09h37 27/09/2007 Para ser político, goleiro Roger pendura chuteiras em 2008
Jogador, recém-contratado pelo Botafogo, pára no ano que vem para ajudar sua cidade, mas quer terminar a carreira com título mundial.
Leonardo Velasco, especial para o Pelé.Net
RIO DE JANEIRO - Pelé, Roberto Dinamite e mais recentemente o atacante Robgol são alguns exemplos de jogadores que se envolveram com a política. Daqui a pouco menos de um ano e meio, esta lista terá também o nome do goleiro Roger, atualmente no Botafogo.
Roger foi contratado pelo Botafogo para tentar acabar com o problema de goleiros
Em 1995, quando defendia o Flamengo, Roger ganhou as páginas de jornais por uma declaração bombástica: "Não tenho defeitos". Na verdade, longe de ser prepotente, o jogador havia apenas sido mal interpretado pelo jornalista. Apesar de isso ter acontecido quando tinha apenas 22 anos, o goleiro não acha que teve o início de sua carreira atrapalhado.
"Acho que não. Um jornalista veio me perguntar se eu tinha algum defeito. Na véspera de uma final de campeonato, eu não ia falar isso. Disse que todo goleiro tinha que melhorar sempre, mas que não tinha um defeito. Aí o jornalista colocou que eu era perfeito. Eu era novo na época e não tinha malandragem", contou Roger, revelando as conseqüências da notícia:
"No dia seguinte o Vanderlei Luxemburgo, que era o técnico do Flamengo na época, veio me dar um puxão de orelha, mas eu expliquei para ele o que tinha acontecido e ele disse que então eu estava certo".
"O GOLEIRO PERFEITO"
Recém-contratado pelo time alvinegro, o jogador já definiu o término de sua carreira para o fim do ano que vem. E a política tem tudo a ver com isso. Resta saber ainda qual cargo: vereador ou prefeito de Cantagalo, cidade do Rio de Janeiro onde o atleta nasceu.
"Já está decidido. Vou para a política. Quero poder ajudar um pouco a cidade", explicou Roger.
Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, além de falar sobre o fim da carreira, Roger comentou o momento conturbado dos goleiros do Botafogo. Experiente, mostrou ter bastante diplomacia, pelo menos com seus companheiros.
Pelé.Net - Quando chegou ao Botafogo, você disse que encerraria a carreira no ano que vem. Essa decisão é definitiva ou existe algo que pode mudar isso? Roger - Já está tomada esta decisão. Não tem nada que possa mudar, pelo contrário. Quero classificar o Botafogo para a Libertadores e quem sabe terminar a carreira com o título mundial. Tem que pensar alto para atingir alto.
Pelé.Net - E o que vai fazer quando parar de jogar? Roger - Vou para a política. Sou presidente do Partido Democrata da minha cidade e vou me candidatar nas próximas eleições [segundo semestre de 2008]. A posse é dia 1° de janeiro de 2009 e, como espero ganhar, teria que parar no fim do ano que vem por causa disso.
Pelé.Net - Por que a política? De onde vem essa idéia? Roger - Minha família toda é política. Eu fui criado nesse meio e sou apaixonado por isso. Meu avô foi o vereador mais votado de Cantagalo, meu tio foi prefeito duas vezes.
Pelé.Net - Mas você tem algum projeto em especial? Roger - Desde que saí de Cantagalo, com 13 anos, a cidade só ficou pior, mesmo tendo passado pelas mãos do meu tio. O município é o quarto que mais arrecada no Rio. Isso me deixa meio revoltado. Quero poder ajudar um pouco. Já tenho uma associação lá que já dá alguma ajuda, mas quero fazer mais.
Pelé.Net - Chegar ao Botafogo depois de todos os problemas com os goleiros que o time teve na temporada te dá mais confiança por ser tratado como a salvação, ou o deixa inseguro com medo de ser mais uma "vítima"? Roger - Inseguro eu não fico, até pela idade que tenho e pelos clubes que já passei. Não me contrataram para me testar, mas pelas minhas características e minha experiência. Até mesmo como um incentivo para os outros goleiros, que teriam um outro jogador do mesmo nível brigando pela posição.
Eu vim para o Botafogo porque sempre me falaram bem do clube, da diretoria. No futebol você está sempre revendo amigos e, desde a época do Dill, ouvi coisas boas do Botafogo. Nem pretendia voltar ao Rio de Janeiro, mas confiei no trabalho que está sendo feito aqui.
Pelé.Net - Você falou em voltar ao Rio. Tem muita diferença na estrutura do futebol daqui e no de São Paulo, onde você jogou muito tempo? Roger - Acho que isso é bem nítido, ainda mais pelos últimos anos no Campeonato Brasileiro, em que os clubes paulistas estão sempre buscando o título. Mas o Botafogo está procurando ver no que tem que investir e está estruturando o clube.
Pelé.Net - Você acabou ficando muito tempo na reserva do São Paulo e do Santos. Isso faz com que entenda melhor a situação que os goleiros do Botafogo estão passando? Roger - Pelo tempo que tenho de profissional, já que assinei meu primeiro contrato em 1992, vi muita coisa no futebol. Nessa carreira, dificilmente você vai manter dez anos no mesmo nível. O que você nunca pode é duvidar do seu potencial. Você tem sempre que acreditar em si.
O Max é um dos goleiros mais técnicos que eu vi jogar. Conheço ele desde a época da Portuguesa. Capacidade ele tem. O Julio César também. Só o conheci aqui no Botafogo, mas já deu para ver nos treinos. É uma fase. Às vezes é por causa da pressão da torcida, ou a falta de títulos. Um título dá mais tranqüilidade para trabalhar, mas confiança e até crédito para errar. O goleiro está sempre sendo cobrado.