Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians





Fruto do pioneirismo

O Fluminense nasceu com o próprio futebol carioca. O pioneiro do esporte no Rio de Janeiro, Oscar Cox, foi também o idealizador do Tricolor das Laranjeiras. E rapidamente o Fluminense impôs seu nome no futebol da então capital brasileira e do resto do país, desafiando de igual para igual os clubes de São Paulo.

Esse pioneirismo ajudou a fazer do Fluminense uma potência dentro de campo. Alternando bons e maus momentos, o clube sempre manteve-se entre os maiores do país. Da maravilhosa equipe comandada pelo goleiro Castilho, nos anos 60, à verdadeira máquina da década de 70, com Carlos Alberto Torres, Edinho e Rivellino, o Flu sempre encheu de alegria a sua torcida.

Depois de uma década de 80 também marcante, com a dupla Assis e Washington, o Fluminense entrou numa fase difícil. O poderia das décadas passadas deu lugar a times de pouca expressão, e o resultado foi o rebaixamento do time. Primeiro, para a Segunda Divisão nacional. Depois, para a Terceira. Mas na fórmula de competição adotada no ano 2000, o Fluminense voltou ao grupo dos grandes, o que combina muito mais com o seu passado de glórias.



1902 - 1911 — Da fundação ao tetra
1912 - 1919 — Da cisão ao tricampeonato
1920 - 1933 — Rumo ao profissionalismo
1934 - 1946 — Do terceiro tri à ousadia de Gentil
1947 - 1959 — Taça Olímpica, "Timinho", Copa Rio e Rio-São Paulo
1960 - 1973 — Fartura de títulos
1974 - 1982 — A revolução da "Máquina"
1983 - 1985 — O quarto tri da história
1986 - 2000 — Tempos pra lá de difíceis



1902 - 1911 — Da fundação ao tetra

O futebol chegou ao Brasil oficialmente por intermédio do paulista Charles Miller, que voltou da terra de seus pais, a Inglaterra, em 1894, após completar sua formação acadêmica, trazendo a tiracolo duas bolas de couro.

Naquele finzinho de século, o esporte da moda no Rio de Janeiro era o remo. O futebol, pouco conhecido, era praticado basicamente por britânicos, importados pelas fábricas de tecidos e pelos setores de ferrovias e de energia elétrica. O jogo, na então capital do país, só começou a ganhar impulso em 1898, quando o carioca descendente de ingleses Oscar Cox chegou de Lausanne (Suíça), onde estudara, disposto a ensinar aos amigos suas regras e fundamentos.

Oscar promoveu três jogos entre um time formado por seus companheiros e por britânicos residentes no Rio e em Niterói. Não ganhou, mas também não perdeu. Assim, tomou coragem para desafiar um combinado paulista.

Reuniu os amigos e viajou a São Paulo, onde sua equipe colheu mais dois empates, 2 x 2 e 0 x 0, em partidas disputadas no campo do São Paulo Athletic Club, respectivamente em 21 e 22 de outubro de 1901.

Em novembro daquele ano, Oscar e dois de seus companheiros, Caywood Robinson e Mário Frias, decidiram pôr em prática o desejo de fundar um clube para a prática exclusiva do "football". O encontro não tardou a ser agendado, mas a tentativa fracassou. Sete meses mais tarde, porém, um certo João Ferreira aproveitou-se da idéia e reuniu alguns conhecidos na sede do Club de Natação e Regatas para dar vida ao Rio Football Club, que teve existência efêmera.

A fundação do Rio FC foi divulgada em 13 de julho de 1902. Naquele mesmo dia, Oscar Cox e seus companheiros chegavam a São Paulo para mais dois amistosos. Os paulistas venceram por 1 x 0 e 3 x 0, mas os resultados não foram suficientes para desanimar os cariocas.

