Futebol duro, jogado por atletas de muita raça. Essa fórmula sempre foi
vista em campo quando lá estavam as cores do Tricolor gaúcho. Seja no Olímpico
ou na casa do adversário, o Grêmio sempre aplicou o melhor estilo riograndense
de jogar futebol, mantendo viva a influência alemã que marcou as suas origens.
Desde as primeiras décadas de vida, o time do azul, preto e branco dividiu
a hegemonia do futebol no Rio Grande do Sul com o Internacional, seu eterno
rival. E os gremistas se orgulham até hoje de terem vencido o primeiro Gre-Nal
da história, por nada menos que 10 x 0.
O fortíssimo time colorado dos anos 70 tornou desigual a disputa entre as
duas equipes. Mas o Grêmio deu o troco vencendo tudo o que podia na década
seguinte. Inclusive o sonhado Mundial Interclubes, do qual o rival nunca
chegou perto. Nos anos 90, o Tricolor voltou a dominar o futebol gaúcho,
brasileiro e sul-americano, sob a batuta de Luiz Felipe Scolari. Sempre
mantendo a tradição de um futebol forte, com muita garra e amor à camisa.
Cândido Dias era um paulista de Sorocaba que havia se estabelecido em Porto Alegre no ramo da curtição de couro. Além disso, ele tinha a única bola de futebol da cidade de Porto Alegre naquele longínqüo ano de 1903. Depois de uma excursão do Esporte Clube Rio Grande (primeiro time do Brasil, fundado em 1900) à cidade, Cândido e um grupo de amigos lojistas se entusiasmaram e resolveram fundar seu próprio time. A "Acta nº 1" do clube, assinada pelos 33 sócios fundadores, foi elaborada em um restaurante localizado na rua que ficava nos fundos da Galeria Chaves, hoje denominada José Montaury. Assim nasceu o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, na noite de dia 15 de setembro de 1903.
Mas o Grêmio (então chamado de Porto-Alegrense) só entraria em campo pela
primeira vez em 16 de março de 1904, no Parque da Várzea, contra o Fussball
Club Porto Alegre. Ganhou de 1 x 0. O primeiro grande salto, entretanto,
se deu no ano seguinte, quando um dos fundadores, Augusto Koch, sugeriu
a construção de
um estádio na Baixada dos Moinhos de Vento - a Schuetzverein Platz,
como a chamavam os alemães daquele bairro tipicamente germânico, que logo
se transformaram nos primeiros torcedores do Grêmio.
Quando o campeonato da cidade de Porto Alegre passou a ser disputado oficialmente, em 1910, o clube já era um dos principais da cidade, ao lado do Fussball Club Porto Alegre, do Militar, do Fussball Manschaft Firsch Auf, do Sete de Setembro e do recém-fundado Internacional, que viria a ser seu grande rival.
Surgido em 1909, o Inter desafiara o Grêmio para um jogo de football logo
após sua fundação e, diante da oferta gremista de atuar com os reservas,
os colorados se ofenderam e exigiram a equipe principal. Resultado: o
primeiro Gre-Nal da história terminou em 10 x 0 para o Grêmio. Os gremistas
eram muito superiores. Em 1910, o time havia conquistado quatro vezes a
Taça Wanderpreis (espécie de campeonato não-oficial). E na primeira disputa
oficial da cidade chegou em segundo. No
ano seguinte, faturou o título sem perder nenhum jogo. A história se
repetiria até 1915, com um pentacampeonato. A essa altura, um carioca de
nascimento que havia jogado no Fluminense, atraído pelo interesse do Grêmio,
já se destacava como o primeiro grande ídolo tricolor: Edwin Cox.
