09h00 07/10/2008 Após 'anos perdidos', Edu ainda luta por espaço no Valencia
Ex-Arsenal, jogador chegou ao clube em 2005. No entanto, perdeu espaço após sofrer lesões e ainda luta para se consolidar.
Guilherme Costa, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Quando chegou ao Valencia, antes do início da temporada 2005/2006, o meio-campista Edu era presença constante nas convocações para a seleção brasileira e tinha muito espaço no elenco do Arsenal. E mais de três anos depois, o jogador revelado pelo Corinthians ainda tenta justificar o status que atingiu antes de chegar à equipe espanhola.
Em mais um recomeço, Edu ainda tenta ganhar espaço no elenco do Valencia
Pouco depois de ser contratado, Edu rompeu os ligamentos do joelho esquerdo. Foram meses de tratamento até o meio-campista ter um novo recomeço no Valencia, nos últimos meses de 2006. Essa trajetória foi mais uma vez interrompida no dia 18 de novembro, em uma derrota por 3 a 0 para o Sevilla, quando ele sofreu uma lesão na mesma articulação, só que da perna direita.
Quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito, Edu decidiu não repetir o que havia feito na primeira lesão. Em vez de se tratar na Europa, procurou o fisioterapeuta Luiz Rosan, do São Paulo e da seleção brasileira, e realizou o tratamento no Reffis (centro de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica) da equipe tricolor.
Edu ainda sofreu muitas pequenas lesões musculares depois disso. E passou a conviver com um espaço reduzido no elenco do Valencia, motivado por questões físicas e técnicas.
Mais de três anos depois de sua chegada ao clube, Edu ainda tenta se firmar. O meio-campista disputou nove partidas nesta temporada, metade do que conseguiu em toda a temporada passada, quando estabeleceu seu recorde no clube.
Pelé.Net - Você já conseguiu se livrar das lesões e voltar ao time titular. Quais são os próximos planos? Ainda é possível voltar à seleção brasileira? Edu - As lesões são coisas do passado. Desde a temporada passada eu estou recuperado, mas não vinha jogando porque o time estava acertado e em um ritmo diferente do meu. Ainda assim, joguei partidas importantes, como a decisão da Copa do Rei. Agora já fiz uma boa pré-temporada. A seqüência de treinos e amistosos me colocou no mesmo nível e ritmo dos demais jogadores. O treinador vê que estou treinando bem e sabe que estou pronto para jogar. Quanto ao futuro, vou passo a passo. Primeiro quero jogar bem no Valencia e depois, quem sabe, voltar à seleção brasileira. Pronto para isso eu estou.
Pelé.Net - O que foi mais difícil: a recuperação depois das lesões ou recobrar a confiança? Você fez algum trabalho especial para a parte psicológica? Chegou a pensar em parar de jogar? Edu - A reabilitação sempre é muito complicada. Depois das lesões são cerca de seis meses de fisioterapia com muitas horas de trabalho e corrida contra o tempo. A confiança volta depois de duas ou três semanas de bons treinos, jogando amistosos e vendo que não tem mais nada. Nunca pensei em parar de jogar porque conheço vários jogadores que tiveram lesões importantes como a minha e voltaram em plenas condições. O Marcos Senna é um exemplo. Se não me engano, ele fez três operações de ligamento cruzado e está, com todo mérito, fazendo muito sucesso Villareal e na seleção espanhola.
Pelé.Net - Durante o período das lesões, você chegou a cogitar mudar de clube? Existe alguma explicação para tantos problemas seguidos ou foram apenas infelicidades? Edu - Foram apenas infelicidades. São coisas do futebol que acontecem no dia-a-dia, independentemente do lugar em que se está. Não teria por que eu mudar de clube. Sou muito feliz aqui no Valencia e não penso em sair.
Pelé.Net - Parte da sua recuperação foi feita no Brasil. A estrutura daqui é superior ao que o Valencia disponibiliza? Qual é a diferença? Edu - A diferença não está na estrutura melhor ou pior, mas sim no método de tratamento. No Brasil estamos acostumados com outras formas. Na Espanha tudo é mais tranqüilo, com mais paciência, e a recuperação pode acabar demorando mais.
No Brasil existe uma pressão maior de querer colocar o jogador logo em campo, e eu queria essa pressão, essa corrida contra o tempo. Por isso voltei para tratar com um grande fisioterapeuta, que é o Rosan. Ele já havia me ajudado bastante na época da seleção brasileira. E estar no nosso país também ajuda.
Pelé.Net - Seu nome chegou a ser incluído em várias listas de possíveis reforços de clubes brasileiros. Você tem a intenção de voltar ao futebol do Brasil? Se sim, quando? O Corinthians teria preferência para um retorno? Edu - Hoje não penso em voltar ao Brasil. Acho que sou novo, ainda tenho mais dois anos de contrato aqui no Valencia e estou muito bem. Mas se um dia acontecer de voltar, com certeza o Corinthians seria o clube a quem eu daria preferência.
Pelé.Net - Você acredita que teria disputado a Copa de 2006 se não tivesse se machucado? Edu - A possibilidade era bastante grande. Disputei a Copa América e a Copa das Confederações. Fomos campeões nas duas. O Parreira me tinha como substituto do Zé Roberto. Mas a gente nunca sabe o que pode acontecer.
Pelé.Net - O elenco do Valencia conta atualmente com uma série de jogadores para a sua posição. Você precisou mudar alguma coisa no posicionamento ou no estilo de atuar para ganhar espaço nessa concorrência? Edu - Não. Sempre tive meu estilo de jogo e vou mantê-lo. É a minha forma de jogar e foi assim que eu cheguei até aqui. A concorrência faz parte de se estar em um grande time.
Pelé.Net - E o que mudou no grupo desde quando você foi contratado? Em que pontos o Valencia se fortaleceu ou se enfraqueceu? Edu - Quando cheguei aqui o Valencia vivia um momento especial por ter vencido a Copa da Uefa e a Liga. Depois mudou bastante coisa no clube, como a diretoria. Mas o que fez a diferença mesmo foi a troca de treinador. Hoje já estamos adaptados ao trabalho dele e tudo voltou a ser o mesmo de antes.
Pelé.Net - Você vê relações entre seu atual período e o início de sua ascensão ao time titular do Arsenal? Qual dos dois processos de afirmação foi mais complicado? Edu - Não vejo. Foram situações muito diferentes. No Arsenal eu era muito jovem, num time de estrelas, e tive de conquistar meu espaço. Aqui no Valencia foram os problemas das lesões. Não tive uma seqüência ideal de trabalho como estou tendo agora. Ambas foram complicadas, mas valeram a pena.
Pelé.Net - Qual é a comparação que você faz entre o futebol inglês e o espanhol? É mais fácil jogar em qual dos países? Edu - O espanhol, por ser mais parecido com o brasileiro, pode ser mais fácil para se adaptar. O estilo de jogo inglês é diferente e dificulta um pouco mais.