de 1943, 1944 e 1945,
o Cruzeiro entrou numa grave crise financeira, mergulhado num mar de lama.
O time não conquistava títulos e, quando os conquistava, o clube não tinha
como pagar os bichos prometidos, tampouco recursos para segurar os atletas
que se destacavam. Um grupo de jovens, preocupados com o alargamento da
crise, criou a Ala Jovem, que vinha requerer uma participação mais ativa
junto à diretoria. O difícil para esses jovens era como atuar muito perto
da direção do clube. A solução encontrada, que parecia poder ajudar o Cruzeiro
a sair do fundo do poço, era a prática de esportes
especializados.
Mas, apesar do fortalecimento de outros esportes, é claro que o futebol do Cruzeiro continuou na ativa, participando dos campeonatos estaduais, porém sem grandes conquistas. O destaque do time dessa vez não estava no ataque, mas no gol: era o experiente goleiro Geraldo II.
1953 - 1960 Criação da Sede Social
Depois do sucesso do chamado esporte especializado do Cruzeiro, o pessoal
do futebol passou a dar importância à Ala Jovem, permitindo que seus membros
entrassem para o Conselho Deliberativo do clube. Em meio à crise financeira,
a presidência cruzeirense ficou vaga, com a saída de José Greco. Não aparecia
nenhum interessado em assumir o comando, até que, depois de dez reuniões,
Wellington Armanelli foi eleito e aceitou o cargo, logo transferido para
José Francisco Lemos Filho. A Ala Jovem, atuando dentro do clube, dava início
ao projeto de construção de uma Sede Social para o Cruzeiro, com a ajuda
novamente da Loteria do Estado, que havia liberado verba para a construção
do prédio. O benefício, porém, acabou sendo suspenso, pois o acerto inicial
de contas não foi feito. O presidente José Francisco fez um apelo a dois
cruzeirenses fornecedores de materiais de construção: Jerônimo Corte Real
e Othon de Carvalho. Com o aval de outros dois homens de expressão do clube
- Josias de Faria e Miguel Morici -, foi possível pagar o que devia à Loteria
do Estado e reiniciar a construção da Sede Social. No final de 1954, a construção
da Sede Social do Barro Preto foi finalizada, já no mandato de Eduardo Bambirra
(terceiro presidente do clube em 54). Confirmando os planos da Ala Jovem,
a Sede Social veio como uma salvação para o clube. Com ela, o número de
associados passou de duzentos para dois mil. A crise
não havia ainda sido solucionada, mas já era um bom indício de que as coisas
poderiam estar mudando para os cruzeirenses.
Para o Campeoanto Mineiro de 1956 foi possível montar um bom time. A competição só teve início em agosto e se arrastou até junho de 1957. O Cruzeiro, desde o início, protestava contra a escalação do atleticano Laércio. O clube alegava que ele não tinha o visto de reservista e havia sido inscrito por meio de uma fraude. O Atlético insistiu em escalar o jogador e, com ele em campo, conseguiu bater a equipe cruzeirense na partida final por 1 x 0. Esse jogo, porém, foi anulado pela Federação Mineira de Futebol, que marcou outra data para a realização da decisão, o que não foi aceito pelo Atlético. No final das contas, o Cruzeiro acabou reconquistando o título de campeão mineiro, que não obtinha desde 1945. Mas tudo acabou, no final, em pizza. Apesar de ter sido declarado campeão de 1956 pela Justiça, em 1958 o Cruzeiro aceitou dividir o título com o ainda inconformado Atlético.
Entre os campeões cruzeirenses, estavam o goleiro Mussula e os atacantes Nilo e Raimundinho.
Duas facções passaram a disputar o poder no Cruzeiro, no final dos anos
50. Uma corrente era a do Barro Preto, formada por pessoas ligadas ao esporte
especializado. A outra era dos chamados oriundi, onde sobressaíam Antonino
Pontes, Hélio Volpini, Carmine Furletti e Felício Brandi, homens ligados
ao futebol do clube. No final, as duas alas acabaram unidas, com Antonino
Pontes assumindo a presidência. O time foi reformulado, recebendo jogadores
vindos do interior e da várzea, casos dos zagueiros Procópio e Massinha,
do meia-direita Nelsinho e do atacante Gradim, entre outros. O Cruzeiro
conquistou o título de 1959. Em 1960, estreando um novo
uniforme, com pequenas modificações, o Cruzeiro conquistou o bicampeonato.