1919 - 1925 O Rei de Porto Alegre
Em 1919, começa a ser disputado o Campeonato Gaúcho, somente pelos campeões
das diversas regiões do Estado. Um esquema que permaneceria inalterado até
1960, quando acabaria a divisão por regiões. Como pentacampeão de Porto
Alegre, o Grêmio não deu chance ao rival Internacional, classificando-se
para as cinco primeiras disputas estaduais. Ganhou
duas, em 1921 e 1922, mas poderia ter vencido mais, se a luta armada
entre chimangos e maragatos não tivesse dividido o Rio Grande do Sul e cancelado
as disputas de 1923 e 1924. O time-base tinha: Lara, Py e Neco; Gertum,
Dorival e Assumpção; Meneghini, Lagarto, Bruno, Ramão e Loureiro. Entre
todos, o maior ídolo dessa época (e, talvez, de toda a história tricolor)
foi um goleiro alto, magro e desengonçado, vindo de Uruguaiana, que seria
o dono absoluto da posição até 1935: Eurico
Lara, uma verdadeira lenda na história tricolor. Antes mesmo da chegada
de Lara ao Grêmio, o jogador já era considerado uma lenda no interior gaúcho.
Em todos os recantos dizia-se: "Lá em Uruguaiana existe um goleiro que,
quando joga, o time não perde". Eurico Lara viria a defender o Grêmio por
16 temporadas, entre 1920 e 1935, e conquistaria 16 títulos.
1926 - 1935 O Rei do Rio Grande
Mais dez Campeonatos Gaúchos foram disputados entre 1926 e 1935,
e mais três taças foram parar na galeria tricolor: as de 1926, 1931 e 1932.
A essa altura, a diferença de títulos em relação ao rival Inter
era de seis para dois. O time de 1926, inspirado em uma jogada fantástica
repetida várias vezes pelo "center-forward" Luiz Carvalho, conhecido como
o Rei das Viradas, acabou assumindo a mesma denominação. Até porque a equipe
conseguia transformar em vitórias os jogos mais difíceis, aqueles que estavam
praticamente perdidos. A final contra o Guarani de Bagé foi emblemática.
Com a contusão de Telêmaco, um dos principais jogadores do time, Luiz Carvalho
decidiu que assumiria a função e ficaria defendendo, em frente à zaga, enquanto
Pitoco jogaria avançado. A estratégia foi desastrosa: tão logo o jogo começou,
o Tricolor já estava perdendo por 2 x 0. Luiz Carvalho desistiu da invenção
e voltou a ser o "center-foward" decisivo de sempre. O primeiro tempo acabou
em 3 x 3 e, no segundo, houve a virada para 4 x 3.
Naquele período da história gremista, mais festejada que a conquista de 1926 só mesmo a vitória no campeonato da cidade, em cima do Inter, em 22 de setembro de 1935. Era o ano do centenário da Revolução Farroupilha, e aos adversários, favoritos, bastava o empate. A torcida vermelha até já fazia festa, aos 40 minutos do segundo tempo, quando Foguinho, num rápido contra-ataque fez 1 x 0. A bola voltou ao centro e, roubada rapidamente, resultou num segundo gol, de Laci. Vitória dramática, inesquecível, e também a última partida de Eurico Lara que, doente, teve que ser substituído durante o jogo. Morreria do coração no dia 6 de novembro, menos de dois meses depois.
Aquele título do centenário da Revolução foi tão importante que os gremistas decidiram comemorá-lo por 100 anos. Uma promessa que se mantém, por meio de um jantar anual promovido pelos dirigentes do clube.
1936 - 1946 Anos enrolados
Um dos períodos mais difíceis da história gremista aconteceu entre 1940 e 1945. Foi o tempo em que o Rolo Compressor do Inter, hexacampeão porto-alegrense e gaúcho, reinou absoluto no futebol do Estado. Em 28 Gre-Nais disputados durante o reinado colorado (que iria até 1949), o Tricolor ganhou apenas quatro, contra cinco empates e 28 vitórias coloradas. Apesar da enorme desvantagem, houve um Gre-Nal que lavou a alma dos gremistas. Em 13 de agosto de 1944, período auge do Rolo, o Inter saiu vencendo o clássico por 3 x 0, e a vantagem era tão grande que no intervalo da partida um grupo de tricolores deu início a um abaixo-assinado para derrubar a diretoria. Mas para surpresa geral o Grêmio virou o jogo para 4 x 3 revivendo sua mais gloriosa tradição.