No dia 15 de julho, assim que chegaram ao Rio, Oscar divulgou um novo convite. "Fluminense Foot-Ball Club. Segunda-feira, 21 do corrente, às 8:30 horas da noite, haverá uma reunião à Rua Marquês de Abrantes nº 51, afim de tratar-se da fundação deste Club. À Commissão". Desta vez, o comparecimento foi grande. E foi nesse endereço, residência de Horácio da Costa Santos, que surgiu enfim o Fluminense.

A assembléia foi presidida por Manoel Rios e aclamou como primeiro presidente o próprio Oscar Cox. E foram considerados fundadores os 20 presentes, assim dispostos por ordem de assinatura: Horácio da Costa Santos, Mário Rocha, Walter Schuback, Félix Frias, Mário Frias, Heráclito de Vasconcellos, Oscar Cox, João Carlos de Mello, Domingos Moitinho, Louis da Nobrega Junior, Arthur Gibbons, Virgilio Leite, Manoel Rios, Américo da Silva Couto, Eurico de Moraes, Victor Etchegaray, Anselmo Mascarenhas, Álvaro Drolhe da Costa, Júlio de Moraes e A. H. Roberts.

Na assembléia realizada em 17 de outubro de 1902, a comissão encarregada de escolher um local para sede e campo do clube anunciou que alugara ao Banco da República, por 100 mil réis mensais, uma chácara nas esquinas das ruas Guanabara e do Roso. O nivelamento do terreno foi concluído em 1904. Uma pequena reforma na casinha do vigia foi suficiente para transformá-la na primeira sede do Fluminense.Até 1904, o Fluminense utilizou uniforme com as cores escolhidas na assembléia de 17 de outubro de 1902: camisa metade branca, metade cinza, calção branco e meia preta. Mas em uma viagem à Inglaterra, Oscar Cox e Mário Rocha concluíram que as casas de material esportivo do país já não fabricavam traje semelhante. E enviaram carta ao Rio sugerindo que o clube adotasse o uniforme verde, vermelho e branco, logo aprovado pelos sócios. Assim, o Fluminense virou tricolor.

Ainda em 1904, o Banco da República vendeu o terreno onde estava o campo do Fluminense a Eduardo Guinle. O novo dono não tardou a entusiasmar-se pelo novo esporte e a promover, por conta própria, a construção de arquibancadas, as primeiras em um campo de futebol no Rio. Em 1905, na administração de Francis Walter, a primeira sede foi demolida, dando lugar a uma nova, mais ampla e mais moderna.

Naqueles tempos, o futebol era disputado apenas pelos chamados "rapazes de boas famílias", universitários em sua esmagadora maioria. Não existia a preocupação de atrair público aos jogos, mas as partidas amistosas, cada vez em maior número, começavam a tornar o esporte mais conhecido. E logo surgiram novos clubes no Rio e uma liga que os reuniu, a Liga Metropolitana de Football.

No dia 3 de maio de 1906, o Fluminense abriu o primeiro Campeonato Carioca da história goleando o Paysandu por 7 x 1, nas Laranjeiras. "Inaugurou-se hontem, com o grande meeting, a estação de football. A concurrência de circunstantes foi numerosa, podendo-se calcular em 1000 pessoas. As amplas e elegantes archibancadas encheram-se au grand complet e em todos notava-se muito interesse pelo match. O Fluminense fez-se representar por um team de respeito. Foi elle o vencedor do primeiro match, por sete golos a um", destacou o "Jornal do Brasil" de 4 de maio. O Fluminense, aliás, não encontrou adversários à altura naquele primeiro Carioca. Venceu Bangu (4 x 0 e 2 x 0), Botafogo (8 x 0 e 6 x 0), Football & Athletic (7 x 0 e 11 x 0), Paysandu (7 x 1) e Rio Cricket (2 x 1 e 4 x 1). A única derrota foi para o próprio Paysandu, 3 x 1, em 5 de agosto. Horácio da Costa Santos marcou 18 vezes e acabou como o artilheiro da competição.