1961 - 1964 Começa a era Brandi
Em 1961, Felício Brandi assume a presidência do clube, em substituição a Antonino Pontes. O time, até então conhecido nacionalmente, passaria a se notabilizar no cenário internacional. Esse era, por sinal, o plano de Brandi. Já no primeiro ano no comando do clube, o presidente viu seus atletas conquistarem mais um tricampeonato para a história cruzeirense. O time havia perdido duas peças importantes, Procópio (negociado com o futebol paulista) e Hilton Oliveira (foi para o Rio de Janeiro), mas contratou três reforços: o meiocampista Orlando, o atacante Tião e o lateral-esquerdo Geraldino.
Enquanto o time celeste conquistava o tricampeonato em 1961, a diretoria procurava aumentar o espaço da sede social. A construção da sede Campestre foi feita com a venda de cotas que garantiram o início das obras. A inauguração ocorreu em 1961. O clube havia ganho um terreno da Prefeitura no final dos anos 40 e ainda não construíra nada no local. A primeira idéia foi erguer um novo estádio, mas os altos custos não colaboraram. A solução encontrada foi a construção de uma Sede Campestre, por meio da venda de cotas. Em 1961, a primeira parte da Sede Campestre ficou pronta, já com 4 000 associados.
Em 1964, começou a ser formado o maior time do Cruzeiro de todos os tempos, que mais tarde viria a conquistar diversos títulos importantes. O sonho do presidente Felício Brandi era o de transformar o Cruzeiro em uma equipe tão forte e competitiva quanto o Santos de Pelé. Naquele ano de 64, chegaram ao Cruzeiro o zagueiro William e o meia Hilton Chaves, que pertenciam ao América, e o jovem Wilson Piazza, do Renascença. O lateral Pedro Paulo estava subindo das categorias de base, assim como Tostão e Dirceu Lopes começavam a despontar. O técnico Marão foi responsável pela descoberta de muitos craques, mas foi substituído por Aírton Moreira, depois que o seu time fracassou no Estadual daquele ano. Aírton foi testando os jogadores e montando a fabulosa equipe que pouco tempo depois escreveria as mais belas páginas do Cruzeiro no mundo do futebol brasileiro e internacional.
1965 - 1969 Rumo à glória
A partir de meados da década de 60, mais precisamente 1965, o Cruzeiro começa a surgir no cenário nacional e internacional como uma grande potência. A história do clube pode ser dividida entre antes e depois daquele ano. O curioso é que essa data permite também a divisão da história do futebol mineiro, pois também em 1965 é inaugurado o estádio José de Magalhães Pinto, o Mineirão. O Campeonato Mineiro de 1965 teve início no mês de julho, dois meses antes da inauguração do Mineirão. Até então, o Cruzeiro não havia engrenado e fazia uma campanha irregular no certame. Depois da inauguração, tudo mudou. Como que inspirado no novo estádio, o time se transformou, passando a desfilar um futebol empolgante. O título foi conquistado de forma convincente. Começava a surgir o timaço das estrelas celestes.
A diretoria cruzeirense, trabalhando em sintonia com o time campeão de 1965,
investiu ainda mais para a temporada de 66, fortalecendo a equipe. Trouxe
o zagueiro Cláudio, que atuava no Grêmio, o atacante Evaldo, jogador do
Fluminense, e o goleiro Raul, até então um mero reserva do São Paulo. Raul
foi para o Cruzeiro graças à negociação do colega Fábio, que saira transferido
para Tricolor paulista. O presidente Felício Brandi recebeu informações
sobre o goleiro reserva do Morumbi e, por meio de uma ligação
para Vicente Feola, responsável pelo futebol do São Paulo, acertou a contratação
do jovem goleiro.
O ano de 1966 foi de grande alegria para o torcedor cruzeirense. Primeiro
veio a conquista do bicampeonato mineiro. O Cruzeiro sobrou no estadual,
conquistando o título com duas rodadas de antecedência. Teve o melhor ataque,
a melhor defesa e os artilheiros da competição: Tostão e Dirceu Lopes marcaram
18 gols cada e dividiram a artilharia. Foi também nesta época que a torcida
azul começou a se multiplicar.
