08h35 06/11/2008

Novo presidente do Grêmio avisa: se Roth ganha, fica, se perde, sai

Duda Kroeff, recém eleito, não garante continuidade do técnico em 2009, diz que tem o São Paulo como modelo administrativo e promete fiscalizar torcidas organizadas

Nico Noronha, do Pelé.Net

PORTO ALEGRE - Fernando Antônio Kroeff, 53 anos, o Duda, é o novo presidente do Grêmio. Eleito pelo voto de 2.909 associados, após ter surpreendido e derrotado o candidato da situação - Antônio Vicente Martins - no primeiro turno, dentro do Conselho Deliberartivo, ele revela em entrevista ao Pelé.Net que está realizando um sonho que começou a ser construído na infância, quando comparecia ao clube carregado pelo pai - e patrono do Grêmio - Fernando Kroeff.

Duda sabe que a missão não será fácil, especialmente devido a uma dívida de cerca de R$ 140 milhões, sendo R$ 30 mi deles a serem pagos a curto prazo. Mas não se assusta e assume o cargo com manifestações corajosas. Uma delas, a declaração de que o atual técnico da equipe, Celso Roth, não tem vaga certa para o ano que vem, mesmo que o time esteja brigando com muitas chances de ainda ser campeão brasileiro. "Futebol é resultado", afirma, e se o título nacional não vier, Roth sai.

Pelé.Net - Assim que foi eleito, o senhor disse que chegar à presidência era a concretização de um sonho. Esse sonho era alimentado desde quando?
Duda Kroeff - Desde que eu era um menino de cinco ou seis anos. Ficou mais forte o desejo quando comecei a freqüentar os bastidores do clube junto com meu pai, aí entre 10 ou 12 anos.

Pelé.Net - E a partir de quando o sonho de criança passou a ser consioderado um objetivo viável?
Duda Kroeff - Isso foi apenas há dois meses, pois duas experiências me fizeram perder um pouco o entusiasmo, a primeira em 1998, quando fui diretor de finanças e em 2003, quando assumi o marketing.

Vinicius Simas/Pelé.Net
"Sonhava desde os cinco ou seis anos"
Pelé.Net - E o que o fez retomar esse projeto de vida?
Duda Kroeff - Um dia o Cacalo - Luiz Carlos Silveira Martins, ex-presidente - me convocou para uma reunião, e lá estavam representantes de seis movimentos diferentes de conselheiros doc clube, todos decididos a me apoiar e só então resolvi concorrer à presidência.

Pelé.Net - E a primeira missão será montar o grupo de jogadores para 2009. Assim como tem ocorrido em todo começo de temporada no Grêmio, o senhor começa do zero, ou seja, tendo que compor um time inteiro?
Duda Kroeff - Infelizmente nos últimos anos ocorreu isso, o Grêmio não tem grupo para começar as atividades em janeiro, mas em 2009 será diferente, pois desta vez existe uma base formada por ex-jogadores das categorias de base que se afirmaram na temporada - Felipe Mattioni, William Magrão, Rafael Carioca, Hélder, Douglas Costa... -, além de outros com os quais a atual diretoria fez contratos longos. Inclusive dou parabéns e agradeço aos dirigentes atuais por isso.

Pelé.Net - E o treinador, será Celso Roth? Nesta semana foi noticiado que o senhor estaria disposto a mudar...
Duda Kroeff - Vamos tratar desse assunto na hora certa. Se ele for campeão brasileiro, será difícil pensar numa mudança, mas se isso não ocorrer e, principalmente, se o Grêmio não conseguir chegar à Libertadores, aí o Roth deverá sair do clube. Futebol é assim. Futebol é resultado.

Pelé.Net - Chegando o Grêmio à Libertadores, com ou sem Roth, a idéia é contratar um grande nome para comandar o time em campo?
Duda Kroeff - Não sei se um grande nome, mas teremos que buscar alguns reforços importantes, de acordo com as condições financeiras do clube.

Pelé.Net - É a dívida do clube, de aproximados R$ 140 milhões, que assusta e impede uma promessa nesse sentido?
Duda Kroeff - Assustar não assusta, mas preocupa, especialmente a dívida de curto prazo, que é de cerca de R$ 30 milhões. É pensando nela que me cerquei de pessoas especialistas na questão - Mauro Knijnik, Marcos Hermann e Irany Sant'Ana, informou ele - para ajudar a administrar. O ideal seria atingirmos um estágio tal qual o do São Paulo, um clube que tenho como modelo.

Vinicius Simas/Pelé.Net
"Considero o São Paulo um modelo"
Pelé.Net - Para essa dívida de curto prazo a solução é a de sempre: vender jovens revelações do clube?
Duda Kroeff - A veda de jogadores é inevitável, para dar equilíbrio financeiro ao clube. Apenas acho que em muitos casos não se deve apressar a venda, e sim deixar os atletas revelados por mais um ano, para que se valorizem. Recentemente o Grêmio vendeu o Anderson e o Lucas, mas se tivesse esperado um pouco mais conseguiria um valor muito mais elevado, o que teria sido importantíssimo para melhorar a saúde financeira.

Pelé.Net - Outra preocupação de sua gestão será a construção da Arena, a nova casa do clube. O senhor foi favorável à mudança para a zona norte de Porto Alegre?
Duda Kroeff - Eu, como quase a totalidade dos gremistas, não gostaria de sair do local onde está o Olímpico, mas a mudança é inevitável. Fui convencido disso.

Pelé.Net - O presidente Paulo Odone, ao qual o senhor substituirá, é anunciado como o presidente da empresa Grêmio Empreendimentos, que será a gestora do projeto Arena. Ele, que fez campanha a favor de seu oponente na eleição, já está confirmado nesse cargo?
Duda Kroeff - Em princípio será o Odone, mas a decisão ainda terá de passar pelo Conselho Deliberativo.

Pelé.Net - Odone também teve sempre uma relação muito forte com a Geral do Grêmio, a principal torcida do clube. O senhor manterá essa relação e, inclusive, os benefícios que esses torcedores possuem atualmente?
Duda Kroeff - Não tenho nada contra a Geral, mesmo que a maioria de seus líderes tenha apoiado a outra chapa na eleição. Em princípio eles continuarão tendo sua sala, incentivo para viagens e outras vantagens, mas sem exageros e estaremos acompanhando as atividades atentamente. Há algumas denúncias de que ingressos destinados a eles são revendidos, coisas que teremos de averiguar e acompanhar para evitar qualquer irregularidade.

Pelé.Net - Como a família reagiu à decisão de se tornar presidente do Grêmio, e estão todos preparados para o que vem por aí?
Duda Kroeff - Minha mulher - Luciana, a terceira esposa, com a qual tem os dois últimos dos seis filhos - gosta muito de política e está dando força. Os filhos também, exceção feita à minha filha de 22, que não gostou muito desse envolvimento. Mas já disse para ela que o máximo que pode ocorrer é levar umas pedradas uma hora dessas, se o time não estiver bem.




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