O Fluminense voltou a conquistar o Carioca de 1907, mas o Botafogo reivindicou parceria no título, alegando que o tricolor recebera uma mãozinha da Liga. Só 90 anos mais tarde, em 1997, é que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidiu proclamar os dois clubes como campeões. Para todos os efeitos, o tricolor foi bicampeão em 1907.

Em 1908, o Fluminense voltou a ganhar o Carioca, com quatro pontos de vantagem sobre o Botafogo, somando oito vitórias, dois empates, 38 gols pró e 10 contra. O time era basicamente o mesmo do primeiro campeonato, com Waterman, Victor Etchegaray e Salmond; Leal, Buchan e Nestor Macedo; Osvaldo Gomes, Horácio da Costa Santos, Emilio Etchegaray e Félix Frias.

Em 1909, o Fluminense conquistou o tetracampeonato, deixando o Botafogo novamente na segunda colocação, empatando em 2 x 2 o jogo do turno e vencendo por 2 x 1 no returno. Em 1910, o tricolor iniciou uma renovação de seu time e acabou perdendo o título para o alvinegro. Mas em 1911 voltou a ser campeão, em competição realizada sem a presença do Botafogo, que brigou com a Liga, provocando sua desfiliação da entidade. O América ficou com o vice.

O Fluminense ganhou todos os seis jogos que disputou. Marcou 21 gols e sofreu um. Pela primeira vez na história do futebol carioca uma equipe era dirigida por um técnico profissional, o inglês Charles Williams, contratado por 18 libras esterlinas mensais, além de casa, comida e duas passagens ida e volta Rio-Londres por ano. Um luxo só. O time foi campeão com Baena, Píndaro e Nery; Lawrence, Amarante e Galo; Osvaldo Gomes, Borgerth, Paranhos, Gustavo e James Calvert.

No segundo semestre de 1911, no entanto, o Fluminense sofreria sua primeira grande crise. Restavam duas rodadas para o fim do campeonato, quando o Ground Committee (a comissão técnica da época) decide barrar o atacante Alberto Borgerth, que pleiteava o posto de "captain", o capitão dos dias de hoje. Borgerth ainda sugeriu que os jogadores fossem consultados sobre a escalação do time. Mas um dos membros do GC, Afonso de Castro, alegou que tal atitude contrariava os princípios do clube, pois transferiria aos "players" atribuições exclusivas da comissão técnica. Dois dias mais tarde, porém, nove dos campeões de 1911 solicitaram demissão do clube: Alberto Borgerth, Armando de Almeida (o Galo), Emmanuel Nery, Ernesto Amarante, Gustavo de Carvalho, Lawrence Andrews, Orlando Mattos, Othon Baena de Figueiredo e Píndaro de Carvalho Rodrigues. No dia 24 de dezembro, os nove fundaram a seção de futebol do Club de Regatas do Flamengo, que só praticava o remo. Só Osvaldo Gomes e James Calvert permaneceram fiéis ao tricolor.




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1912 - 1919 — Da cisão ao tricampeonato

Pouco mais de sete meses mais tarde, o Fluminense mostrou aos desertores o valor de sua tradição, vencendo o primeiro Fla-Flu da história. O jogo foi disputado no campo das Laranjeiras, em 7 de julho de 1912, com arbitragem de Frank Robinson. O Fluminense escalou seus jogadores de "segundos quadros", reforçados por Osvaldo Gomes e James Calvert. E obteve o resultado de 3 x 2 com Laport, Belo e Maia; Leal, Mutzembecker e Pernambuco; Bartholomeu, Osvaldo Gomes, Berman, Ernest Calvert e James Calvert. O campeão carioca daquele ano, porém foi o Paysandu.

Em 1913, o tricolor ficou apenas em quinto lugar no Carioca. Mas no ano seguinte ganhou alguns reforços vindos do América, que também vivera grave crise. O mais célebre deles foi Marcos Carneiro de Mendonça, que não tardaria a tornar-se figura lendária, não só do Fluminense, mas do próprio futebol brasileiro. Em 1915, o clube iniciava uma nova etapa de sua existência, inaugurando quadras de tênis, rink de patinação, novas arquibancadas e tribuna social, além de expandir o seu terreno até as imediações do morro Novo Mundo.