Com o time que tinha, a conquista do certame regional era pouco para o Cruzeiro,
que queria mais. O clube fez uma ótima campanha
na Taça Brasil até chegar às finais, quando enfrentaria o temível Santos.
Mostrando um futebol excepcional, que envolveu todo o país, a equipe celeste
não deu mole para o time de Pelé. Na primeira
partida, o Cruzeiro arrasou os paulistas, fazendo um surpreendente 6
x 2 no Mineirão. O primeiro passo já havia sido dado, mas havia ainda o
jogo em São Paulo. Em caso de vitória santista, uma terceira partida decidiria
o torneio, também em São Paulo. Os garotos cruzeirenses precisavam arrancar
ao menos um empate na Terra da Garoa para ficar com a Taça. Após perder
o primeiro tempo por 2 x 0, o Cruzeiro se recuperou na segunda etapa. Surpreendeu
a todos, fazendo 3 x 2, com Tostão ainda perdendo um pênalti. Os gols dos
mineiros foram marcados por Tostão, Dirceu Lopes e Natal, enquanto Pelé
e Toninho fizeram para o time da casa. O título ficou com os mineiros, depois
de um histórico show de bola cruzeirense.
Depois das conquistas de 66, o time e a trocida celeste continuaram crescendo, tornando cada vez mais difícil a missão atleticana de reconquistar a condição de o maior de Minas. O Campeonato Mineiro de 1967 foi um dos mais disputados da década, com o Atlético chegando a abrir cinco pontos na frente da Raposa, que se recuperou no final e conseguiu terminar a primeira fase empatada com o seu grande rival. A decisão do Estadual aconteceu no início de 1968 e colocou frente a frente os dois mais tradicionais times do Estado. Pela primeira vez, Atlético e Cruzeiro faziam uma final no Mineirão. Com duas vitórias incontestáveis (3 x 1 e 3 x 0), o Cruzeiro chegava novamente ao título, como já acontecera nos dois anos anteriores. O time de Tostão, Dirceu Lopes e companhia voltava a fazer o Cruzeiro tricampeão Mineiro.
Após conquistar o tricampeonato pela quarta vez, o Cruzeiro entrava no certame regional de 1968 com um tabu a ser quebrado: a conquista do tetra. A base dos últimos anos havia sido mantida, e a equipe ainda recebeu alguns reforços, como o atacante Rodrigues, vindo do Flamengo, e o meia Zé Carlos, que mais tarde se tornaria um dos grandes craques do time do Cruzeiro de todos os tempos. Outra mudança estava no banco, com Orlando Fantoni assumindo o comando técnico da equipe, em substituição a Aírton Moreira. Com uma campanha invicta, a barreira do tão sonhado tetracampeonato foi quebrada sem maiores dificuldades. O Cruzeiro reinava em Minas Gerais, não dando chances ao rival alvinegro. Em 1969, mais um título invicto. Em 30 partidas, o Cruzeiro venceu 26 e empatou 4, sagrando-se pentacampeão Mineiro.
1970 - 1975 O time dos sonhos
A década de 70 começou com o Cruzeiro perdendo a hegemonia no Estado. Depois da conquista do pentacampeonato de 1965 a 1969, o time foi superado nos campeonatos de 1970 e 1971. Mesmo assim, a equipe não perdeu a sua força, pois contava agora com com a habilidade de Palhinha, Nelinho, Joãozinho, Roberto Batata e um reforço argentino, considerado um dos melhores zagueiros do mundo: Roberto Perfumo. O Cruzeiro recuperou seu prestígio em Minas Gerais, vencendo a maior competição do Estado novamente em 1972, 1973 e 1974, mais um tricampeonato.
Enquanto a equipe cruzeirense conquistava os títulos estaduais, a diretoria
tratava de engrandecer ainda mais o clube. A intenção do presidente Felício
Brandi de fazer do time um dos melhores do país já era realidade, mas nem
por isso se dava por satisfeito. No dia 3 de fevereiro de 1973, foi inaugurada
a Toca da Raposa,
o mais completo e moderno centro de treinamentos do Brasil. Com a inauguração
da Toca, o Cruzeiro foi o primeiro clube mineiro a organizar um departamento
médico especializado para dar assistência aos jogadores de futebol. Em 1974,
o Cruzeiro chega pela primeira vez à final do Campeonato Brasileiro. O adversário
na final foi o Vasco da Gama, que acabou saindo vencedor. O tetracampeonato
Mineiro em 1975, quando a equipe jogou parte da competição com o Expressinho
da Vitória, um time misto, viria novamente dar alegria aos torcedores azuis.