Antes daqueles momentos difíceis, entretanto, ainda houve tempo para o Tricolor
conquistar três campeonatos da cidade, em 1937, 1938 e 1939. Já em 1941,
Osvaldo Rolla, o Foguinho, remanescente da gloriosa jornada do Ano Farroupilha,
encerrava a carreira para, depois, tornar-se técnico do próprio Grêmio.
Mas foi o ano de
1946 que a tudo redimiu: o Grêmio foi campeão da cidade, do Estado (depois
de 14 anos) e de diversas categorias amadoras. De quebra, voltou a equilibrar
os confrontos contra o Inter, ganhando dois dos quatro clássicos disputados,
inclusive o decisivo, por 2 x 1, no dia 15 de setembro.
1947 - 1955 A agonia continua
Mais um título estadual
solitário, o sétimo da história gremista, em 1949. Mesmo assim, espremido
entre um bi e um tetra do Inter e o ano da façanha do Renner, único clube
a furar a hegemonia da dupla Gre-Nal, em 1954. Isso foi tudo que o Grêmio
conseguiu até 1955. O único Grêmio campeão desse período era formado por
Sérgio, Clarel e Joni; Hugo, Adams e Alegretti; Teotônio, Hermes, Geada,
Álvaro e Gita. Uma equipe modesta porém jovem, exatamente o oposto do decadente
Rolo Compressor colorado. Em fevereiro de 1952, a vitória contra o preconceito:
o ponta-direita Tesourinha
torna-se o primeiro negro a vestir a camisa tricolor, quebrando um tabu
de quase 50 anos. Foi o presidente Saturnino Vanzelotti quem assinou a nota
histórica: "A Diretoria do Grêmio vem trazer ao conhecimento de seus associados
e simpatizantes, por decisão unânime, que resolveu tornar insubsistente
a norma que vinha sendo seguida, de não incluir atletas de cor em sua representação
de futebol..."
Boas novas para a torcida gremista também em 1954, quando foi inaugurado
o Estádio Olímpico, o maior e mais moderno do Sul do país. Um velho sonho
do clube, iniciado em 5 de março de 1948. No dia 9 de março de 1950, o clube
conseguia a posse definitiva do terreno de 75 mil metros quadrados. As
obras foram iniciadas em 12 de novembro de 1951 e, no dia 19 de setembro
de 1954, o time finalmente inaugurava o estádio, vencendo o Nacional de
Montevidéu por 2 x 0. Em 1955, o zagueiro Aírton, apelidado de Pavilhão,
é comprado do Força e Luz para se tornar um dos maiores ídolos da história
do clube (o jogador foi apontado pela Federação Gaúcha de Futebol, no ano
2000, como integrante da seleção gaúcha de todos os tempos). No campeonato
da cidade, o Grêmio fica a apenas um ponto do Inter, perdendo
o Gre-Nal decisivo quando apenas o empate bastava.
1956 - 1960 Novos e bons tempos
Com a conquista
do Campeonato Gaúcho de 1956 pelo Grêmio (sete anos depois de seu último
título estadual), começava uma nova era no futebol do Rio Grande. Nos
treze anos seguintes, o Tricolor só perderia o título de 1961 para o
Inter. Sempre jogando um futebol duro, feito de jogadores de grande força
e resistência, com velocidade e aplicação. À imagem e semelhança, enfim,
do técnico Osvaldo Rolla, ninguém menos que o mesmo Foguinho, ídolo como
jogador nos anos 30 e 40. Aquele era também o estilo do centroavante Juarez,
apelidado de "O Tanque", um dos grandes ídolos da época. Enquanto isso,
o Inter continuava tocando a bola de lado. Um futebol bonito, mas sem nenhuma
objetividade.
