07h03 16/01/2009

Sensação na Europa, Geromel luta para manter anonimato no Brasil

Desconhecido no Brasil, jogador caminha para o estrelato na Europa e é cotado para substituir Lucio no Bayern de Munique

Rodrigo Farah, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - Você sabe qual brasileiro foi eleito o melhor jogador do último Campeonato Português? E quem é o segundo melhor zagueiro da Bundesliga 08-09 de acordo com a revista alemã Kicker? Fama, reconhecimento e caminho para o estrelato no futebol europeu. Esta é a vida do atleta paulista Pedro Geromel, personagem misterioso das perguntas acima. Ao mesmo tempo, no Brasil, ele lida com um total anonimato em meio ao público e à imprensa. O curioso é que ele faz questão de permanecer no ostracismo o máximo que puder.

REVELAÇÃO COM ESPAÇO NA EUROPA
Zeit (ALE)
Pedro Geromel foi para Portugal sem auxílio de empresários para um teste e teve sucesso
Record (POR)
Jogador virou ídolo do Vitória de Guimarães e eleito o melhor em atividade em Portugal
Lars Baron/Bongarts
Após meses no Colônia, ele está na seleção da Bundesliga e já é cotado pelo Bayern
VEJA O PERFIL DE PEDRO GEROMEL
"Eu aproveito bastante. Para mim, o Brasil é sinônimo de férias e é por aí que posso ter tranquilidade. É bem melhor ficar assim do que ser reconhecido por todos. Desse jeito, consigo ir a lugares públicos com meus familiares e aproveitar tudo com os amigos. Sei que os assédios aqui são porque sou querido e também gosto, é claro. Só que é bom ter um tempo só para mim e isso acontece quando volto pra casa", revelou o zagueiro.

Aos 23 anos, Geromel já ostenta um currículo invejável no futebol europeu. Depois de receber a notícia que não teria chance nas categorias de base do Palmeiras, ao lado de atletas como Vágner Love e Edmílson, o zagueiro preferiu sair mundo a fora com o próprio dinheiro e sem qualquer auxílio de empresários.

Ao lado de um colega de escola, ele viajou em 2003 para Portugal tentar a sorte em um teste do modesto Deportivo Chaves, da segunda divisão. A aposta deu certo. Um ano e meio depois de ficar por lá, ele se transferiu para o Vitória de Guimarães onde se tornou ídolo local após classificar a equipe pela primeira vez para a Liga dos Campeões.

A partir daí, Geromel começou a ser cobiçado pelos grandes da Europa e teve sua transferência especulada para clubes como Inter de Milão e Fiorentina. Com medo de não ter chances entre os titulares nesses times, ele optou pelo Colônia, da Alemanha. "Não queria dar um passo maior que a perna", explicou o jogador.

Mesmo assim, com apenas seis meses no país, ele virou um sucesso local e já tem seu nome citado na imprensa alemã como possível contratação do Bayern de Munique para substituir Lucio. Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, Geromel negou ter recebido qualquer sondagem do maior clube germânico, mas admitiu o interesse próprio e comentou suas perspectivas para o futuro.

Veja os principais trechos da entrevista:

Pelé.Net - Você teve uma passagem curta pelo futebol brasileiro, mas se transferiu para Europa sem empresário nenhum. Como isso aconteceu?
Geromel:
Joguei quatro anos na Portuguesa, desde que era moleque. Depois cheguei a treinar nas categorias de base do Santos até ir para o Palmeiras. Foi quando um amigo me chamou para viajar para Portugal e fazer um teste no Deportivo Chaves. Não tinha empresário e nem nada disso. Fui com meu próprio dinheiro e fiquei na casa dos familiares dele por uns três meses até o clube me ajudar a me estabilizar por lá.

Os quase seis anos de Geromel na Europa já lhe renderam prêmios e um status de jogador de ponta no continente. Em maio de 2008, ele foi considerado o melhor jogador do Campeonato Português em eleição da própria federação local à frente de atletas consagrados como Lisandro López e Lucho González, segundo e terceiro colocados.

Depois disso, após somente seis meses no futebol alemão, ele já integrou o quadro da seleção do campeonato nacional, de acordo com a revista Kicker. Até o momento, ele é considerado o segundo melhor zagueiro da Bundesliga, atrás somente de Höwedes, do Schalke 04.

