08h01 09/01/2008

Xerife 'light', Mano almeja elevar status da carreira no Corinthians

Carregando apelido que o acompanha desde os primeiros anos de vida, treinador aposta na lealdade para ganhar confiança e respeito no futebol

Alexandre Sinato, especial para o Pelé.Net

ITU (SP) - Técnico da nova geração da escola gaúcha, ele não nega as raízes. Repete com freqüência termos como comprometimento, trabalho e profissionalismo. Apesar do tom de voz grosso, porém, Luiz Antônio Venker Menezes é um "durão" diferente. Bem humorado, aposta na confiança em vez das broncas exageradas.

MANO QUER REPETIR LONGEVIDADE
Folha Imagem/Arquivo
Contratado dois dias depois do rebaixamento do Corinthians à Série B, Mano Menezes foi o escolhido para assumir a equipe em um dos momentos mais delicados da história do clube. Confiante em um bom desempenho em 2008, ele espera prolongar sua trajetória no Parque São Jorge e ter novamente um projeto longo, como aconteceu no Grêmio, de 2005 a 2007.

Sonhando com a seleção brasileira, ele ainda vê etapas a cumprir para poder brigar por sua meta. E um desses degraus é justamente o trabalho no Corinthians, equipe na qual é apontado como o principal reforço para esta temporada, rótulo que ele refuta.
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Com a missão de conduzir o Corinthians de volta à elite do Campeonato Brasileiro, Mano Menezes vê em seu novo clube a chance de elevar seu status como treinador, inspira-se principalmente em treinadores conterrâneos e aposta na sinceridade com os jogadores para manter o comando.

Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, concedida em Itu, local da pré-temporada alvinegra, Mano Menezes falou sobre seu estilo, sua conduta com os atletas e sobre o trabalho no Corinthians. Contou ainda que o apelido Mano o acompanha desde os primeiros anos de vida.

Pelé.Net - Como surgiu o apelido Mano?
Mano Menezes
- Mano é de irmão mesmo, surgiu em casa. Minha irmã tinha um ano e um mês quando eu nasci, então nasceu o mano. Levei esse apelido por toda a vida. Joguei futebol como Mano um período e depois quando virei treinador coloquei o sobrenome, porque técnico precisa ter pompa [risos].

Pelé.Net - Você se inspira em algum treinador?
Mano Menezes
- Especificamente um não, cada um tem sua maneira de ser. Logicamente tivemos grandes técnicos. Por estar vindo de uma escola gaúcha, sempre admirei muito Ênio Andrade, Luiz Felipe Scolari, Paulo Autuori, por sua postura e equilíbrio, e também trabalhei na base quando o Parreira era o técnico do Inter. São pessoas que tem níveis de conhecimento e exemplos que posso seguir.

Pelé.Net - Qual a importância para sua carreira de trabalhar no eixo Rio-São Paulo?
Mano Menezes
- Um trabalho bom nesses estados sem dúvida agrega mais status, exatamente por estar num centro maior onde as coisas têm uma repercussão maior. No entanto, é necessário não se preocupar tanto com repercussão, mas sim com um trabalho bem feito.

Pelé.Net - Você é conhecido como um técnico que cobra muito, mas tem tentando descontrair os treinos em Itu. O Mano é duro ou bonzinho?
Mano Menezes
- As brincadeiras que faço ajudam a criar um bom ambiente de trabalho. Às vezes se confunde ser profissional, alguém que cumpra tudo que foi solicitado, com ser durão. Não precisa ser durão, tem que estabelecer um respeito na relação e conseguir o comprometimento dos atletas com uma relação bastante leal. Assim, posso brincar quando puder brincar e, quando estiver falando sério, os jogadores entenderem que é sério.

Pelé.Net - Então é para tentar aliviar esses treinos puxados?
Mano Menezes
- Início de temporada é muito duro, se exige muito dos atletas. Trabalhamos em ritmo forte, exigimos o esforço sempre no limite e para que isso seja conseguido você pode brincar, soltar os atletas um pouco mais para que o sacrifício seja um pouco menor.

Pelé.Net - E como está sua ambientação em uma nova casa após tantos anos de Grêmio?
Mano Menezes
- Todo início de trabalho é bastante diferente, ainda mais quando você ficou muito tempo no anterior, onde acaba criando um vínculo muito forte com as pessoas, a cidade e os torcedores. E para zerar todo esse relacionamento e começar em um lugar novo, é preciso ouvir bastante, prestar bastante atenção e falar pouco.

Pelé.Net - Já se acostumou a São Paulo?
Mano Menezes
- As dimensões de tudo em São Paulo são maiores, trânsito, opções, enfim, mas o futebol não proporciona muito para quem quer ser profissional. Conhecemos hotéis, ficamos concentrados, mas não conhecemos as cidades, apenas passamos por elas. Quando estou concentrado não saio. Exijo isso dos meus atletas e costumo me comportar dentro da exigência que faço aos jogadores.




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