Dotado de excelente estrutura, o clube tornou-se um modelo para os que pretendiam praticar esportes, especialmente para os que só pensavam em futebol. A dissolução do Club Atlético Guanabara, ainda na primeira metade da década, também acabou por reforçar o Fluminense: Arthur de Moraes e Castro (Laís), Emmanoel Coelho Neto (Mano) e José Carlos Guimarães (Zezé), três craques de bola, não demoraram a ingressar no tricolor, ajudando a formar um dos mais famosos times de todos os tempos, que daria ao clube o seu segundo tricampeonato _o primeiro foi em 1908.

Após amargar um quinto lugar no Carioca de 1916, o Fluminense iniciou o campeonato do ano seguinte determinado a reconquistar a hegemonia regional, perdida desde 1911. E realizou uma grande campanha, conquistando o título com 14 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas, para São Cristóvão e Botafogo. Mister Quincey Taylor, o treinador, também foi importado da Inglaterra. O time terminou com dois pontos de vantagem sobre o América e formava com Marcos, Vidal e Chico Netto; Laís, Osvaldo Gomes e Fortes; Mano, Zezé, Celso, Machado e Moraes.

O Fluminense voltou a conquistar o título em 1918, desta vez com três pontos de vantagem sobre o Botafogo, que teve o ataque mais positivo (55 gols) e o artilheiro, Luis Menezes (marcou 21 vezes). Foi um campeonato confuso, porque a gripe espanhola, trazida por tripulantes de cargueiros europeus, determinou a sua paralisação ao longo de 56 dias. Entre os nomes dos milhares de mortos estava o do centroavante do Fluminense, Archibald French.

Em 1919, o ano das piscinas, o uruguaio Ramon Platero substituiu Quincey Taylor, mas a estrutura do time foi mantida e o tricolor conquistou mais uma vez um tricampeonato. O título foi garantido com uma goleada de 4 x 0 sobre o Flamengo, em 21 de dezembro, quando o Estádio das Laranjeiras viveu um dia de muita festa, com a presença do presidente da República, Epitácio Pessoa. O time: Marcos, Vidal e Chico Netto; Laís, Osvaldo e Fortes; Mano, Zezé, Welfare, Machado e Bacchi. Os números são incontestáveis: 17 vitórias, uma derrota (o Fluminense manteve o hábito de perder para o São Cristóvão, desta vez por 2 a 0), 68 gols pró e 20 contra.




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1920 - 1933 — Rumo ao profissionalismo

Nos anos subseqüentes, o melhor resultado alcançado pelo Fluminense foi o vice-campeonato de 1920. O grande time começava a se desfazer. O futebol ainda era amador, e os craques precisavam cuidar de suas vidas particulares. Em 1923, o clube chegou em último lugar e precisou disputar uma eliminatória contra o Vila Isabel, vencida enfim por 3 x 1, para prosseguir na Primeira Divisão.

O tricolor só recuperou o título carioca em 1924, quando uma cisão na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, causada pela ascensão do Vasco, obrigou a realização de dois campeonatos. Os grandes clubes, liderados pelo presidente do Fluminense, Arnaldo Guinle, acusaram o Vasco de utilizar-se de jogadores remunerados pela colônia portuguesa, e acabaram largando-o à própria sorte. Fundaram uma nova entidade, a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos, e realizaram seu torneio, sem a presença dos cruzmaltinos.

O Fluminense obteve 12 vitórias, um empate, uma derrota (4 x 2 para o Flamengo), 54 gols pró e 19 contra, revelando dois novos craques, os atacantes Nilo Murtinho Braga e João Coelho Neto, o Preguinho. Na direção técnica, um novo estrangeiro, o inglês Charles Williams. Mas até 1932 o tricolor vai viver um período de "vacas magras": seus melhores resultados, sacudido pelos ventos que traziam o profissionalismo, seriam os vices de 1925 e 1927.

