09h01 30/10/2008 Após superar atrito na Roma, Cicinho traça plano de volta à seleção
Reserva de Cafu na Copa de 2006, lateral-direito lamenta espaço perdido para Maicon e Daniel Alves, mas, animado com recuperação na Itália, diz acreditar em ir a seu segundo Mundial
Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net
SANTOS - Ausente das últimas convocações do técnico Dunga, Cicinho teme que suas chances de retornar à equipe nacional diminuam a cada dia. Por isso, restando menos de dois anos para a Copa de 2010, o lateral tenta reverter o momento distante da seleção e fixa metas para disputar seu segundo Mundial.
VOLTA AO MORUMBI QUASE SAIU
Cicinho quase deixou a Roma no meio do ano para retornar ao São Paulo emprestado
Campeão do mundo com o São Paulo, em 2005, Cicinho por pouco não retornou ao Morumbi no meio deste ano. Roma e São Paulo já haviam fechado acordo por empréstimo. Parte do salário seria bancado pelo time tricolor. Os dirigentes italianos, porém, decidiram abortar a transação.
"Estava tudo certo entre São Paulo e Roma. Eu ficaria durante um ano, mas no fim a Roma decidiu cancelar tudo. Hoje estou muito bem aqui na Itália. Mas não descarto voltar ao São Paulo", diz.
Embora distante do país, Cicinho revela estar atento à disputa acirrada pela liderança do Brasileirão. O ala acredita que o São Paulo conquiste o inédito tricampeonato nacional. Pior para o pai dele, Cláudio, torcedor do Palmeiras e principal alvo das gozações.
"Meu pai é palmeirense. Falo que o Palmeiras vai 'pipocar' no final e que o São Paulo vai chegar. Eu não paro de tirar sarro dele", brinca.
A principal delas é se manter como titular da Roma, clube que o contratou em agosto de 2007. Ficar como opção no banco ameaçaria o plano de participar da Copa de 2010, na África do Sul. Pelo setor direito do time italiano, Cicinho se firmou: são 11 jogos seguidos entre os titulares.
A obsessão em atuar na equipe titular, e assim continuar "na vitrine", gerou atrito entre Cicinho e o técnico da Roma, Luciano Spalletti, em agosto deste ano. O brasileiro foi afastado por não aceitar a reserva na decisão contra a Inter de Milão, pela final da Copa da Itália. O lateral admitiu culpa, sendo perdoado pelo treinador, que posteriormente o recolocou entre os titulares.
"Nada melhor do que atuar em um clube como a Roma para poder apresentar meu futebol. A Roma começou mal a temporada, mas está reagindo. Quero disputar mais uma Copa e vou trabalhar muito nesse período para voltar à seleção", avisou Cicinho ao Pelé.Net.
Reserva na Copa da Alemanha, em 2006, e apontado como sucessor de Cafu na seleção, Cicinho, contudo, perdeu terreno para os laterais Maicon e Daniel Alves. O ex-lateral do São Paulo valoriza seus concorrentes e tenta controlar o desejo de retornar ao elenco de Dunga.
A última participação de Cicinho na seleção ocorreu em 3 de setembro de 2006, quando o Brasil derrotou a Argentina, 3 a 0, em amistoso realizado na Inglaterra.
"A cobrança fica cada dia maior. Faltavam três anos para a Copa. Agora faltam dois. Se eu não controlasse isso, essa pressão seria doentia. Procuro deixar ótima impressão na Roma. Cabe ao Dunga escolher seus preferidos", diz.
Cicinho atribui o afastamento da equipe nacional à lesão sofrida no joelho quando ainda defendia o Real Madrid. Foram sete meses de inatividade. Desde então, o lateral não foi mais lembrado por Dunga.
"Tive uma séria lesão no joelho [rompeu ligamentos] dias depois de vencermos a Argentina. Isso me atrapalhou muito. A lesão acabou dando espaço para o Maicon e o Daniel, que souberam aproveitar suas chances", lamenta o ex-são-paulino.