O futebol força não significava que no Grêmio não havia ídolos de grande qualidade técnica. Ao contrário: destacavam-se Élton e Calvet no meio-campo e Gessy e Vieira no ataque. Gessy, que morreu de câncer um ano após abandonar o futebol, era um jogador misterioso. Tinha grande habilidade, jogava como poucos, mas fazia tudo isso sem gostar de futebol. Fazia por dinheiro. Era calado, e as comemorações de seus gols eram discretas, frias. Com Foguinho de técnico e Luís Carvalho (outro ídolo do passado) de presidente, o time faturou cinco títulos gaúchos seguidos, entre 1956 e 1960. Faltou só um para superar o hexa do Rolo Compressor do Inter.
1961 - 1968 Quebrando recordes
Com o heptacampeonato gaúcho conquistado entre 1962 e 1968, o Grêmio finalmente
batia o recorde
do Inter, hexa entre 1940 e 1945. O título de 1962
teve uma história especial: veio graças aos gols de Paulo Lumumba, jogador
emprestado pelo próprio Grêmio ao Aimoré de São Leopoldo. Ele marcou duas
vezes na vitória do time do interior sobre o Colorado (3 x 1), que permitiu
ao Tricolor vencer o último Gre-Nal do ano (2 x 0) e o jogo extra que valeu
o título (4 x 2). Já o título de 1968, que fechou aquela seqüência de sete
Campeonatos Estaduais, fato até então inédito, tinha: Alberto; Altemir,
Paulo Souza, Áureo e Everaldo; Jadir e Sérgio Lopes; Babá, Joãozinho, Alcindo
e Volmir (ou Loivo). O ponta-de-lança João Severiano, o Joãozinho (apelidado
de Pequeno Polegar por conta de seu 1,64 metro de altura) foi o único jogador
que pegou toda a fase do hepta, atuando entre 1962 e 1970.
Nesse período de glórias estaduais, o Tricolor alça também os seus primeiros vôos nacionais. Em 1965, o time fez 5 x 1 na Academia do Palmeiras, em uma partida pela Taça Brasil, disputada no Olímpico, depois de ter perdido por 4 x 1 em São Paulo (no jogo-desempate pela vaga, deu Palmeiras, 2 x 0). Dois anos depois, em 1967, o Grêmio estréia em competições nacionais de maior duração, no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão. E fica entre os quatro primeiros do país, ao lado de Palmeiras, Inter e Corinthians.
1969 - 1977 Mais anos amargos
Com a conclusão do Beira-Rio, em 1969, o Inter retomou a dianteira no Campeonato Gaúcho, conquistando-o oito vezes seguidas, entre 1969 e 1976. Para o Grêmio, nesses tristes anos de espera, restaram apenas alguns consolos. Na Seleção Brasileira tricampeã mundial no México, em 1970, o titular da lateral-esquerda era Everaldo (depois da conquista, a bandeira do clube ganhou uma estrela de ouro em sua homenagem). Em 1971, uma vitória no último Gre-Nal (3 x 1, dois gols de Caio e um de Scotta) carimbou as faixas do tricampeonato do rival. Mas foi só. O Inter era mesmo superior na época, e o esforço de craques tricolores como Tarciso resultava apenas em vitórias muito raras sobre o rival. Numa delas, em pleno Beira-Rio, dia 23 de julho de 1975, Tarciso e principalmente Zequinha formaram o ataque que destruiu a máquina colorada, então considerada a melhor equipe do Brasil, com um 3 x 1.
O desabafo definitivo
só viria em 1977, ano em que o Tricolor recuperou o título gaúcho com
um time de veteranos treinado por Telê Santana: Corbo, Eurico, Cassiá, Oberdan
e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra; Tarciso, André Catimba e Éder.
