11h11 16/03/2007 Fabrício Carvalho supera trauma e recomeça no Goiás
Atacante se destacou no São Caetano de 2004, mas passou quase dois anos afastado do futebol por uma arritmia cardíaca e agora volta a jogar pelo Goiás.
Gustavo Franceschini, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - O futebol brasileiro ainda vivia o abalo causado pela morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, vítima de uma parada cardiorrespiratória no dia 27 de outubro de 2004. Em fevereiro do ano seguinte, um outro caso abalou o elenco do time do ABC: o centroavante Fabrício Carvalho, artilheiro do clube na temporada anterior, teve uma arritmia cardíaca diagnosticada. Esse foi o início de um longo drama para o atacante, que só retornou aos gramados nesta temporada.
Desde que chegou ao Goiás, Fabrício Carvalho tem sido supervisionado por Luciano Gualberto, fisiologista do clube esmeraldino. Em entrevista ao Pelé.Net, o profissional disse que um medicamento especial ajudou a combater a arritmia cardíaca do atleta.
"Foram feitos vários exames e ele teve um resultado razoável, mas o problema voltava a aparecer quando ele fazia um esforço muito intenso. Por isso, ele começou a tomar um betabloqueador, que diminuiu muito essa arritmia", disse Gualberto.
Os novos resultados avalizaram a volta do jogador aos gramados e à rotina de um atleta profissional. Para o fisiologista, Fabrício Carvalho tem as mesmas chances de ter um problema cardíaco que um atleta comum, e comparou o caso com o e Washington, ex-Atlético-PR, que sofre do mesmo problema e continua em atividade.
"Fizemos uma comparação dele com os outros jogadores daqui do Goiás e chegamos à conclusão de que o risco dele é só um pouco maior que os demais. O Washington tem um risco muito maior do que o dele e está jogando mesmo assim", completou.
Depois de quase dois anos de angústia, Fabrício Carvalho está realizado. O atacante trocou o São Caetano pelo Goiás e comemorou demais a recepção que teve na equipe esmeraldina. "Deus quem me mandou para cá", resumiu.
Realmente, a mudança de Fabrício Carvalho para o Goiás não aconteceu por acaso. O atacante alega que não teve apoio no São Caetano depois que a doença foi encontrada, e por isso procurou médicos de Goiânia para finalizar o tratamento. Ele passou alguns meses treinando e fazendo testes, e a equipe do Cerrado cedeu sua estrutura ao atleta.
A mudança para o Goiás é fruto da maior polêmica no tratamento de Fabrício Carvalho. Em agosto de 2005, ele foi liberado por Beny Schmidt, chefe do laboratório de patologia neuromuscular e professor adjunto de anatomia patológica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), para voltar a desenvolver uma atividade física competitiva. O profissional submeteu o atacante a uma biópsia muscular (retirou tecido de seu ombro esquerdo) e descartou a existência de uma miocardia primária lipídica.
A diretoria do São Caetano, contudo, não considerou o laudo suficiente. O clube do ABC, que ainda vivia o trauma da morte do zagueiro Serginho, pediu mais exames para que Fabrício Carvalho fosse reincorporado ao elenco. E nesse ponto, iniciou um conflito com o atacante.
"Nunca tive nenhum sintoma. Eu tinha um laudo dado por um patologista que me autorizava a entrar em campo, mas eles queriam um cardiologista. Eu fazia muitos exames e nunca conseguia ter certeza de nada. Chegou uma hora em que minha paciência acabou", contou Fabrício Carvalho em entrevista exclusiva ao Pelé.Net.
A polêmica, contudo, já ficou para trás. No Goiás, Fabrício Carvalho tenta recomeçar a carreira e recuperar a fase positiva de 2004: "Eu estava no meu melhor momento como profissional. Tinha propostas do exterior e estava sendo muito elogiado".
Na última quarta-feira, Fabrício Carvalho deu mais um passo em sua recuperação. Depois de retornar aos gramados, o centroavante voltou a balançar as redes - coisa que não fazia desde 5 de dezembro de 2004. Em sua terceira partida pelo Goiás, o jogador foi o autor do gol do empate por 1 a 1 com o Bahia, na Fonte Nova, em confronto válido pela Copa do Brasil.
Pelé.Net - Como você recebeu a notícia de que tinha arritmia cardíaca? Fabrício Carvalho - Eu nunca tive nenhum sintoma. Foi um exame que eu fiz que acusou que eu tinha a arritmia cardíaca. Nunca apareceu nada, até porque eu tenho coração de atleta, que é diferente, não aparece tanto.
Pelé.Net - Você tem como avaliar o quanto essa parada foi prejudicial à sua carreira? Fabrício Carvalho - Eu estava no meu melhor momento como profissional, na melhor fase da carreira. É complicado. Eu tinha propostas do exterior na época e estava sendo muito elogiado.
Pelé.Net - E agora, com a sua volta? Qual é a sua expectativa daqui em diante? Fabrício Carvalho - Minha expectativa é ótima. Já fiquei sabendo que tem clube de fora que está acompanhando meu retorno. Clube que estava interessado em mim antes do problema. Sei porque já procuraram meu empresário. Mas quero me sentir bem aqui no Goiás e voltar ao meu futebol.
Pelé.Net - Falando na sua volta, como você está sentindo depois de dois anos sem jogar? Fabrício Carvalho - Fiquei três meses fazendo somente testes físicos. Depois fiquei mais um tempo fazendo um trabalho de recondicionamento físico, mas isso eu vou pegar com o tempo e com o contato com bola. É uma fase de readaptação. Qualquer jogador que passa pelo que eu passei sente a volta e sabe que tem de ter paciência. Se quem fica 15 dias sem jogar já sente, imagina eu, que fiquei quase dois anos.
Pelé.Net - E você já consegue avaliar sua atuação nos gramados? Fabrício Carvalho - Tive um retorno que eu não esperava. Consegui jogar 90 minutos e me senti bem. Agora o maior problema é acertar o ritmo de jogo. O Goiás é um clube que me abriu as portas e eu tenho certeza que os resultados vão aparecer.
Pelé.Net - Depois que o seu problema cardíaco surgiu na imprensa, você foi muito visado pela mídia, e sua saída do São Caetano foi meio turbulenta. O que aconteceu de fato? Fabrício Carvalho - É como eu disse. Eu nunca tive nenhum sintoma. Eu tinha um laudo dado por um patologista que me autoriza a entrar em campo, mas eles queriam um cardiologista. Eu achei muito estranha essa situação. Eu fazia muitos exames e nunca conseguia ter certeza de nada. Chegou uma hora em que minha paciência acabou.
Pelé.Net - Você acha que o caso do Serginho teve, indiretamente, alguma coisa a ver com a sua saída do São Caetano? Fabrício Carvalho - Eles estavam meio assustados com a história do Serginho, e aí sobrou para mim. Mas isso é passado. Eu não guardo nenhuma mágoa do São Caetano, eles não tiveram culpa nenhuma, mas eu cheguei ao meu limite. Sei que algumas pessoas me prejudicaram e prejudicaram a minha carreira, mas mesmo assim eu não guardo mágoa porque não é da minha índole.
Pelé.Net - O contraponto de sua saída tumultuada do São Caetano foi sua chegada ao Goiás. Como você avalia a recepção do clube e da torcida? Fabrício Carvalho - Foi a melhor possível. Foi Deus quem me mandou para cá. No início eu só estava fazendo testes, mas acabei ficando e estou muito bem. O que eu quero agora é me recuperar fisicamente e, com paciência, dar o retorno ao clube e à torcida.