07h42 27/03/2009

Sandro Sotilli, o goleador que sonhou em ser padre pode fazer história

Veterano jogador, hoje no pequeno São José, de Porto Alegre, pode ser o primeiro atleta a ser "tri" na artilharia do Campeonato Gaúcho em todos os tempos

Nico Noronha, do Pelé.Net

Porto Alegre - Sandro Sotilli queria ser padre. Estava a poucos meses de fazer os votos de castidade e obediência no Seminário de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, quando foi seduzido pela bola e tomou a decisão de esquecer a batina para tentar a vida vestindo calção, camiseta e chuteira.

TODOS OS CLUBES DE SANDRO SOTILLI - 1992 A 2009
Guilherme Tavares / AI Pelotas
Sotilli, com a camisa do Pelotas, em 2008
SANDRO SOTILLI, gaúcho da cidade de Rondinha (18/8/1973), começou carreira em 1992, no Ypiranga, de Erechim. Destacou-se e foi contratado pelo Inter, onde ficou uma temporada e praticamente não foi aproveitado. Depois, na sequência cronológica, atuou no Juventude, no Ceará, quando então foi negociado pela primeira vez para o exterior, para o Beijing-CHI. Voltou ao Brasil, para o Paulista, depois ao Rio Grande do Sul, para o 15 de Novembro. Uma nova passagem pela China, no Xian, depois Glória, Necaxa-MÉX, Dourado-MÉX, Leon-MÉX, Caxias, Veranópolis, Pelotas e finalmente, neste 2009, o São José.
Quase duas décadas depois daquela guinada, o gaúcho de 35 anos pode entrar definitivamente para a história do futebol gaúcho. Ele luta pela artilharia do Gauchão 2009 e se atingir esse objetivo, será o primeiro atleta da história do Rio Grande do Sul a chegar a goleador em três edições do Estadual da primeira divisão - as outras duas foram em 2002, pelo 15 de Novembro de Campo Bom e em 2004, pelo Glória de Vacaria.

Nesta última semana a missão ficou mais difícil, pois seu principal concorrente, Taison, do Inter, marcou quatro gols e livrou 14 a 10 nesse duelo. Nada que diminua o entusiasmo e a confiança de Sotilli, como ele revelou nessa entrevista ao Pelé.Net, concedida ao meio-dia da quinta-feira, por telefone, do apartamento que habita sozinho, na capital gaúcha. A mulher e a filha moram bem longe, no México, onde passou parte de sua vida cigana.

Pelé.Net - Você sabe que está próximo de entrar para a história do futebol gaúcho?
Sandro Sotilli
- Eu não conheço direito a história, mas o pessoal tem comentado que posso me tornar o primeiro atacante a ser goleador em três campeonatos. Isso só aumenta minha motivação.

Pelé.Net - Você faz um controle de seus gols?
Sotilli
- Não tenho um controle muito rigoroso. Sei que em 2002 fui o goleador com 21 e em 2004 já foram 27. Sei também que, somados todos os que fiz no Gauchão já são 97. Na carreira toda como profissional devo ter uns 350.

Pelé.Net - E a emoção e a vibração, hoje, são as mesmas do início de carreira?
Sotilli
- A mesma coisa. O gol é aquele momento maravilhoso, onde a gente tem a recompensa pelo esforço dos treinamentos, pelas noites de encerramento na concentração, e também um desabafo por tudo o que acontece na tua vida. Não existe emoção maior.

Pelé.Net - E já fez alguma loucura num momento de comemoração de gol?
Sotilli
- Não. Nunca programei alguma coisa. O que fiz foi correr em direção à torcida, subir em cerca, tirar a camisa, essas coisas que acontecem naquele momento em que dá um branco na cabeça e a gente nem sabe direito o que está fazendo.

Pelé.Net - E até quando você pretende jogar?
Sotilli
- Não sei. Me sinto muito bem, gosto do que faço e não tenho nenhum problema físico. Hoje em dia, com a evolução da preparação, dá para ir mais longe. Antigamente se fazia uma preparação física errada, faziam carregar peso, mandavam subir e descer escadas e estouravam com os jogadores. Graças a Deus aquele período já passou.

Pelé.Net - E o goleador que um dia quis ser padre hoje está casado, com filhos?
Sotilli
- Eu tive uma companheira durante oito anos e tivemos uma filha, a Maria Eduarda. Elas moram no México e com alguma frequência vêm me visitar.




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