08h03 04/05/2007

Ex-São Caetano e Santos, Fabinho prevê zebra na final

Volante do Toulouse-FRA admite ligeiro favoritismo do time do ABC na final paulista. Jogador prevê retorno ao São Caetano como investidor e critica conduta da diretoria do Corinthians.

Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net

SANTOS - Cria do São Caetano e campeão paulista com o Santos em 2006, o volante Fabinho, atualmente no Toulouse-FRA, se diz dividido na decisão estadual deste ano, preferindo evitar qualquer palpite sobre o placar de domingo, embora tenha deixado escapar que o troféu deverá ter como destino o ABC paulista.

Em entrevista ao Pelé.Net, o jogador falou sobre Paulistão-07, a boa fase no futebol internacional, o sonho de trabalhar com a base do São Caetano e decepções na sua despedida do Corinthians.

TRAJETÓRIA DE FABINHO
Arquivo/FI
Em 2001, no Azulão, Fabinho divide bola com o volante Marcos Senna no Anacleto
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Já no Corinthians, volante faz treino físico no Parque São Jorge; atleta revela mágoa
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Fabinho chega ao Santos em 2006 por indicação de Luxa; depois foi para França
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Xodó de Vanderlei Luxemburgo, Fabinho iniciou o Estadual do ano passado como meio-campista e terminou como lateral-direito do Santos. E é justamente o setor direito a principal carência do time da Vila diante do São Caetano, domingo.

"O Vanderlei sabe explorar o máximo de cada um e não tem medo de inovar. Ele me colocou como lateral, na época de Corinthians, e na ala terminei no Santos. Assim como eu cumpri as determinações no setor, qualquer outro atleta poderá se sair bem na lateral contra o São Caetano", disse.

Sobre a equipe do ABC, o atleta entende que o clube superou o baque sofrido com a morte do zagueiro Serginho (durante duelo frente ao São Paulo, em 2004), recuperando o status de "indigesto" perante os grandes. Fabinho diz que sua fase no São Caetano ainda será "completada", mas não definiu se voltará como atleta ou investidor.

Ao contrário de Santos e São Caetano, onde Fabinho afirma ter sido tratado como um "filho", o mesmo sentimento não se aplica ao Corinthians. O volante acusa os dirigentes de terem menosprezado os atletas que não pertenciam à MSI, patrocinadora que se instalou no Parque São Jorge em 2004. "Uma das poucas coisas que eu guardo com carinho na época do Corinthians era o som da bateria do clube", conta.

"O clube olhava apenas para a chegada da MSI e esqueceu dos jogadores que não eram ligados à nova parceira. Fomos totalmente abandonados ali dentro", revela Fabinho, cujos direitos federativos pertenciam a Hicks, Muse, Tate & Furst, antiga parceira corintiana.

Ídolo do Toulouse, Fabinho é considerado um dos responsáveis pela melhor campanha do clube europeu em sua história (o time era o vice-líder do Campeonato Francês até a rodada passada e agora está na 4ª colocação). Os dois primeiros da competição asseguram vaga na Liga dos Campeões, torneio ainda inédito para o Toulouse.

Pelé.Net - Fabinho, você vivenciou a ascensão definitiva do São Caetano no cenário nacional e foi um dos principais nomes do Santos na conquista do Paulistão-06. Quem será o campeão estadual de 2007?Fabinho - É difícil falar quem será o campeão. Espero que vença o time que jogar melhor. Posso ficar em cima do muro [risos]? O Santos fez uma super campanha e o São Caetano mostrou que tem potencial para vencer novamente. Só guardo boas lembranças dos dois clubes... Mas acho que vai dar zebra. O São Caetano já não mais se assusta contra rivais de peso e parte pra cima. Eles venceram o São Paulo, que pensou que derrotaria o São Caetano apenas com sua experiência, e tirou a vantagem que o Santos tinha nas finais.