E a equipe chegou outra vez à final do Brasileiro, perdendo novamente, desta
vez para o Internacional de Porto Alegre.
1976 - 1982 A conquista da América
O vicecampeonato no Brasileiro de 1975 rendeu ao Cruzeiro mais uma participação
na Taça Libertadores, no ano seguinte. Pela terceira vez, a equipe mineira
chegava ao mais tradicional torneio das Américas. Com uma campanha
impecável, o Cruzeiro atropelou seus adversários e chegou à decisão contra
o River Plate, da Argentina. As duas partidas previstas para a final terminaram
com as equipes empatadas, e brasileiros e argentinos voltaram a se enfrentar,
num terceiro jogo, em campo neutro, realizado em Santiago
(Chile). O Cruzeiro sagrou-se campeão, proporcionando à torcida a maior
alegria desde a fundação do clube, nos longínquos anos 20. O título da Libertadores,
dedicado ao atacante Roberto
Batata, veio coroar o trabalho do presidente Brandi, que fez do Cruzeiro
um celeiro de craques desde a década de 60.
Passada a alegria do título da Libertadores, era hora de pensar na disputa do título mundial. O Cruzeiro enfrentou o alemão Bayern Munique. A primeira partida foi na Alemanha, em pleno inverno, e os mineiros acabaram não resistindo ao jogo dos europeus. O Bayern, de Beckenbauer, Müller, Rummenigge e Mayer, foi superior e fez 2 x 0. No jogo de volta, realizado no Mineirão para quase 115 mil pessoas, o Cruzeiro pressionou sem conseguir vencer o goleiro Seep Mayer, o maior do mundo na época. O placar de 0 x 0 deu o título aos alemães, e a tristeza tomou conta da frustrada torcida.
Em 1977, o Cruzeiro teve que se contentar com o título mineiro. Voltado somente para o Estadual, o "scratch" azul e branco tinha pela frente mais uma vez o rival alvinegro. O Atlético era dono de um elenco forte, e as dificuldades aumentaram com o desânimo pela eliminação na Libertadores. A força atleticana foi comprovada na primeira partida, com o placar de 1 x 0, mas o Cruzeiro não se entregou e buscou a recuperação no segundo jogo. Venceu por 3 x 2, de virada, com três gols do atacante Revetria. No terceiro e decisivo duelo, a Raposa provou que não estava morta e fez 3 x 1, na prorrogação.
A grande máquina do Cruzeiro chegou ao fim no crepúsculo dos anos 70 e início da década de 80. Os jogadores foram se debandando. Palhinha, Jairzinho e o treinador Zezé Moreira já haviam saído depois da conquista do Mineiro de 1977. Raul foi vendido ao Flamengo, mesmo ano que o Guarani levou Zé Carlos. No início de 1980 só restavam no time Joãozinho e Palhinha, que retornara do futebol paulista. O fim do supertime aconteceu, coincidência ou não, quando o presidente Felício Brandi foi substituído por Carmine Furletti, em 1982. Brandi saiu com a missão cumprida. Neste momento, o Cruzeiro era reconhecido como uma potência mundial.
1983 - 1990 Poucos títulos: uma fase difícil
O Cruzeiro já estava havia seis anos sem conquistar o Campeonato Mineiro, quando em 1984 venceu os dois turnos e ficou com a Taça, evitando as finais. O ano de 1984 foi também aquele em que a família Masci assumiu o comando do clube, com a posse de Benito Masci, em substituição a Carmine Furletti. As estrelas das décadas de 60 e 70 davam lugar a um time mediano, com poucos destaques. Entre os campeões de 1984, estavam Douglas, Geraldão, Carlos Alberto Seixas e os remanescentes Joãozinho e Palhinha, que disputavam a última temporada com a camisa celeste.