O profissionalismo, embora ainda não implantado, já era uma realidade. Os jornais chegavam a divulgar os valores de luvas e salários mais significativos. Assim, por iniciativa do Fluminense, que se aliou a outros três clubes, América, Bangu e Vasco, adotou-se definitivamente o novo regime no Rio. O Flamengo e o Bonsucesso aderiram um pouco mais tarde. Juntos, eles fundaram uma nova entidade, a Liga Carioca de Football. Entre 1933 e 1936, disputaram-se dois campeonatos cariocas. O Botafogo, que repudiou o profissionalismo, "em nome dos nossos interesses e das nossas tradições", permaneceu na velha AMEA.




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1934 - 1946 — Do terceiro tri à ousadia de Gentil

Os primeiros tempos de regime remunerado não foram muito felizes para o Fluminense, que só conseguiu dois vices, em 1933 e 1935. Em 1936, o tricolor contratou vários jogadores da Seleção Paulista, como Batatais, Orozimbo, Romeu e Hércules (Tim chegou no ano seguinte) e iniciou a marcha para seu terceiro tricampeonato. Dirigido por Hector Cabelli e Carlos Carlomagno (1936), Carlos Carlomagno (1937) e Carlos Carlomagno e Ondino Vieira (1938), o Fluminense obteve, ao longo dos três torneios, 40 vitórias, 11 empates, 182 gols pró e 64 contra. Sofreu apenas cinco derrotas. O time-base: Batatais, Moysés (Guimarães) e Machado; Santamaria (Marcial), Brant e Orozimbo; Bioró (Sobral), Sandro, Romeu, Tim e Hércules.

Em 1939, o Fluminense ficou em apenas quarto lugar no campeonato, mas voltou a recuperar a hegemonia regional ao conquistar o bicampeonato carioca em 1940 e 1941, somando 39 vitórias, nove empates, 168 gols pró e 79 contra. Perdeu apenas cinco vezes. O time-base formava com Batatais, Norival e Renganeschi; Malazzo, Spinelli e Afonsinho; Pedro Amorim, Romeu (Russo), Rongo, Tim e Carreiro. O técnico era Ondino Vieira.

O folclórico treinador Gentil Cardoso chegou ao clube no começo da temporada de 1946 e foi logo anunciando ao presidente Manoel Moraes de Barros Neto. "Dêem-me Ademir que lhes darei o campeonato." O Fluminense tirou o atacante do Vasco, na transferência mais comentada da década. Ademir marcou 25 vezes e foi peça fundamental na conquista do título, ganho na vitória de 1 x 0 sobre o Botafogo, gol dele.




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1947 - 1959 — Taça Olímpica, "Timinho", Copa Rio e Rio-São Paulo

Em 1949, o Fluminense recebeu uma homenagem do Comitê Oiímpico Internacional, a Taça Olímpica. Dois anos depois, voltou a ganhar o Carioca. Mídia e até mesmo alguns tricolores passaram a se referir à equipe dirigida por Zezé Moreira como "timinho". Mas em campo, o Fluminense venceu o Bangu em dois jogos-extra (1 x 0 e 2 x 0) e ficou com o título. A equipe, que não tinha nada de "timinho", era formado por Castilho, Píndaro e Pinheiro; Vítor, Édson e Lafaiete; Telê, Didi, Carlyle, Orlando e Joel.Entre 1951 e 1958, os maiores êxitos do tricolor foram as conquistas da Copa Rio de 1952 e do Rio-São Paulo de 1957, ano em que o clube revelou definitivamente o centroavante Valdo, artilheiro do torneio, com 13 gols. Foi o primeiro título de um clube do Rio na competição. A equipe formava com Victor Gonzalez, Cacá, Roberto, Clóvis e Altair; Ivan e Róbson; Telê, Valdo, Jair Francisco e Escurinho.

