08h30 13/09/2007 Preto Casagrande prepara o quarto retorno ao Bahia
Meia de 32, que enfrenta o ABC neste domingo, projeta volta à divisão de elite do Brasileiro e nega fama de encrenqueiro.
Luiz Antônio Abdias, do Pelé.Net
SALVADOR - Quase seis meses depois de uma cirurgia no tendão de Aquiles o meia Preto Casagrande está perto de seu reencontro com a torcida do Bahia. Faz tão pouco tempo e foram tantas as oportunidades em que ele vestiu a camisa tricolor, que nem parece haver motivo para sentir saudade. Preto, que participou do último título do clube, o bicampeonato do Nordestão, em 2002, também amargou no Fazendão o rebaixamento para a Série B, em 2003, antes de passar por Atlético-PR e Vitória de Guimarães.
ENCRENCREIRO NÃO!
Preto Casagrande durante o treino do Bahia
Pelé.Net - Logo no início da carreira você acabou ficando nacionalmente conhecido pelo episódio da briga com o meia Parreira. Você se arrepende daquilo? Quem criou todo aquele episódio foi ele, que levou para a imprensa uma discussão ocorrida dentro de campo. Eu nunca conheci a mulher do Parreira, nem fui apresentada a ela. Chamei o cara de corno só por provocação, como já tinha feito com outros 600 adversários e como outros tantos 600 já haviam feito comigo. Só que ele perdeu a cabeça, me deu um soco na cara e saiu de campo dizendo que eu tinha desrespeitado a mulher dele. Pelé.Net - Você continua provocando os adversários? Muito pouco. Mas de vez em quando eu consigo tirar alguém do sério.
Mas ele garante que quando pisar na Fonte Nova para o jogo deste domingo, contra o ABC, vai ser difícil segurar a emoção. "Eu fui assistir ao jogo contra o Nacional de Patos e quando a torcida me viu começou a gritar o meu nome. Essa é uma sensação que só conhece quem já jogou no Bahia. Não tem como não ficar arrepiado", discursa o jogador, que tem a rara capacidade de agradar a gregos e troianos no futebol baiano.
Preto também é ídolo no Vitória, por onde passou em três ocasiões, a primeira delas há 10 anos. Foi indicado pelo técnico Arturzinho, com quem volta a trabalhar no Bahia. "Ele é um chato", bateu, para assoprar logo em seguida. "Mas tenho enorme respeito por ele porque é exigente e competente".
Pelé.Net - Você foi rebaixado para a Série B com o Bahia em 2003, campeão brasileiro pelo Santos em 2004, vice da Copa do Brasil pelo Flu em 2005 e subiu com o Vitória para a Série B no ano passado. Para onde vai essa gangorra em 2007? Preto -Só penso em fazer o Bahia subir de divisão. Um time com essa estrutura e esse patrimônio que é a torcida não pode continuar onde está. Foi em Salvador que eu construí minha família, tenho dois filhos baianos e me sinto na obrigação de fazer o Bahia subir.
Pelé.Net - Você estava no Bahia quando se contundiu. Por que decidiu bancar a cirurgia e a recuperação por conta própria? A cirurgia foi feita no dia 26 de março, mas meu contrato só terminava no dia 6 de maio. Percebi que teria dificuldades pra me recuperar aqui quando não liberaram o resultado de uma ressonância magnética porque o Bahia estava em débito com a clínica. A fisioterapia aqui também não teria condições ideais, então acabei usando uma clínica especializada em medicina esportiva. Além de usar meu plano de saúde para fazer a cirurgia, gastei uns R$ 5 mil na recuperação.
Pelé.Net - Por que você resolveu voltar assim mesmo? Primeiro porque eu amo o futebol. Segundo porque, com 32 anos, eu não estou preparado para encerrar a carreira. Terceiro porque aqui o Bahia tem uma estrutura e uma torcida que muitos times que disputam a Série B e até a Série A não têm. Mesmo com o clube endividado, disputando a terceira divisão, a torcida continua apoiando o time. Um time que tem média de 29 mil pagantes em 2007 e coloca 50 mil pessoas na Fonte Nova num jogo contra o Ananindeua (2006) é um fenômeno.
Pelé.Net - Como é ser ídolo de dois clubes rivais? No dia em que treinamos na praia de Piatã, o que eu mais ouvia era torcedor do Vitória dizendo que eu deveria ter ido pro Barradão. Quando vou trabalhar no meu posto de gasolina é a mesma coisa, muita gente cobra isso. Além de ter família e negócios em Salvador, o que me faz me sentir à vontade de viver aqui é que eu sei que sou querido tanto por dirigentes e torcedores do Vitória quanto do Bahia.
Pelé.Net - Com tantas idas e vindas ainda é possível sentir um friozinho na barriga antes da estréia? Sou um cara muito emotivo, e jogar num time com a torcida que tem o Bahia faz toda a diferença. Estive na Fonte Nova há duas semanas para assistir ao jogo contra o Nacional de Patos e quando a torcida me viu e começou a gritar o meu nome. Essa é uma sensação que só conhece quem já jogou no Bahia. Não tem como não ficar arrepiado.
Pelé.Net - Dez anos depois de ter trazido você para o Vitória, o que mudou na sua relação com o técnico Arturzinho? O Vasco tinha me emprestado ao Olaria e foi lá que conheci o Arturzinho. Eu com 18 anos e ele em final de carreira, com 40. Quando foi treinar o Vitória, em 1997, Arturzinho me chamou. Como o Vasco não quis me liberar, tive de fazer um cambalacho. Disse que não queria mais jogar futebol, voltei para o Cascavel, onde meu pai era diretor, e só depois de um tempo vim para Salvador. Minha relação com o Arturzinho é de gratidão. Ele é um chato, mas tenho muito respeito por ele. Sempre foi um cara muito exigente e competente, mas antes ele brigava muito e agora tem mais inteligência emocional, mais habilidade para lidar com os conflitos sem estourar.