08h04 08/05/2007 'Louco' pelo São Paulo, Aloísio lembra de noite no hospício
Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, atacante conta sobre passagem bizarra na Rússia e fala da sua paixão pelo clube tricolor.
Leandro Canônico, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Quem vê Aloísio dando entrevista ou o encontra pessoalmente não pode imaginar que esse sujeito simples, carismático e que esbanja bom humor já esteve num hospício. Mas é a pura verdade. A estadia do atacante num hospital para doentes mentais aconteceu em 2004, na cidade de Kasan, na Rússia. Um contratempo inusitado, que entra para uma lista enorme de jogadores brasileiros.
"Quando fui jogar no Rubin Kasan, os dirigentes me buscaram no aeroporto. Entrei na caminhonete e eles disseram que eu ficaria num hotel e depois procuraria apartamento. No local, vi um monte de gente de branco. Achei estranho, mas dormi lá e acordei no meio da noite escutando um monte de gritos", lembrou.
"No dia seguinte, eu perguntei para a pessoa que estava responsável por mim o que tinha acontecido, porque parecia que alguém batia numa mulher. Daí que ele me explicou que por falta de vaga nos hotéis haviam me colocado num hospício. Aí eu disse que ia embora se não me tirassem de lá", contou o atacante.
PROJETO DE ALOÍSIO EM ATALAIA
Aloísio quer morar no interior de Alagoas
Aos 32 anos, o atacante Aloísio já tem na sua mente o que pretende fazer quando encerrar a carreira de jogador de futebol: voltar a sua cidade natal: Atalaia, no interior de Alagoas.
Lá, o são-paulino pretende montar negócios comerciais e cuidar do clube da cidade, para o qual financia a construção de um estádio, que levará o nome do pai de Aloísio.
A obra tinha data de início marcada para a última segunda-feira. O local terá lugar para aproximadamente 4 mil pessoas.
"Eu quero voltar para a minha cidade. Lá eu tenho tudo, amigos, família...aqui em São Paulo eu levo dez pessoas para comer numa churrascaria e gasto 800 reais. Em Atalaia, a gente come bem e os mesmos dez gastam 150 reais", contou o atacante Aloísio.
É comum jogadores brasileiros passarem por contratempos fora do país. Viola, ex-Corinthians, não se adaptou à culinária espanhola. Elano, ídolo no Santos, sofre com o rigoroso frio ucraniano. Adhemar, revelado pelo São Caetano, voltou ao perceber que não aprenderia o alemão. Somália, vice-campeão paulista domingo com o time do ABC, comeu cachorro sem saber na Coréia do Sul.
Mas atualmente em alta no São Paulo, Aloísio ri das dificuldades que passou em sua carreira e comemora o auge de sua trajetória no futebol. Momento que o atacante atribui totalmente ao clube do Morumbi, no qual chegou no segundo semestre de 2005 para a disputa do Mundial de Clubes no Japão.
O passe dado para o gol de Mineiro na final contra o inglês Liverpool, aliás, é lembrado por Aloísio toda vez que ele entra em campo. Nesta entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o jogador fala também do difícil início de carreira.
Pelé.Net - Além desse problema que você teve na Rússia, qual outro momento está na lista dos piores de sua carreira? Aloísio - Foi em 1996, quando o Flamengo me mandou para o Guarani junto com mais três jogadores em troca do Amoroso. Eu estava com o joelho machucado e fiquei encostado. Não tive um bom momento lá.
Pelé.Net - O São Paulo, então, é melhor clube pelo qual você jogou? Aloísio - Sim, sim. O São Paulo é onde eu me senti melhor em toda minha carreira. Nunca vi um grupo tão unido como esse que tem aqui. Não existe esse negócio de torcer para o jogador machucar para você entrar ou de um atacante ficar torcendo para que o outro não faça gol.
Pelé.Net - Os críticos dizem que o zagueiro Fabão evoluiu muito tecnicamente no São Paulo. E alguns dizem que você também. É mais fácil superar as limitações no clube do Morumbi, pelo clima e etc? Aloísio - Desde o meu primeiro momento no São Paulo parecia que eu já conhecia todo mundo. Minha adaptação foi rápida. O Fabão e o Lugano foram jogadores que tiveram isso aí que você falou. E eu também. Acho que quando o atleta tem a confiança do treinador e dos jogadores fica tudo mais fácil.
Pelé.Net - Você será eternamente lembrado pelos são-paulinos pelo belo passe dado ao Mineiro na final do Mundial de Clubes em 2005. O que representa aquele lance para a sua carreira? Aloísio - Rapaz, representa tudo, a coisa mais preciosa do mundo. Lembro daquele lance a todo momento, sempre que entro em campo. Assisto de vez em quando no DVD lá em casa para relembrar. Foi muito bom aquele momento.
Pelé.Net - Aloísio, você tem uma admiração incondicional pelo Romário, tanto que seu filho tem o nome dele. O que ele representa para sua carreira? Aloísio - É mesmo, eu gosto muito dele. O Baixinho sempre me incentivou na época de Flamengo, é muito importante na minha carreira. Eu me lembro que estava preocupado de sair da reserva do Flamengo e ir para o Goiás, mas ele me disse que era o melhor para mim e que eu iria arrebentar lá, depois ia para Europa.
Pelé.Net - Você já realizou todos os sonhos de sua carreira? Aloísio - Já consegui bastante coisa. Eu tinha um sonho de ir para Europa, e joguei na França [Saint-Etienne] e na Rússia [no Rubin Kasan]. Tinha o sonho de vir para o São Paulo também, e agora estou aqui. Agora meu objetivo é conquistar uma Libertadores.