Em 1959, depois de oito anos, o Fluminense voltou a ganhar o Carioca, por antecipação, terminando com seis pontos de vantagem sobre o Bangu. O técnico, curiosamente, era o mesmo Zezé Moreira de 1951. Em campo, Castilho, Pinheiro e Telê eram os remanescentes. Em 1960, o tricolor voltou a levantar o Rio-São Paulo, e o time era basicamente o mesmo que foi campeão carioca um ano antes: Victor Gonzalez, Cacá, Roberto, Clóvis e Altair; Ivan e Róbson; Telê, Valdo, Jair Francisco e Escurinho.




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1960 - 1973 — Fartura de títulos

Depois de deixar escapar o título carioca de 1963 para o Flamengo, o Fluminense, sem um grande time, mas sob o comando do estrategista Tim, recuperou o campeonato em 1964, sobressaindo-se o lateral Carlos Alberto Torres, mais tarde capitão do tri mundial com a Seleção Brasileira, no México. A equipe: Castilho, Carlos Alberto Torres, Procópio, Altair e Nonô; Denílson e Oldair; Amoroso, Ubiraci (Evaldo), Joaquinzinho e Mateus (Edinho Batista).Após amargar quatro anos de jejum, o tricolor concluiu um trabalho de renovação que lhe deu muitas alegrias, entre 1969 e 1971. Foi campeão da Taça Guanabara e carioca em 1969 e 1971 e ainda ganhou a Taça de Prata, nome que se dava à época ao Campeonato Brasileiro, em 1970. O time foi basicamente formado por Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi (Silveira); Wilton (Cafuringa), Flávio (Mickey), Cláudio Garcia (Samarone ou Ivair) e Lula.

Na Taça de Prata, que o clube luta hoje para oficializar como Campeonato Brasileiro, o Fluminense obteve 10 vitórias, cinco empates, 29 gols pró e 16 contra. Perdeu quatro vezes. O técnico foi Paulo Amaral.

O título carioca de 1973, que marcou a ascensão de jogadores como Toninho, Abel (atual técnico do Vasco), Rubens Gálaxie, Cléber e Pintinho e que teve o tricampeão mundial Gérson no meio-campo, foi um aperitivo para a eleição do presidente Francisco Horta, que promoveu o troca-troca que revolucionou o futebol carioca e fez do Fluminense o melhor time do Rio.




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1974 - 1982 — A revolução da "Máquina"

A "Máquina" de Horta ganhou os campeonatos de 1975 (ainda Carioca) e o de 1976 (já Estadual). Nesta segunda conquista, o tricolor formou uma equipe que dificilmente conseguirá repetir. Era covardia: Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Pintinho, Rivelino e Dirceu; Gil, Doval e Paulo César Lima. Em 1975, o Fluminense terminou com 18 vitórias, seis empates e seis derrotas. E levantou o título no saldo de gols, após o triangular decisivo, quando derrotou o Vasco (4 x 1) e perdeu para o Botafogo (1 x 0). Em 1976, foram 23 vitórias, sete empates e duas derrotas.

Em 1980, ano da morte de Nelson Rodrigues, o Fluminense conquistou um novo Estadual, conseguindo romper a série de títulos obtidos pelo Flamengo de Zico no período. O time ganhou o primeiro turno e decidiu com o Vasco, campeão do segundo, em partida extra, vencendo por 1 x 0, gol de Edinho em cobrança de falta. O time contava com Paulo Goulart, Edevaldo, Tadeu, Edinho e Rubens Gálaxie; Delei, Gilberto e Mário; Robertinho, Cláudio Adão e Zezé.




