08h02 09/01/2008 Mano refuta rótulo e espera repetir longevidade recente
Treinador do Grêmio durante quase três anos, ele inicia trabalho no Corinthians já vislumbrando maior seqüência em 2009
Alexandre Sinato, especial para o Pelé.Net
ITU (SP) - Contratado dois dias depois do rebaixamento do Corinthians à Série B, Mano Menezes foi o escolhido para assumir a equipe em um dos momentos mais delicados da história do clube. Confiante em um bom desempenho em 2008, ele espera prolongar sua trajetória no Parque São Jorge e ter novamente um projeto longo, como aconteceu no Grêmio, de 2005 a 2007.
MANO ALMEJA ELEVAR STATUS
Técnico da nova geração da escola gaúcha, ele não nega as raízes. Repete com freqüência termos como comprometimento, trabalho e profissionalismo. Apesar do tom de voz grosso, porém, Luiz Antônio Venker Menezes é um "durão" diferente. Bem humorado, aposta na confiança em vez das broncas exageradas.
Com a missão de conduzir o Corinthians de volta à elite do Campeonato Brasileiro, Mano Menezes vê em seu novo clube a chance de elevar seu status como treinador, inspira-se principalmente em treinadores conterrâneos e aposta na sinceridade com os jogadores para manter o comando.
Sonhando com a seleção brasileira, ele ainda vê etapas a cumprir para poder brigar por sua meta. E um desses degraus é justamente o trabalho no Corinthians, equipe na qual é apontado como o principal reforço para esta temporada, rótulo que ele refuta.
Pelé.Net - Você se considera o principal reforço do Corinthians para 2008? Mano Menezes - Eu me vejo como parte dos reforços, mas mensurar isso é sempre muito difícil. Acredito que não exista bom técnico sem bons jogadores, então a parte mais importante continua sendo os jogadores. Lógico que o técnico tem sob sua responsabilidade muitas decisões, mas faço parte de uma engrenagem.
Pelé.Net - Como você avalia seus primeiros dias de trabalho no Corinthians? Mano Menezes - As coisas estão caminhando bem. Muitos jogadores estão chegando agora, então já se estabelece um novo grupo que começará a temporada do zero. Aqui temos que construir valores, estabelecer regras de relacionamento e conhecer o potencial de todos para que eu possa saber com quem contar e como fazer para tirar o melhor de cada um quando precisar.
Pelé.Net - Seu contrato com o clube é de um ano. Você planeja uma seqüência maior? Mano Menezes - Claro, é sempre bom para o técnico construir um trabalho mais longo, as chances de se obter bons resultados no ano seguinte são sempre maiores que no primeiro ano. Essa é minha idéia desde que fiz o contrato, mas a continuidade do trabalho vai depender muito daquilo que acontecer nesse primeiro ano.
Pelé.Net - Principalmente do que acontecer na Série B, não? Mano Menezes - Isso é fundamental para falar em uma continuidade, mas penso sempre na relação maior que o resultado, que é parte fundamental mas não deve vir sozinho. O resultado tem de vir acompanhado de respeito, trabalho e da capacidade de produzir.
Pelé.Net - Antes da Série B, você tem duas competições. Como lidar com o foco nesses torneios? Mano Menezes - A ordem cronológica dos campeonatos ajuda muito para poder separá-los, principalmente o Paulista. Já a Copa do Brasil é um campeonato com características diferentes do Brasileiro, mas muito daquilo que precisaremos fazer na Série B vai passar pela avaliação que teremos agora no Paulista e na Copa do Brasil.
Pelé.Net - Você já é visto como um técnico de destaque no cenário brasileiro. O que representa assumir o Corinthians em um momento como esse? Mano Menezes - É um salto de qualidade para mim, embora esse segundo grande passo na minha carreira seja tão importante como o primeiro, no Grêmio. Os técnicos novos, como é o meu caso, precisam confirmar com uma série maior de quatro, cinco trabalhos para serem considerados de ponta e receberem grandes oportunidades.
Pelé.Net - Entre essas oportunidades, acha que faltam muitas etapas até atingir a principal, a seleção brasileira? Mano Menezes - Todo técnico tem esse objetivo, mas não acordo todo dia pensando que tenho de chegar à seleção em 2010 ou 2014, as coisas precisam acontecer naturalmente. Agora, para a seleção, penso que existem outros técnicos no Brasil que estão à minha frente em experiência, embora a gente tenha optado por um [Dunga] que não tinha trajetória para dirigir a seleção.