10h38 17/07/2007

Após sofrer para se readaptar, Juan projeta manter ascensão

Depois de uma passagem pela Inglaterra, lateral teve problemas para se readaptar ao Brasil e quase foi dispensado pelo Fluminense em 2005. Hoje no Flamengo, projeta novas viradas para o clube e sua carreira.

Marcelo Ferreira, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - Nos últimos anos, as transferências de jogadores de futebol do Brasil para o exterior têm sido tão precoces quanto efêmeras. Em 2006, por exemplo, 851 atletas foram exportados, mas 311 retornaram. A principal razão para isso: problemas de adaptação nos outros países. Diante desse contexto, a trajetória do lateral-esquerdo Juan é no mínimo curiosa. O camisa 6 do Flamengo teve uma passagem pela Inglaterra até 2003, mas assimilou facilmente a vida em terras britânicas. Quando retornou, contudo, sofreu para reencontrar as boas atuações e chegou a figurar na lista de dispensas do Fluminense. A situação só mudou drasticamente depois da transferência para a Gávea.

Crédito
Adaptado ao Flamengo, lateral Juan vence a timidez e projeta até chegada à seleção
Nome completo: Juan Maldonado Jaimez Junior
Nascimento: 6 de fevereiro de 1982, em São Paulo (SP)
Altura: 1.67 m
Peso: 66 Kg
Posição: Lateral-esquerdo
Clubes: São Paulo (1994 a 2001), Arsenal-ING (2001 a 2003), Milwall-ING (2003), Fluminense (2004 a 2005) e Flamengo (desde 2006)
Títulos: Copa da Inglaterra (2002), Estadual do Rio de Janeiro (2005 e 2007), Copa do Brasil (2006)
Prêmios individuais: Melhor lateral-esquerdo do Estadual do Rio de Janeiro, eleito pelos jornalistas, em 2005 e 2007
PERFIL DE JUAN
O primeiro momento de glória de Juan no Flamengo foi a conquista da Copa do Brasil do ano passado, na qual a equipe rubro-negra superou o Vasco na decisão (vitórias por 2 a 0 e 1 a 0, ambas no Maracanã). Aos 28min da etapa inicial, o lateral pegou uma sobra na meia-lua e acertou um chute de pé esquerdo, rasteiro, no canto esquerdo do goleiro Cássio. O gol do título.

"Eu imaginava isso desde criança e nunca vou esquecer o título do jeito que aconteceu. Foi um sonho realizado. A gente sempre pensa, mas fazer um gol na decisão não é uma coisa tão comum para um lateral", contou Juan em entrevista exclusiva ao Pelé.Net.

Apesar do gol do título em 2006, foi nesta temporada que as atuações de Juan realmente deslancharam. O lateral foi o eleito o melhor de sua posição no Estadual do Rio de Janeiro e já enxerga até a possibilidade de receber uma chance na seleção brasileira.

Vestir a camisa da seleção pode ser uma meta ousada, mas chega a parecer algo mais próximo diante da trajetória de Juan. Afinal, o jogador que hoje está consolidado no Flamengo estava na lista de dispensas do rival Fluminense até o início de 2005. Para superar a má fase, precisou se readaptar ao futebol brasileiro e vencer a timidez, principalmente fora de campo.

"Dentro de campo eu não mudei muito, mas percebi que também é importante ter a amizade dos companheiros. Procurei mudar nesse sentido", explicou Juan, que foi advertido sobre a introspecção por Valdir Espinosa, técnico do Fluminense em 2004.

Em pouco tempo, Juan passou por uma virada contundente na carreira. Aliás, mais uma, já que o lateral revelado pelo São Paulo deixou o clube em 2001 - fez apenas dois jogos pelos profissionais da equipe tricolor - e se transferiu para o Arsenal com apenas 19 anos.

Apoiado nessa vivência de altos e baixos, Juan trabalha para manter a boa fase individual no Flamengo. E é claro, para tirar o time rubro-negro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro - atualmente, a despeito de ter três jogos a menos que a maioria dos rivais, a equipe da Gávea ocupa a 18ª colocação.

Pelé.Net - O Flamengo conquistou o Estadual deste ano, mas vive um momento complicado e está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O que a torcida pode esperar do time ainda em 2007?
Juan -
Pode esperar a situação mudar. Primeiramente, temos de sair da zona de rebaixamento. Não adianta priorizar o título sem antes sairmos de lá. Precisamos pensar em uma coisa de cada vez para buscarmos algo maior. Se Deus quiser, podemos conquistar uma vaga na Copa Libertadores.

Pelé.Net - E individualmente, quais são suas próximas metas?
Juan -
Eu procuro cumprir meus objetivos com o Flamengo e chegar à seleção. Mas sei que para isso eu preciso estar com a cabeça tranqüila, buscando o meu máximo e jogando cada vez mais.

Pelé.Net - Falar em seleção brasileira parece muito para quem estava na lista de dispensas do Fluminense até o início de 2005. O que aconteceu depois disso?
Juan -
Era a oportunidade que eu tinha. Demorei um pouco para me adaptar porque tinha voltado do futebol europeu. Não sabia que teria tantos problemas para me readaptar. Mas entendi que aquela era minha última chance, meu último ano de contrato, e eu dei tudo de mim. Precisava dar a volta por cima e aparecer, que era meu grande objetivo quando voltei ao país.

Pelé.Net - Qual é o saldo de sua passagem pelo Arsenal? Você fez somente dois jogos pela equipe principal. Teve contato com as estrelas do clube?
Juan -
Existia uma comissão técnica para o time B e nós treinávamos longe dos outros. O meu começo lá foi complicado por causa da língua, mas depois foi tudo bem e eu não tive problemas para me adaptar. Foi muito importante para mim, principalmente por ter atuado ao lado de jogadores com o [holandês Denis] Bergkamp.

Pelé.Net - Você considera um erro ter saído tão cedo do Brasil?
Juan -
Eu era novo e queria sair. Apareceu uma oportunidade de defender um grande clube europeu e era uma proposta excelente para todos. O São Paulo [time que o lateral defendia na época] deve ter ficado muito satisfeito com o dinheiro que recebeu. As coisas não funcionaram como eu esperava, mas a chance não passa duas vezes e eu quis agarrar.

Pelé.Net - Quando você voltou ao Brasil, em 2004, o Valdir Espinosa disse que você tinha problemas por conta da timidez excessiva. Isso atrapalhou muito? Você mudou depois que recebeu esse aviso?
Juan -
Dentro de campo eu não mudei muito, mas percebi que também é importante ter a amizade dos companheiros. Procurei mudar nesse sentido.

Pelé.Net - Qual foi o treinador mais importante para sua carreira até aqui?
Juan -
Não tem como não falar do Abel [Braga, atualmente sem clube]. Foi o cara que me colocou para jogar e me deu confiança. Ele acreditou em mim em um momento difícil da minha carreira, quando ninguém me conhecia, e devo muito a ele por estar aqui hoje.

Pelé.Net - No ano passado, você foi o autor do gol que deu ao Flamengo o título da Copa do Brasil. Você sonhava com esse momento? O que passou pela sua cabeça?
Juan -
Eu imaginava isso desde criança e nunca vou esquecer o título do jeito que aconteceu. Foi um sonho realizado. A gente sempre pensa, mas fazer um gol na decisão não é uma coisa tão comum para um lateral.




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