Outros brasileiros como Lucio (Bayern de Munique) e Naldo (Werder Bremen), são os 13º e 15º colocados, respectivamente. Para completar, Geromel teve seu nome divulgado recentemente em uma lista no site da Fifa de "jogadores a serem observados". Ao seu lado, também foram citados atletas como Keirrison e Michel Bastos.
STATUS E PRÊMIOS NA EUROPA
Pelé.Net - E por que você decidiu deixar um clube grande como o Palmeiras para tentar a sorte em Portugal sem nenhuma perspectiva futura?
Geromel:
Na verdade, eu estava bem no Palmeiras até subir para o time júnior. Era a mesma equipe que tinha jogadores como Vágner Love, Diego Souza, Edmílson. Como eu era o mais novo, o técnico Carmino Colombini falou que não jogaria, até pela qualidade do elenco. Então, decidi vir por minha conta para a Europa.

Pelé.Net - Por sua idade em Portugal, poderia não ter se adaptado bem. Como foi sua passagem pelo Chaves e como parou no Vitória de Guimarães?
Geromel:
Permaneci um ano nas categorias de base do Chaves e mais seis meses entre os profissionais. O meu amigo até poderia ter ficado também, mas não se adaptou e foi embora. Aí surgiu a chance de ir para o Vitória de Guimarães e eu aproveitei.

Pelé.Net - Você passou por problemas no Vitória de Guimarães quando ele foi rebaixado? No ano seguinte, o time voltou para a primeira divisão e já se garantiu na Liga dos Campeões. Como foi a reação dos torcedores?
Geromel:
Minha passagem pelo Vitória foi boa e não ao mesmo tempo, por esse rebaixamento. Foi bem complicado na época porque a torcida do time é bem fanática. Mas como eu era jovem e estava agradando, eles me apoiaram bastante. Aí conseguimos dar a volta por cima depois e ficou tudo tranquilo para todos.

Pelé.Net - Antes de sair do Vitória de Guimarães, você teve seu nome especulado para algumas equipes grandes da Europa. Por que decidiu se transferir para o Colônia?
Geromel:
Tive uma série de propostas de times italianos, espanhóis e até de equipes da Rússia e Romênia. Mas não queria dar um passo maior que a perna. O principal para mim era ter uma chance de jogar e isso eu teria no Colônia. Informei-me da história do clube e da cidade pela internet e decidi vir para cá.

Conhecido na Europa por ser um zagueiro habilidoso, Geromel admitiu que em suas folgas costumava desempenhar uma função bem diferente: era centroavante e artilheiro do Cruzeiro do Tatuapé, time da várzea paulistana.

Seus companheiros da equipe amadora falam que o jogador chegava até a marcar dois gols por jogo quando atuava na frente. "Ah, eu gostava mesmo. Na minha folga, não tinha nada melhor do que ir brincar no ataque. E isso até me ajudou muito", disse o zagueiro.
VÁRZEA: FONTE DE HABILIDADE
Pelé.Net - Como está sua vida na Alemanha? É verdade que já assinou um pré-contrato com o Bayern de Munique para a próxima temporada?
Geromel:
Estou adorando tudo por aqui. Já me adaptei ao país, à comida, e minha mulher também. Acho que em seis meses no Colônia tive mais projeção dos que em três anos no Vitória de Guimarães. Na verdade, isso tem sido comentado na imprensa, mas não chegou nada até mim. Ninguém me procurou. Falam que eu poderia estar envolvido em uma troca com o Podolski, pois ele tem uma história aqui, mas ainda não sei de nada. Não posso falar que não ficaria feliz com isso, porque o Bayern é o maior clube da Alemanha, mas ninguém me procurou e estou contente agora.

Pelé.Net - Você já é bem conhecido aí na Europa, mas poucos sabem quem é o Geromel no Brasil. Como você lida com isso?
Geromel:
Eu aproveito bastante. Para mim, o Brasil é sinônimo de férias e é por aí que posso ter tranquilidade. É bem melhor ficar assim do que ser reconhecido por todos. Desse jeito, consigo ir a lugares públicos com meus familiares e aproveitar tudo com os amigos. Sei que os assédios aqui são porque sou querido e também gosto, é claro. Só que é bom ter um tempo só para mim e isso acontece quando volto pra casa

Pelé.Net - E a seleção brasileira? Você pensa em uma convocação num futuro próximo? Alguém já o chamou para se naturalizar e defender a seleção de Portugal ou da Alemanha?
Geromel:
Não penso em nada disso agora. Não quero ter essa preocupação no momento. Se vier, ficarei feliz, mas não crio expectativas. Eu também não posso me naturalizar, pois tenho o passaporte italiano. Então, nem fui procurado, mas também não gostaria.




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