06h01 02/11/2008 Renato Gaúcho: "Um dia ganho a Libertadores, o Mundial e treino a seleção"
Para ele, seu trabalho poderia ser bem mais reconhecido pela crítica esportiva
Luciano Paiva, especial para o Pelé.Net
RIO DE JANEIRO - Um velho e conhecido dito popular diz que "quanto mais alto é o coqueiro, maior será a queda". No entanto, para Renato Gaúcho este dizer representa com muita fidelidade toda a sua trajetória de vida. Homem que gosta de desafios, o técnico bate o martelo e diz com muita firmeza que, dia ou menos dia, estará mais uma vez em uma decisão de Libertadores da América. E, se sonhar não custa nada, Renato mira o seu futuro como técnico à frente da seleção brasileira.
Luciano Paiva/UOL Esporte
Para Renato Gaúcho, Maradona deveria ter experiência em um clube antes da seleção
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O técnico diz que ainda conquistará mais títulos e um dia chegará à seleção brasileira
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Amigo pessoal de Romário e de Edmundo, Renato diz que craque nunca é problema
Na segunda parte desta entrevista, o comandante fala sobre a sua melhor passagem pelo Fluminense, revela como é lidar com craques temperamentais como Romário e Edmundo, se considera um profissional que é visto com outros olhos pela crítica e afirma: "O futebol hoje em dia está muito chato".
Pelé.Net: Muitos críticos apontaram você como o maior culpado pela perda da Libertadores no Fluminense. Como encara isso? Faria alguma coisa diferente?
Renato Gaúcho: Eu não cobro pênaltis, mas escolhi os melhores, coisa que qualquer comandante inteligente faria. Só não sou o rei das Américas agora por causa de uma decisão por penalidades. Não faria nada diferente, não foi nada errado. Eu quem pergunto, se é que teve algo de errado, o que fariam diferente. Muitos criticaram o Ygor, mas com ele cheguei à final da Libertadores.
Pelé.Net: Até que ponto os problemas com o Dodô atrapalharam o seu trabalho?
Pelé.Net: Quando tem um jogador no grupo que incomoda, ele não incomoda só ao técnico, mas também a engrenagem toda. Tem horas que é melhor o comandante ficar calado para não criar um clima ruim. Coloquei para jogar a equipe que estava melhor para jogar naquele momento. Não era por desmerecê-lo. Depois o escalei em sete ou oito oportunidades e ele não fez gol. Na Libertadores, eu não poderia ter jogado com o Thiago Neves, com o Washington, com o Conca e com o Dodô. Era muita gente sem marcar. O problema do jogador brasileiro, e comigo isso não vai acontecer nunca, é ele se sentir envergonhado por ficar no banco. Na Europa, onde se ganha muito mais, os caras ficam calados. E se abrir a boca é multa.
Pelé.Net: Mas a insatisfação pública dele incomodou muito
Renato Gaúcho: Ele sabia que o grupo era fechado. Talvez o Dodô tivesse certas mordomias no Botafogo, que comigo não vai ter. Vou sempre tratar todos iguais. Coloquei o Dodô para jogar também, pô. Encontrei um sistema de jogo que deu certo, mas para ele, infelizmente, não foi o ideal. A insatisfação dele era uma coisa de jogador que queria sempre atuar, é uma coisa normal. Pior seria se ele ficasse acomodado. Mas comigo só joga se fizer por merecer.
Pelé.Net: Após a sua declaração de que o Fluminense brincaria no Brasileiro, o fato ganhou proporções gigantescas. O futebol está chato?
Renato Gaúcho: Está, e muito. E a culpa é da imprensa, não é de todo mundo. Tem muita gente que distorce o que é falado, até entende a mensagem, mas faz isso para colocar o profissional contra a torcida por não gostar dele. Se o cara não fala, é mascarado. No Fluminense usei a palavra errada. Em 2007, quando disse que venceríamos a Copa do Brasil e também brincaríamos no Brasileiro, mas com outras palavras, ninguém falou nada. E ficamos em quarto na competição. Mas esse ano algumas pessoas entenderam, enquanto que outras distorceram. Eu jamais iria brincar com uma instituição. Eu quis dizer ficaríamos livre, leve e soltos no Brasileiro.
Pelé.Net: Você sente que algumas pessoas torcem contra o seu trabalho, o seu sucesso? Existe resistência?
Renato Gaúcho: Não digo torcer contra, mas querem criar um tumulto. Querem passar uma informação que não é verdadeira. É a minoria dos jornalistas. Acho que devem querer aparecer. Sei que alguns profissionais poderiam me elogiar muito mais do que elogiam. Não sei porque não o fazem. O Fluminense foi enfrentar o Arsenal, na Argentina. Os caras não conheciam o clube, que agora é conhecido no mundo todo. É pouca coisa? Ou seja, tem de se levar em conta o resultado do trabalho. Se é outro técnico estariam colocando nas nuvens. Mas como é o Renato Gaúcho. Talvez o técnico bom seja aquele que fala bonitinho, manda presentinho para falarem bem dele. Só que o resultado em campo é nenhum.
Pelé.Net:Na relação técnico/jogador, quem te deu mais problema, Romário ou Edmundo?
Renato Gaúcho: Nenhum dos dois. Craque não dá problema, craque é a solução. Quem te pertuba é o perna-de-pau. É você saber lidar com o cara, pois se tira muito mais dele. Eu prefiro sempre lidar com um profissional assim. Tem as suas vaidades? Tem, claro. Mas é questão de saber trabalhar com eles. Disseram que o Romário estava acabado, mas foi goleador do Campeonato Brasileiro aos 38 anos.
Pelé.Net: O que você achou de o Maradona como técnico da Argentina?
Renato Gaúcho: Torço muito, gosto dele, mas eu acho que ele tinha de passar por um clube antes. O torcedor tem memória curta. O trabalho dele na seleção pode ser colocado acima de toda a linda história que ele construiu no futebol. No clube, você vai se fortalecer muito, pois na seleção o primeiro tiro é sempre em você. Porrada ele vai tomar, pode ter certeza. Mesmo vencendo.
Pelé.Net: Você tem no seu pensamento que ainda leva uma Libertadores como técnico?
Renato Gaúcho: Vou, claro. E vou vencer o Mundial de Clubes, além de um dia conseguir treinar a seleção também. Eu sempre penso grande. Posso até não conseguir, mas estarei sempre pensando grande para chegar. Se pensar pequeno, eu sou pequeno. Eu tenho plena confiança no meu trabalho. É por isso que creio que o Vasco vai se livrar do rebaixamento. Faço o jogador acreditar mesmo que ele não acredite. Eu tiro do jogador o que o ele jamais pensaria que poderia render.