Dentro de campo, o líder da equipe que interromperia a série de conquistas
do Inter foi Oderdan. O zagueiro já havia decidido se aposentar do futebol
e ir criar abelhas em Santa Catarina, quandoTelê o chamou. Aceitou o desafio
e, na chegada a Porto Alegre, declarou que o atacante Escurinho, do Inter,
não mais cabecearia na área gremista. E Escurinho, que vinha decidindo pelo
alto todos os Gre-Nais a favor do Inter, não mais cabeceou. A imagem mais
forte da conquista daquele campeonato é a do centroavante André dando um
salto mortal, depois de marcar o gol da vitória na decisão contra o Inter,
1 x 0, no Estádio Olímpico. Aos 42 minutos do primeiro tempo, ele tentou
virar uma cambalhota, não conseguiu e se esborrachou no chão, de cara. Saiu
na maca para não mais voltar a campo.
1978 - 1982 A conquista do Brasil
Recuperada a hegemonia no Rio Grande, era chegada a hora de pensar em termos
de Brasil. Afinal, o rival Inter já era bicampeão brasileiro e chegaria
ao tri em 1979. E o Grêmio, até ali, nada. A obsessão passou a ser ainda
maior depois da perda do título gaúcho de 1978, dentro do Olímpico (o que
não acontecia desde a inauguração do estádio, em 1954). Em 1979, o
Tricolor voltou a faturar o Gauchão, com quatro rodadas de antecipação.
Seria bi em 1980, segurando o Inter na decisão dentro
do Beira-Rio com um 0 x 0. Mas todos no clube - jogadores, torcedores,
dirigentes - só continuavam pensando na consagração nacional.
Eliminado nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro pelo Vasco, em 1978;
por Flamengo e XV de Piracicaba na Segunda Fase, em 1979; e por Coritiba
e Corinthians nas quartas-de-final, em 1980, o Grêmio finalmente alcançaria
seu sonho em 1981. Com um gol do centroavante Baltazar,
o time emperrou a "Máquina" do São Paulo em pleno
Morumbi e trouxe para casa seu primeiro caneco nacional. No primeiro
dos dois jogos decisivos, realizado no Estádio Olímpico, Baltazar perdeu
um pênalti, mas não se abateu. "Deus está reservando algo melhor para mim",
disse. Acabou fazendo o golaço da final. Aquele Grêmio tinha Leão no gol,
o uruguaio De León na zaga, Paulo Isidoro no meio-campo e Tarciso e Baltazar
no ataque. No ano seguinte, já com Renato
Gaúcho de titular, o juiz deixou de dar um pênalti claro em favor do
Tricolor na decisão, e o Flamengo acabou conquistando o título dentro do
Olímpico. O Internacional era bicampeão gaúcho (chegaria ao tetra em 1984),
mas, àquela altura, nada disso importava: o Grêmio tinha conquistado definitivamente
o respeito nacional.
1983 - 1990 A Terra é azul
Classificado para a disputa da Taça Libertadores da América de 1983, o Grêmio
deixou os Campeonatos Brasileiro e Gaúcho daquele ano em segundo plano.
Valeu a pena: no primeiro semestre, o Tricolor conquistava seu primeiro
título continental, derrotando o Peñarol do Uruguai, no Olímpico, por 2
x 1, gols de Caio e César. No segundo, encerrava seu ano de ouro trazendo
a taça do Mundial
Interclubes de Tóquio. O adversário foi o Hamburgo, da Alemanha, campeão
europeu, que não resistiu aos dribles do fenômeno Renato Gaúcho e foi batido
por 2 x 1. Renato fez o primeiro gol aos 38 minutos do primeiro tempo, Schöereder
empatou para os alemães aos 40 do segundo, e novamente Renato, aos 3 minutos
da prorrogação, decidiu a partida. Exclusivamente para aquela final de Tóquio,
o Grêmio contratou a experiência de Mário Sérgio e Paulo César Caju.
