08h36 14/01/2009

Noveleiro, Diego Souza aposta em Libertadores para resgatar futebol

Meia-atacante inicia o ano como o principal nome do Palmeiras e espera repetir no torneio continental o mesmo futebol que apresentou no Grêmio em 2007. Ele revela detalhes de sua rotina, como o gosto por novelas.

Carlos Padeiro, especial para o Pelé.Net

ATIBAIA (SP) - Principal contratação do Palmeiras em 2008, Diego Souza vira agora o principal nome de um time jovem que inicia 2009. Após altos e baixos no seu primeiro ano com a camisa alviverde e críticas até por parte do presidente do clube, o jogador de 23 anos pode ter um trunfo para resgatar o futebol que apresentou no Grêmio: disputar a Copa Libertadores, torneio no qual se destacou em 2007.

Para isso, o meia-atacante aposta em dedicação nos treinos e em uma rotina familiar, com seu filho de oito meses e sua esposa. "A pré-temporada está sendo maravilhosa, e isso é importante para, quando chegar a hora, eu ter um 'up grade' no Palmeiras", declarou, em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, na concentração da equipe paulista em Atibaia, interior do Estado de São Paulo.

De origem pobre no Rio de Janeiro, Diego Souza revelou também alguns de seus hábitos em São Paulo, como assistir novela e jogar vídeo-game. "Já fui mais fissurado em um jogo de tiros. Jogava 'online' contra jogadores de outros clubes, como o Souza, o Marcel e o Tcheco. O objetivo é matar o outro", conta o atleta.

No ano passado, uma das desculpas adotadas por Diego Souza para não render o que era esperado, já que custou aproximadamente R$ 10 milhões para a parceira Traffic, foi que não teve uma pré-temporada completa.

Agora a situação é diferente, e ele fala em voltar a ser um dos melhores jogadores do Brasil, como ocorreu em 2007, antes de chegar ao Palmeiras. "Foi um ano vitorioso meu, mas já passou, e em 2009 vou estar entre os melhores", decretou.

Confira a entrevista do camisa 7 palmeirense ao Pelé.Net:

Pelé.Net - O que você costuma fazer nas hora vagas?
Diego Souza -
Não sou de sair muito. Na folga procuro ficar com meu filho e minha esposa e passear ali perto de casa mesmo, no shopping. Gosto de ver televisão, estou um noveleiro bom, ou fico no computador e brinco com meu filho. Assisto à Favorita, que está pegando fogo.

Pelé.Net - Quem você considera hoje o melhor jogador do Brasil e o melhor jogador do mundo?
Diego Souza -
Melhor jogador do Brasil hoje? Hum, não sei te responder, mas vou fazer de tudo para brigar por isso. Esse ano estou bastante motivado, com objetivos maiores. O melhor do mundo pra mim é o Kaká. Ele é um exemplo fora e dentro de campo. Só joga pra frente, está sempre inteiro e dá aquelas arrancadas no segundo tempo em direção ao gol.

Ricardo Nogueira/Folha Imagem
"Quero ter responsabilidade sempre. Quero ser vencedor. (...) No futebol só existe espaço para ser vencedor e você tem que buscar as coisas. Quero sair vencedor, independente de ser o cara do time ou não"
VEJA O PERFIL DO MEIA-ATACANTE
Pelé.Net - Você acha que seu estilo de jogo 'casa' com a Libertadores, e aí pode estar uma forma de resgatar seu bom futebol?
Diego Souza -
Disputei uma Libertadores só, pelo Grêmio em 2007. Gostei pelo estilo de jogo, é mais corrido, com poucas faltas, os juízes param pouco a partida, e tive sucesso. É uma competição onde aposto muito no meu sucesso para ajudar o Palmeiras a chegar o mais longe possível, quem sabe ao título. Quero muito ir bem nessa Libertadores.

Pelé.Net - Nesse time jovem, você está pronto para ser o 'maestro'?
Diego Souza -
Quero ter responsabilidade sempre. Quero ser vencedor. Quero chegar à seleção, ganhar o Paulista, o Brasileiro, a Libertadores. No futebol só existe espaço para ser vencedor e você tem que buscar as coisas. Quero sair vencedor, independente de ser o cara do time ou não.

Pelé.Net - Qual foi o seu melhor e o seu pior momento em 2008?
Diego Souza -
O pior foi durante o Paulista. Apesar de ter feito seis gols, não tive uma crescente boa, e no inicio do Brasileiro também. O melhor momento foi a segunda parte do Brasileiro, nos jogos contra Cruzeiro, Atlético-PR, Atlético-MG, Vasco... Tive uma arrancada boa ali.

Pelé.Net - E por que você não conseguiu manter um bom desempenho no final?
Diego Souza -
Comecei a aparecer e nos outros jogos a dificuldade aumentou. Passei a sofrer uma marcação individual, e muita gente não vê o trabalho que a gente faz para o time. Procuro abrir espaço para os outros aproveitarem. A gente joga como um grupo, não individualmente.

Pelé.Net - Em 2008 você passou por duas polêmicas quando criticou o goleiro Marcos e rebateu críticas do presidente Affonso Della Mônica. Você pretende manter esse seu lado espontâneo nas entrevistas?
Diego Souza -
Ali foi um momento em que as coisas aconteceram dentro do grupo, falamos sem pensar e isso atrapalhou um pouco o foco. Mas já passou, está tudo resolvido. Sou amigo do Marcão, estou adaptado. Nunca vou falar coisas para prejudicar ninguém, e uma das minhas virtudes é ser um cara de grupo.

Pelé.Net - Como foi seu início no futebol
Diego Souza -
Comecei tarde no Fluminense, fiz teste com 15 para 16 anos. Na infância, meu pai tinha uma escolinha de futebol na favela em que eu morava, na Ilha do Governador. Eram dois campos, e ele ajudava as crianças a jogarem, com o apoios de um amigo dele. Era legal, jogávamos a Copa da Ilha, mas logo acabou e fui jogar futsal. Depois fiquei um tempo sem jogar, até fazer o teste no Fluminense. Era complicado para comprar chuteira e passagem de ônibus. Eu não tinha empresário, meus pais eram meus empresários e ralaram bastante, além da ajuda de tios, madrinha. Subi para o profissional aos 18 anos.

Pelé.Net - Você estudou até que série na escola?
Diego Souza -
Falta o terceiro ano do ensino médio para eu terminar. É coisa de preguiça mesmo, até pela profissão, tem muita concentração e pouco tempo para passar com a família. Mas espero pelo menos terminar o segundo grau.




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