Em 1987, com uma equipe formada basicamente nas divisões de base, com contratações de pouco impacto, o Cruzeiro venceu o Atlético nas finais. Após empate de 0 x 0 no primeiro jogo, uma vitória celeste por 2 x 0 na segunda partida selou a decisão. O destaque do time foi o ataque, formado por Róbson, Careca e Édson. No meio de campo, Douglas e Ademir ditavam o ritmo. Mais três anos de jejum se passaram até que em 1990, novamente decidindo contra o rival, o Cruzeiro voltou a vencer o Campeonato Mineiro, desta vez sob o comando de Salvador Masci. Na final, o time bateu o Atlético por 1 x 0, gol de Careca.
1991 - 1992 O Bi da Supercopa
O time campeão estadual no ano anterior foi reforçado para a temporada de 1991, com as chegadas de Mário Tilico, Charles e Nonato. Apesar de perder a disputa regional para o arquirival, o Cruzeiro, com uma ótima campanha, chegou ao título da Supercopa dos Campeões da Libertadores. Depois de passar por Colo Colo, Nacional de Montevidéu e Olímpia, a Raposa bateu o River Plate na final. Os argentinos saíram em vantagem, derrotando os mineiros por 2 x 0, em Buenos Aires. No jogo da volta, em Belo Horizonte, o time de Ênio Andrade precisava devolver a vitória por dois gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis. Com gols de Ademir e Mário Tilico (2), o Cruzeiro deu o troco com direito a sobra, fazendo 3 x 0 e conquistando a sua primeira Supercopa.
Em 1992, contando com estrelas do futebol brasileiro, entre elas Renato
Gaúcho, Luizinho e Roberto Gaúcho, além do treinador Jair Pereira, a equipe
estrelada conquistou o Campeonato Mineiro e o bi da Supercopa. Na competição
Sul-Americana, o Cruzeiro passou por Nacional de Medellín, River Plate
e Olímpia, antes de enfrentar o Racing na final. Com uma goleada de 4 x
0 e uma derrota por 1 x 0, o título ficou mais uma vez na Toca.
1993 - 1994 Ronaldo: da Toca para o mundo
No primeiro semestre de 1993, o Cruzeiro confirmou a sua condição de time copeiro, conquistando a Copa do Brasil em cima do Grêmio. Os cruzeirenses eliminaram Desportiva, Náutico, São Paulo e Vasco, antes de enfrentar os gaúchos. O empate no Olímpico, em 0 x 0, e a vitória miniera em Belo Horizonte por 2 x 1 garantiram à Raposa o título do torneio.
No segundo semestre de 1993, um novo talento surgia na Toca, despontando
para o futebol mundial e a caminho de tornar-se o maior jogador do planeta.
O garoto Ronaldo, de apenas 16 anos, começou a despertar o interesse de
clubes e empresários de todo o mundo com suas atuações no Campeonato Brasileiro
e na Supercopa de 1993. Em 14 jogos disputados pelo Brasileiro de 1993,
Ronaldo marcou 12 gols. O atacante continuou balançando as redes no primeiro
semestre de 94, quando a Raposa faturou o Campeonato Mineiro diante do Atlético,
que havia montado um supertime, batizado de "Selegalo". Na final do Estadual,
o experiente time atleticano se curvou diante do jeito moleque de jogar
da nova sensação do futebol brasileiro. Com 3 gols de Ronaldo, o Cruzeiro
fez 3 x 1 no Galo e ficou com mais um título. As atuações de Ronaldo lhe
valeram um lugar na Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de
1994, nos Estados Unidos, quando passaria a ser chamado de Ronaldinho.
O rápido sucesso do atacante e a sua convocação para a Seleção, acabaram
tirando-o da Toca. O Cruzeiro vendeu seu passe para o PSV Eindhoven, da
Holanda, por US$ 6 milhões, quantia irrisória perto do que passou a valer
o supercraque brasileiro.
Com a venda de Ronaldo para o futebol europeu, o Cruzeiro não conseguiu repetir o desempenho apresentado no primeiro semestre e quase foi rebaixado para a segunda divisão do futebol brasileiro. Após uma péssima primeira fase, a equipe foi disputar a repescagem e por pouco não caiu.
1995 - 2000 Desbancando o Palmeiras
No ano de 1995, o empresário José de Oliveira Costa, o Zezé Perrella, assumiu
a presidência do clube, pondo fim ao reinado da família Masci. As primeiras
conquistas do Cruzeiro nessa gestão vieram no primeiro semestre de 1996.