Nada poderia ser maior. Mesmo assim, nos anos seguintes, o Grêmio seguiu
sua caminhada, firmando-se cada vez mais como um dos grandes clubes do continente
e do mundo. O bi da Libertadores, em 1984, só não se confirmou diante do
Independiente, da Argentina, porque o time bobeou em casa (0 x 1) e não
teve forças para reverter o resultado jogando fora (0 x 0). O ano de 1985
foi o da retomada da hegemonia no Rio Grande do Sul, perdida para o Inter
desde 1981. Treinado por Rubens Minelli e tendo Valdo como estrela, o Grêmio-Show
- um time que jogava para a frente, como havia muito não se via com a camisa
tricolor - começou a seqüência que enfileraria mais
cinco títulos estaduais seguidos, até 1990. Nesse meio-tempo, mais triunfos
nacionais. A Copa do Brasil, por exemplo (competição criada em 1989 para
dar a seu vencedor uma das vagas brasileiras na Libertadores), parece ter
nascido gremista. O clube foi o
primeiro a conquistá-la, em 1989, repetiu o feito outras duas vezes
(1994 e 1997) e até hoje é seu maior campeão.
1991 - 1996 A Era Felipão
Em 1987, o Grêmio foi campeão gaúcho com um futebol de muita combatividade,
honrando a tradição gaúcha do "não está morto quem peleia". Bem ao estilo
de seu técnico, Luiz Felipe Scolari,
o "Felipão", que, nos anos 70, havia sido zagueiro do Caxias. Depois
disso, o time foi abandonando gradativamente essa característica, até ser
rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, em 1991. Retomou a curva ascendente
com mais um título gaúcho, em 1993, comandado pelo ex-zagueiro Cassiá. Foi
o ano em que o jovem Dener, o rei dos dribles, vestiu a camisa tricolor
e conquistou o único título de sua curta carreira. Um ano depois, morreria
num acidente automobilístico, no Rio de Janeiro.
Mas o Tricolor só voltou a se firmar definitivamente quando foi buscar Felipão
de volta, para o Brasileiro daquele mesmo 1993. Começava ali uma nova fase
na história do clube. Com Felipão no comando, o Grêmio não só voltou a mandar
no Rio Grande do Sul (bi em 1995 e 1996) como faturou mais uma Copa do Brasil
(1994), um Campeonato Brasileiro (1996), outra Libertadores (1995) e uma
Recopa Sul-Americana (1996). Naquele
time todos pegavam juntos. Ninguém era mais estrela do que ninguém.
O goleiro era Danrlei, os laterais, peças decisivas no esquema de Felipão,
eram Arce e Roger. A zaga, a melhor dos anos 90, tinha Adílson e Rivarola.
O meio-campo contava com a experiência de Luiz Carlos Goiano e a criatividade
de Carlos Miguel e Arílson. Finalmente, no ataque, a velocidade de Paulo
Nunes e o oportunismo de Jardel, um exímio cabeceador. O
bi no Mundial Interclubes só não veio por acaso. O time perdeu a decisão
para o Ajax, da Holanda, nos pênaltis.
1997 - 2000 Começar de novo
Mesmo com as saídas gradativas de Scolari e da maioria dos ídolos da Era
Felipão para o Palmeiras, a partir de 1997, o time ainda ganhou uma Copa
do Brasil (1997), contra o Flamengo, dentro do Maracanã, e mais a Copa
Sul e o Campeonato Gaúcho (1999). Não foi bem nos Brasileiros de 1998 e
1999, mas acabou tendo a maior revelação do futebol nacional no fim do século
XX: o atacante Ronaldinho.
O jovem craque ganhou o Campeonato Gaúcho de 1999 praticamente sozinho,
fazendo gols nos dois últimos Gre-Nais da competição. Mais do que isso,
enfiou a bola no meio das pernas do capitão Dunga, do Inter, aplicou balãozinho,
desmoralizou o herói do tetra e determinou que ali começava o fim do jogador
colorado (que acabou dispensado do clube alguns meses depois).
O desafio passou a ser manter Ronaldinho no time e formar um Grêmio como
ele sempre foi, desde
1903: forte, temido e poderoso.