Pelé.Net - Por ter sido revelado no São Caetano, existe um carinho especial pelo Azulão? Você pensa em retornar ao clube do ABC futuramente?
Fabinho
- Sem dúvida. Eu tenho uma dívida eterna com o São Caetano, pois só eu sei o quanto eles fizeram por mim no começo de minha carreira. O São Caetano tem um ambiente diferente dos demais clubes. É uma família. Quando estive lá, os principais jogadores do time não ficavam com essa de "eu ganho mais que você", como às vezes acontece num clube de ponta. Todos se unem por um só objetivo e isso é fantástico. Penso em trabalhar com a base do São Caetano quando encerrar a minha carreira.

Pelé.Net - Sonha em ser presidente do São Caetano?
Fabinho
- Poxa, já me perguntaram sobre isso outras vezes, mas não quero ser presidente, empresário e técnico, porque requer paciência para resolver problemas. É problema atrás de problema e sou um cara muito tranqüilo. Prefiro ficar longe de questões embaraçosas.

Pelé.Net - O Vanderlei Luxemburgo costuma enfatizar que o Santos de 2006 estava sendo preparado para as conquistas em 2007. E você foi peça-chave para o título do ano passado, que findou jejum de 21 anos. Esse Santos atual é muito superior ao de 2006?
Fabinho
- Quem conhece o trabalho do Vanderlei sabe que ele trabalha a longo prazo. Fomos bastante criticados no começo do ano passado pelo fato de o Santos ter contratado um monte de atletas desconhecidos. Mas ele fez a mesma coisa no Corinthians: pegou uns oito atletas do Interior. A molecada evoluiu e o time ganhou títulos tempos depois. O Santos está no mesmo caminho, apesar de ter perdido o primeiro jogo da final por 2 a 0. O time de hoje é melhor, já que a base está mais experiente e o Santos trouxe reforços depois daquele Paulistão.

Pelé.Net - Você assistiu ao primeiro duelo da decisão paulista?Fabinho - Não pude ver, infelizmente. O Toulouse passa por um momento decisivo no Campeonato Francês. Final de semana ou eu estou jogando ou treinando. Além disso, as TVs daqui transmitem vários campeonatos, menos o Paulistão.

Pelé.Net - Na derrota do Santos sobre o São Caetano, domingo passado, o volante Maldonado atuou no segundo tempo improvisado na lateral direita. Faltou um Fabinho para preencher o setor?
Fabinho
- No pouco tempo em que defendi o Santos fiz vários jogos como lateral. O Maldonado jogou no setor porque o Vanderlei sempre cobra versatilidade aos jogadores. O Santos não perdeu porque o Maldonado jogou improvisado. Perdeu porque o São Caetano foi inteligente ao aproveitar as poucas chances de gol. Além disso, o Santos tem o Dênis e o Pedro para a ala.

Pelé.Net - Aproveitando, o Pedro deixou o Santos no início da semana e o Denis se contundiu seriamente...
Fabinho
- Ah é? Não sabia. Fico longe dos acontecimentos aí do Brasil e dá nisso.

Pelé.Net - Ao contrário de São Caetano e Santos, você não trata o Corinthians com o mesmo carinho. O que houve exatamente em sua passagem pelo Parque São Jorge?
Fabinho
- Eu confesso que guardo mágoa do Corinthians pela forma como saí do clube. Eu não era ligado à MSI e, portanto, a diretoria me deixou de lado, pois todas as atenções estavam voltadas à nova parceira. Ninguém me procurou para conversar e muitos nem sabiam se eu ainda estava no clube ou se eu já tinha saído. Do Corinthians eu guardo os amigos que eu deixei, o carinho dos torcedores e o som da bateria da torcida.

Pelé.Net - Como você avalia sua fase no Toulouse. Pretende seguir no clube por mais quanto tempo? A chegada à Liga dos Campeões ainda é possível?
Fabinho
- Estou vivendo um período muito bom aqui na França e a torcida tem uma paixão enorme por jogadores brasileiros. Tanto eu quanto Paulo César [ex-Santos] estamos na relação dos jogadores que colocaram o clube entre os principais do país. O Toulouse está na briga por uma vaga na Liga dos Campeões, algo inédito para o clube. Existe a possibilidade de renovação por mais três anos e não penso em deixar a Europa nos próximos anos




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