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1983 - 1985 — O quarto tri da história

Em 1983, o tricolor iniciou um novo rosário de conquistas, obtendo o quarto tricampeonato estadual de sua história, além de um Brasileiro. Sobressaiu-se especialmente o apoiador Assis, que fazia uma infernal dupla com Washington e que se transformou no "Carrasco do Flamengo". Ele marcou, em 1983 e em 1984, os gols que deram as vitórias de 1 x 0 sobre os rubro-negros, nas finais dos dois Estaduais. Em 1983, o Fluminense obteve 13 vitórias, seis empates, 31 gols pró e 13 contra, perdendo cinco vezes. Em 1984, 16 vitórias, cinco empates 40 gols pró e 16 contra, com três derrotas. E em 1985, 15 vitórias, sete empates, 32 gols pró e 12 contra. Caiu diante de Bangu (2 x 1) e do América (1 x 0). Já no Brasileiro de 1984, o tricolor conseguiu 15 vitórias, nove empates, 37 gols pró e 13 contra, sofrendo apenas duas derrotas. Qual o tricolor que poderia esquecer aquele time? Paulo Vítor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato. Também atuaram com freqüência Vica, Renato Martins, Leomir, Renê e Paulinho.




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1986 - 2000 — Tempos pra lá de difíceis

Entre 1986 e 1990, o grande time foi sendo desfeito, mas o Fluminense ainda teve fôlego para ganhar a Taça Guanabara em 1991 e em 1993. A grande alegria do tricolor na década foi obtida no Maracanã, na tarde chuvosa de 25 de junho de 1995, diante de 112.285 torcedores, quando o time derrotou o Flamengo por 3 x 2 na final do Estadual. Naquele dia, o Fluminense não só quebrou um jejum de nove anos sem campeonatos, como impediu que o rival conquistasse o tão sonhado título regional no ano do seu centenário.

Renato Gaúcho e Leonardo fizeram 2 x 0 no primeiro tempo. Romário e Fabinho igualaram. Restavam dois minutos. O empate dava o campeonato ao Flamengo. Aílton penetrou pela direita, chutou cruzado, e Renato Gáucho escorou com a barriga, decretando a vitória tricolor. O Fluminense jogou com Wellerson, Ronald, Lima, Sorley e Lira; Márcio Costa, Aílton, Djair e Rogerinho (Ézio); Renato Gaúcho e Leonardo (Cadu). O técnico era Joel Santana. Foram 18 vitórias, sete empates, três derrotas, 49 gols pró e 19 contra.

Desde então, o Fluminense passou a viver um período atribulado, fruto de más administrações consecutivas e da política do "bom, bonito e barato" que só faz irritar a torcida. De 1995 a 2000, o clube teve cinco presidentes: Arnaldo Santhiago (1995), Gil Carneiro de Mendonça (1996), Álvaro Barcelos (1997), Manoel Schwartz (1998) e David Fischel (1998-2000). De técnico, o Fluminense também trocava como se trocasse de camisa. A humilhação veio com a queda para a Série B do Brasileiro, em 1996. Uma manobra de bastidores manteve o Fluminense na elite em 1997, mas o time voltou a cair para a Segundona, em 1998. Quando todos achavam que o time já havia chegado ao fundo do poço, houve uma nova queda, agora para a terceira divisão, a Série C, em 1999.

Em 1999, o Fluminense iniciou a reabilitação: ficou em terceiro lugar no Estadual e conquistou a Série C do Brasileiro, com Carlos Alberto Parreira no comando, obtendo o direito de regressar à Série B, a Segundona, em 2000. A torcida, que jamais se afastou dos estádios, demonstrou uma vibração impressionante. As bilheterias foram maiores do que muitos jogos da Primeira Divisão.

Em 2000, o Fluminense trocou de técnico - Parreira por Valdir Espinosa e iniciou o projeto de retorno definitivo à Primeira Divisão para que as glórias do passado voltem de vez às Laranjeiras. No entanto, não precisou se esforçar muito. A cartolagem trocou o nome do Campeonato Brasileiro para Copa João Havelange e o Flu voltou à Primeira Divisão do futebol nacional.



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