08h00 06/10/2008 Perseguido, Morais supera tristeza e 'volta a jogar' após meses
Meia diz que cansou do Vasco devido às críticas que recebia mesmo quando não jogava e, com cautela, mostra que espera continuar no Corinthians
Alexandre Sinato, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Quem vê Morais no Parque São Jorge brincando com os novos companheiros de Corinthians não imagina que há pouco tempo seu humor era outro. Acordar e ir treinar no Vasco não lhe empolgava. Pelo contrário. Alvo de forte cobrança, o armador se via perseguido e não rendia. Hoje, contudo, ele reencontrou a alegria de jogar.
Morais revelou que, além do Corinthians, Palmeiras e Santos também fizeram ofertas
Mas, segundo o armador, o forte interesse corintiano lhe seduziu para assinar contrato
Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o camisa 9 do Corinthians contou como foi sua saída de São Januário, a pressão que sentia, a falta de confiança do elenco do Vasco e por que se esforçou tanto para trocar de clube rapidamente.
"A situação chegou a um ponto insuportável. Sair de casa todo dia era uma luta, então eu precisava ir embora, não tinha jeito", disse Morais. O meia, contudo, tem contrato por empréstimo com o Corinthians e ainda possui vínculo com a equipe carioca.
Cauteloso e sem saber o que acontecerá em seu futuro, ele evita fechar as portas sobre seu eventual retorno a São Januário. Mas seu bom momento atual, suas palavras e sua expressão quando questionado sobre sua vontade deixam claro que voltar para São Januário está longe de ser prioridade. Muito longe.
Pelé.Net - Na chegada ao Corinthians, você disse que não sentia mais alegria de jogar. Já recuperou essa alegria? Morais - Claro. No Vasco estava muita pressão, era tudo em cima de mim. Quando o time perdia, era minha culpa. Quando ganhava, o mérito era de tudo mundo. Todos esperavam que eu pegasse a bola e driblasse todo mundo. Aqui é diferente. Tenho meu setor para preencher e quando não estou bem, outros decidem. Lá todos estavam pegando no meu pé, imprensa, torcedores...
Pelé.Net - Quando a situação ficou tão ruim para você lá? Morais - Depois da eliminação na Copa do Brasil para o Sport. A gente perdeu nos pênaltis e eu fui substituído antes. Não quero 'tirar o meu da reta', mas no outro dia saíram matérias falando da minha relação com a torcida. Se em outro dia acontecesse algo pior comigo diretamente, a situação ficaria insuportável. Ali comecei a mexer meus pauzinhos para ir embora.
Pelé.Net - Mas você já estava com vontade de sair? Morais - Minha intenção era esperar até a janela de dezembro, fazer um bom final de Brasileiro e ir para fora. Mas eu não estava me sentindo bem e não conseguiria aturar mais quatro, cinco meses daquele jeito. A gota d'água foi depois da derrota por 5 a 2 para o Santos. Eu estava suspenso e nem participei da partida, mas no outro dia a torcida veio para cima de mim. Aí decidi largar tudo. Se eu não jogo e todos já vêm me cobrar, no dia em que eu não fosse bem iriam querer me matar.
Pelé.Net - Está acompanhando o Vasco no Brasileiro e viu a polêmica envolvendo o Tita? Morais - Tenho amigos lá e procuro saber como está a situação. O que aconteceu com o Tita foi muito chato. É complicado uma pessoa que já saiu e não pode fazer mais nada pelo time ficar falando mal de jogador que continua lá. Não vou criticar o Tita porque ele fez de tudo para que eu ficasse, mas é chato falar coisas depois de sair.
Nota da redação: Recentemente, Tita, ex-técnico do Vasco, disparou fortes críticas contra o ex-clube e chegou a dizer que o zagueiro Jorge Luiz não tinha condição de jogar no clube
Pelé.Net - Você acha que saiu na hora certa, então? Morais - Não saí por causa do momento do Vasco, o time não estava nem na zona de rebaixamento. Saí pelo meu momento. Chegaria uma hora em que não conseguiria mais jogar futebol e isso é minha vida, a carreira é curta. Já estava havia dois, três meses sem jogar o que poderia, meu futebol estava caindo muito e percebi que precisava sair.
Pelé.Net - Você já disse estar feliz no Corinthians, mas seu empréstimo acaba em junho do ano que vem. Pretende voltar para o Vasco? Morais - Essa é uma situação em que fico em cima do muro. Tenho contrato com o Vasco até 2011 e lá dei meus primeiros passos, cheguei com 13 anos. Mas estou muito feliz aqui e minha intenção é trabalhar forte para ficar no lugar onde me sinto bem. Hoje estou bem no Corinthians, então minha intenção é permanecer. Mas se acontecer de voltar para o Vasco, sou profissional.