O clube conquistou o Campeonato Mineiro de forma surpreendente.
Outra conquista marcante do clube foi a vitória sobre o Palmeiras, em pleno
Parque Antártica, quando a Copa
do Brasil ficou novamente em posse do Cruzeiro. Depois de atropelar
adversários de alto nível, como Corinthians e Vasco, o time azul disputou
a final da competição contra o todo-poderoso alviverde paulistano. Na primeira
partida, houve empate no Mineirão em 1 x 1, mas o Cruzeiro superou o Palmeiras
por 2 x 1, de virada, na capital paulista. Roberto Gaúcho e Marcelo Ramos
garantiram a vitória e o título para o Cruzeiro, um dos mais marcantes da
história do clube, não apenas pela dificuldade do adversário, o melhor time
do país na época, mas pela nova chance de disputar a Libertadores da América.
O Campeonato Mineiro de 1997 terminou com o Cruzeiro na final diante do inesperado Villa Nova, que havia eliminado o Atlético. Na partida decisiva, mais de 132 mil pessoas compareceram ao Mineirão para ver a Raposa vencer por 1 x 0, gol de Marcelo Ramos. Em toda sua história, o Mineirão não havia recebido tanta gente para um só jogo.
Mas foi no segundo semestre que a festa cruzeirense tomou conta das ruas
de Belo Horizonte. No dia 13 de agosto, a equipe estrelada repetiu o feito
de 1976 e novamente conquistou a Copa Libertadores. Com uma campanha
irregular, poucos acreditavam no sucesso do time de Paulo Autuori. Mas
mesmo assim os cruzeirenses conseguiram superar todos os obstáculos e chegaram
à final. O adversário foi o time peruano do Sporting Cristal. Com um empate
e uma vitória, o Cruzeiro garantiu o bicampeonato da Libertadores.
A campanha na Libertadores e a final do Mundial Interclubes, em Tóquio,
foram prioritários para o Cruzeiro em 1997, que investiu todas as suas fichas
nessas competições. O Campeonato Brasileiro foi deixado em segundo plano.
Mesmo porque o time não estava mostrando um bom desempenho naquele momento.
Tanto que ele só fugiu do rebaixamento no Brasileirão na última rodada.
Mesmo tendo beliscado o bi Sul-Americano, a diretoria resolvou mexer
na equipe e contratou alguns jogadores só para a disputa do Mundial,
em Tóquio, diante do Borussia Dortmund, da Alemanha. Com técnico novo e
desentrosada, a equipe fez o que se esperava: perdeu para os alemães por
2 x 0, deixando escapar mais uma vez o título de campeão do mundo.
A conquista do Campeonato Mineiro de 1998, diante do Atlético, serviu para
apagar a tristeza pela derrota no Mundial. Nessa época, o time já contava
com novos ídolos, como Fábio Júnior, para muitos o novo Ronaldo, e o goleiro
Dida. Com três gols de Fábio Júnior na primeira partida da final, o Cruzeiro
venceu o Galo por 3 x 2, revertendo a vantagem do rival. No jogo decisivo,
o placar apontou um empate em 0 x 0, que garantiu aos cruzeirenses o tricampeonato.
A diretoria contratou grandes jogadores para a disputa do Brasileirão de
1998, fazendo do Cruzeiro um dos maiores times do país. Entre os veteranos,
o destaque foi o atacante Müller, que apresentou um excelente futebol, digno
dos seus melhores tempos de São Paulo. A equipe chegou à final diante do
Corinthians e acabou sendo vice-campeã. Dois empates nos primeiros jogos
e uma derrota na partida final adiaram o sonho do torcedor celeste de conquistar
o Campeonato Brasileiro, único título que o clube ainda não possui. A temporada
se encerraria com mais dois vice-campeonatos:
na Copa Mercosul e na Copa do Brasil, em ambas finais derrotado pelo Palmeiras.
O final de 1998 marcou a despedida do goleiro Dida
do Cruzeiro. O grande ídolo da torcida não quis se reapresentar no início
de 1999, alegando ter recebido proposta oficial do Milan. O caso envolvendo
o atleta e o clube acabou na Justiça . O goleiro se transferiu para a Itália,
mas ficou sem jogar durante seis meses, até ser emprestado pelo clube italiano
ao Corinthians. Antes amado pela torcida, Dida passou a ser hostilizado
quando jogava em Minas, por causa do episódio. Outro desfalque para a temporada
de 1999 foi o atacante Fábio Júnior, vendido para a Roma, da Itália, por
US$ 15 milhões, transformando-se na maior negociação do clube em toda sua
história.
No primeiro semestre de 1999, o Cruzeiro venceu a Copa dos Campeões de Minas
Gerais, vencendo o Atlético na final por 5 x 1, a maior goleada do clube
sobre o seu rival. A conquista da Copa dos Campeões levou o time à disputa
da Copa Centro-Oeste, que também foi conquistada pela equipe. No Campeonato
Mineiro, o time parou na semifinal, eliminado pelo Galo. Com a base do time
de 1998 mantida, restava a missão de conquistar o Brasileirão. A campanha
na primeira fase da competição foi excelente. O time se classificou em segundo
lugar. Nas oitavas-de-finais, porém, o Atlético, que não fazia campanha
tão boa, acabou eliminando a Raposa com duas vitórias (4 x 2 e 3 x 2). O
técnico Levir Culpi foi demitido após ficar dois anos no comando do time.
A boa notícia para a torcida no segundo semestre foi a assinatura do contrato
com a HMTF (Hicks,
Muse, Tate & Furst), que injetou R$ 40 milhões no clube..
Vivendo uma nova realidade, o torcedor cruzeirense entrou no ano 2000 na expectativa de novas conquistas. A diretoria montou um bom time, já utilizando recursos da parceria com a HMTF. O início de 2000, porém, não foi bom para o clube, que perdeu a decisão da Copa Sul-Minas para o América e teve seu técnico Paulo Autuori dispensado após a derrota diante do Atlético por 4 x 2, pelo Campeonato Mineiro. Mas, considerando as conquistas e a projeção obtida na década de 90, o Cruzeiro pode se orgulhar de ter voltado aos tempos de glória, exatamente o que se pode esperar de um clube que revelou Tostão e Ronaldo ao mundo.
2001 - 2006 Conquista histórica
Após a conquista da Copa do Brasil em 2000, o Cruzeiro passou a viver uma época dos grandes técnicos. Marco Aurélio, que depois voltaria a ocupar o cargo, não teve tempo nem para comemorar o título, pois foi substituído no dia seguinte por Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que em 2002 comandaria a Seleção Brasileira na conquista do Pentacampeonato Mundial no Japão e Coréia do Sul.
Mas foi sob a direção de outro treinador renomado, Vanderlei Luxemburgo, que o Cruzeiro se destacaria no início do século 21. Em 2003, o time celeste colheu os frutos do trabalho iniciado pelo treinador no ano anterior. Quando Luxa assumiu o cargo, a Raposa estava ameaçada de rebaixamento no Brasileiro de 2002. Não caiu, teve uma boa reação na competição e foi formada a base do time que ganharia tudo no ano seguinte.
Não é força de expressão. O Cruzeiro, em 2003, foi campeão mineiro, da Copa do Brasil – superou o Flamengo na final –, do primeiro Campeonato Brasileiro por pontos corridos da história da competição. Fez barba, cabelo e bigode na conquista da Tríplice Coroa, como ficou conhecido o feito.
Luxa foi mantido para a temporada seguinte, mas durou pouco. Acabou se desentendendo com os dirigentes celestes e foi embora. O então auxiliar-técnico Paulo César Gusmão assumiu o cargo, iniciando sua carreira como treinador e levou o time celeste ao título mineiro. Não conseguiu levar o time mais longe na Libertadores daquele ano e acabou dispensado.
A aposta da diretoria cruzeirense foi em outro técnico medalhão. Leão foi contratado, mas não teve êxito. Sem o meia Alex, o maestro da conquista da Tríplice Coroa, a Raposa não se encontrou. No restante de 2004 e em todo o ano de 2005, o Cruzeiro não esteve bem. No ano passado, não conseguiu um único título, quebrando uma seqüência de 15 anos de conquistas.
Agora, em 2006, com a manutenção de Paulo César Gusmão, que foi contratado durante o Brasileiro de 2005, o clube celeste voltou a ser campeão, ao superar o parceiro Ipatinga, que o havia batido na final do Mineiro de 2005. Dessa forma, o clube celeste volta a conquistar a hegemonia mineira.